Posse

DerSpaziergang by Marc Chagall

A gente tem que começar a entender o conceito de posse. E como a posse é ruim.

“Ter” alguma coisa é sempre uma ilusão. Se a gente tem coisas, objetos, imóveis, carros, a gente, na verdade, tem meios utilitários para determinados fins. Eles ficam obsoletos, quebram, se tornam desnecessários. Fazem parte de um universo temporal, maior ou menor que o nosso, podem durar mais que a nossa vida, podem durar menos. Logo, não são nossos, apenas passam por nós.

Uma pessoa nunca é nossa. Pessoas se aproximam, se afastam, ficam, vão. Estão conosco, mas também estão com o mundo. Não estamos fisicamente dentro do corpo de ninguém, ninguém precisa de outra pessoa pra sobreviver (a não ser claro, num caso de doação de órgãos, mas não é bem o foco aqui). Apreciamos a companhia, abraçamos o momento, aquela pessoa que mora no nosso coração está sempre ali, mas não é nossa. Não temos o direito de trancá-la numa gaiola e, mesmo se o fizéssemos, ela definharia e deixaria de ser aquela criatura linda que amamos.

Não possuímos o planeta, nem a natureza, nem os animais. Estamos aqui para dividir esta atmosfera, para tentar conviver. Existem animais que buscam a companhia humana, outros estão aqui para o equilíbrio da vida e não necessariamente precisam de nós. Eles querem ser deixados em paz.

Tudo é mais bonito quando há harmonia. Se um leopardo das neves é maravilhoso escondidinho no meio das montanhas mais altas, é lá que ele deve ficar. Quando se retira o leopardo de lá, ele perde metade de sua identidade. Quando se arranca um pedaço de uma pedra preciosa para se fazer um pingente de colar que apenas uma pessoa irá usar, a pedra deixa de ser parte de um planeta que é de todos. Na sua mão é ganância, na caverna é de todos.

Por que a gente acha que precisa tomar posse? Por causa de um sentimento que outra pessoa pode tirar algo de mim. É horrível que os humanos ainda não aprenderam que quando ninguém tem, todo mundo ganha. Ninguém mais sabe dividir, apenas repartir em cotas geralmente injustas.

Que sonho o dia em que olhar, muito de longe, um tigre andando lá longe, em toda sua beleza, nos dará o sentido de completude e não de cobiça. Que lindo o amor que deixa o outro livre. Que lindo passear pela vida de mãos dadas com quem nos deixa voar.

[arte: Marc Chagall – La Promenade, 1917/18]

Yelena Bryksenkova 09

A capacidade de ficar sozinho é a capacidade de amar. Pode parecer paradoxal, mas não é. É uma verdade existencial: apenas aquelas pessoas que são capazes de ficar sozinhas são capazes de amar, de compartilhar, de penetrar o âmago de outra pessoa — sem possuir o outro, sem se tornar dependente do outro, sem reduzir o outro a um objeto, e sem se tornar viciado no outro.

The capacity to be alone is the capacity to love. It may look paradoxical to you, but it is not. It is an existential truth: only those people who are capable of being alone are capable of love, of sharing, of going into the deepest core of the other person—without possessing the other, without becoming dependent on the other, without reducing the other to a thing, and without becoming addicted to the other.

[Osho (Bhagwan Shree Rajneesh)]

arte: Yelena Bryksenkova – Dancing Alone

Ser bonito significa ser você mesmo. Você não precisa ser aceito por outros. Você precisa aceitar a si mesmo. Quando você nasce uma flor de lótus, seja uma linda flor de lótus, não tente ser uma magnólia. Se você se importar apenas com aceitação e reconhecimento e tentar mudar para se encaixar no que as outras pessoas querem que você seja, você vai sofrer por toda a sua vida. A verdadeira felicidade e o poder que ela proporciona estão na compreensão, aceitação e confiança em si mesmo.

To be beautiful means to be yourself. You don’t need to be accepted by others. You need to accept yourself. When you are born a lotus flower, be a beautiful lotus flower, don’t try to be a magnolia flower. If you crave acceptance and recognition and try to change yourself to fit what other people want you to be, you will suffer all your life. True happiness and true power lie in understanding yourself, accepting yourself, having confidence in yourself.

[Thích Nhất Hạnh]

art Kwon Kyung Yup

É incrível que eu ainda não tenha abandonado todos os meus ideais: eles parecem tão absurdos e impossíveis de serem realizados. Mesmo assim, eu me apego a eles, porque, apesar de tudo, eu ainda acredito que as pessoas podem realmente ter um coração bom.

It’s really a wonder that I haven’t dropped all my ideals, because they seem so absurd and impossible to carry out. Yet I keep them, because in spite of everything I still believe that people are really good at heart.

[Anne Frank]

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