Moda de Rua – Grafite

Tatiana Guid - Grafiteira

Saiu ontem no Suplemento Feminino do Jornal Estado de São Paulo uma matéria sobre garotas que fazem grafite. O título, “Artistas a céu aberto”, tem tudo a ver com o que eu penso sobre essa manifestação de arte. É lindo, é contemporâneo e deve ser encarado como um privilégio ter um desses num muro perto de casa. Quando as cores vão desbotando, as marcas do tempo se fixando, não há problema em raspar a parede e começar tudo de novo, com inspirações renovadas.

E por falar em estilo fofo, já vi uns grafites de gato da Minhau e são imperdíveis… Quem sabe um dia não tenho um na parede da minha casa…

Leia a matéria: 

Artistas a céu aberto

Apesar de serem minoria, algumas mulheres estão revelando um estilo próprio e começam a se destacar no grafite

Fabiana Caso, de O Estado de S.Paulo

Marcos Mendes/AE

‘Quero passar alegria, colocar as pessoas para cima’, diz a grafiteira Tatiana Guid (na foto acima)

 

SÃO PAULO – Formas de gato, coração, boneca e muito colorido. Mas tudo estilizado na linguagem da arte de rua. Comece a reparar nos grafites de São Paulo que você vai reconhecer traços femininos emoldurando o cenário urbano. Entre as autoras, adolescentes que estão descobrindo essa forma de arte – que ainda significa contravenção – e também mulheres maduras, cujo talento é reconhecido além das fronteiras das ruas.

Tudo começou na pré-história. Desde sempre, o homem pintava as paredes, expressando os seus símbolos. Os italianos, em especial, gostavam de redigir protestos com carvão, os quais ainda podem ser vistos nos sítios arqueológicos do País. É justamente da língua italiana que vem a palavra grafite: escrita em carvão. Mas o desenvolvimento dos desenhos com spray se deu em Nova York, na década de 60, quando jovens começaram a pintar paredes e trens da metrópole. Essa expressão de arte desenvolveu-se paralelamente ao hip hop – cultura dos guetos dos Estados Unidos, que reúne também rap e dança break.

No Brasil, o grafite se desenvolveu de forma diferente, não tão atrelado ao hip hop. Em São Paulo, os pioneiros foram Otávio e Gustavo Pandolfo, conhecidos como “Os Gêmeos”. Os irmãos, que hoje já têm mais de 30 anos, fizeram o colegial técnico na escola Carlos de Campos. Já grafitavam nessa época da adolescência e começaram a incentivar os jovens colegas a fazer o mesmo. Foi assim que a namorada de Otávio, Carina Arsenio (a Nina), começou. Hoje, os dois são casados e continuam criando grafites juntos.

Mundialmente conhecidos, uma das últimas empreitadas dos três – Os Gêmeos e Nina – foi grafitar, no ano passado, o castelo de Kelburn, do século 13, na Escócia. Este foi um dos trabalhos preferidos de Nina, que vive às voltas com viagens internacionais. Hoje, aos 31 anos, ela está desfrutando do reconhecimento ao seu trabalho.

“Quando comecei a me interessar pelo grafite, já pintava, mas em suportes tradicionais como tela. Também fazia teatro de rua e percebi que poderia pintar em muros, na rua, para todos. Grafite, para mim, é levar a arte a lugares onde normalmente não há arte nenhuma, nenhum valor”, resume ela, diretamente de Paris, onde estava com Os Gêmeos, pintando. “O número de meninas que fazem grafite tem aumentado cada vez mais, no exterior isso já é normal. No Brasil, elas estão procurando seu próprio estilo, superando barreiras, pois uma garota pintando na rua é algo bem diferente.”

Nina participou da 9ª Bienal de Havana e de vários projetos na Europa. Agora, prepara uma exposição solo, que deverá ser realizada em julho, na Galeria Leme, em São Paulo. Mesmo com tanta ocupação, continua grafitando nas ruas paulistanas, pelo menos um final de semana por mês. “É uma maneira de expressão, como qualquer outra arte de rua.”

Galeria

Junto com seu marido Jey, a grafiteira Tatiana Guid fundou, em 2005, a Grafiteria, única galeria especializada em arte de rua. Todo final de semana, vão juntos pintar os muros da cidade: as ovelhinhas e monstrinhos simpáticos dela, às vezes, completam o traçado diferente do marido, e vice-versa. Outra característica do desenho de Tatiana são as espirais: tudo muito colorido. “Evito a cor preta. Quero passar alegria, colocar as pessoas para cima”, comenta.

Paulistana, de 29 anos, e mãe de Olívia, de 8, Tatiana gostava de desenhar desde a infância. Adorava quadrinhos de super-heróis, como o Homem Aranha, e “viajava” no desenho de personagens como Calvin. Também estudou no colégio Carlos de Campos e foi lá que começou a trocar idéias com Os Gêmeos, fazendo as primeiras experiências com spray. “O trabalho delicado da Nina já era uma referência entre as meninas”, lembra.

Nessa época, Tatiana adorava andar de skate e ouvir bandas de rock como Pixies, Sonic Youth e a pioneira Stooges de Iggy Pop. O grafite foi somado à música e ao esporte, que já faziam parte de sua vida. “Os desenhos dos skates e das marcas de roupa de skate tinha a ver com a linguagem.” Mas, depois que sua filha nasceu, parou de andar de skate e teve de interromper o grafite também.

Voltou a pintar aos 23 anos e, de lá para cá, só está obtendo maior reconhecimento. Participa de muitos eventos, pinta cenários e já fez grafites nas paredes de cerca de seis residências. O principal trabalho fora das ruas foi a criação, em parceria com a grafiteira Miss, do grafite que deu origem às ilustrações usadas na linha feminina Carpe Diem, de O Boticário. As duas pintaram uma parede, que foi fotografada e usada nas embalagens dos produtos. “Até 2004, nosso trabalho era super marginalizado. Hoje, existe mais consciência de que é uma forma de arte.”

Além de grafitar, pinta telas e cria estampas para roupas e acessórios da marca de skate Stand Up. Mas é à primeira atividade que se dedica todos os fins de semana. “Grafite é uma forma de protesto e de apropriação da cidade. É uma arte disponível para todos.”

Gatos

A grafiteira Minhau é autora dos felinos que aparecem em paredes, como a da Praça Roosevelt, no centro da cidade. Camila Pavanelli, de 30 anos, sempre foi apaixonada por gatos. Tem até um, peludo e rajado, que se chama Rajão. Natural de Piracicaba, também é casada com um grafiteiro veterano, Chivitz. Foi junto com ele que pintou seu primeiro muro. E segue aprendendo. “Estou evoluindo a cada dia, gosto de trabalhar com todas as cores possíveis, usando traços soltos.”

Sempre pintou cerâmica e materiais menos usuais, como sucata. Também curtia colar “lambes” – aqueles papéis impressos – nas paredes das ruas. Mas com o grafite é diferente. “Sempre fico muito ansiosa antes de desenhar, dá até gastrite”, conta ela, que grafita todo final de semana com o marido e amigos. “Mas é legal, estamos levando arte para a rua. Muita gente elogia enquanto estamos trabalhando. A satisfação é muito grande.”

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16 thoughts on “Moda de Rua – Grafite”

  1. olá Renata,

    passei por aqui!!! legal!.

    Prazer em te conhecer aqui e obrigada pela admiração pelo meu trabalho.

    Valeu muito obrigada e até em breve!

    MINHAU

  2. Oi, Minhau! Obrigada pela visita! Que bom que você se achou aqui!
    Realmente, gosto muito de seu trabalho porque também adoro gatos e sempre admiro quem consiga passar para o traço a beleza desses seres tão especiais!
    Aliás, aproveitando, você grafita paredes internas de casas ou apartamentos? 😉
    Volte sempre e sinta-se livre pra comentar e divulgar seu trabalho!
    Beijinhos! Até!

  3. Olá Renata
    Meu filho de 7 anos quer um “grafite radical” na parede do quarto dele.Gostaria de saber se voce tem alguem para indicar
    que faça este tipo de trabalho aqui no RJ ou que possa me ajudar.
    Parabéns pelo seu trabalho
    Fausto

  4. Oi, Fausto!
    Obrigada pela visita e pelo comentário!
    Eu não conheço ninguém do Rio mas acho que as duas meninas aí em cima podem conhecer!
    Escreva pra elas no contato que elas deixaram ou veja quanto elas cobram pra ir até o Rio porque o trabalho delas é LINDO! Vale muito a pena!
    Escreva contando se deu certo!
    Abraço!

  5. Olá Renata, tudo bem?

    Sou criativo em uma agência de propaganda e estou à procura do contato da Nina pra um trabalho, será que você pode me ajudar?

    Obrigado!

    Betinho.

    1. Oi, Betinho!
      Eu não conheço a Nina mas a Minhau conhece. Entre em contato com ela nos contatos que ela deixou acima.
      Boa sorte!

  6. Oii, gostaria de fazer algo diferente no quarto dos meus filhos, ele tem 7 ela de 10 anos ambos gostam muito de esportes … dividem o mesmo quarto, oq da para fazer?? Quero agradar os dois!!!
    E tb uma indica;ão…

    bj.

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