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Antes de você me tocar,
eu era uma jaula
cheia de coisas selvagens.

Minha mãe costumava dizer,
“cuidado com os lobos,
eles conseguem sentir o cheiro
da cama das ovelhas,
a quilômetros de distância.”

Então, todas as noites,
eu dormia nua
e acordava cheirando à lua,
pois minha mãe nunca soube,
que não é o lobo
que dorme com a ovelha,
é a ovelha quem primeiro precisa aprender
a correr com os lobos.

O que eu estou tentando dizer é,
eu sempre me perguntei
como seria o inferno.
Eu apenas nunca imaginei
que eu iria amá-lo
tanto.

Before you touched me,
I was a cage full of
wild things.

My mother used to say,

‘be wary of wolves,
they can smell
the beds of lambs
from miles away.’

so every night
I would sleep naked
and wake up smelling of the moon,
for my mother never knew,
that it is not the wolf
who sleeps with the lamb,
it is the lamb who must first learn
how to run with the wolves.

What I’m trying to say is,
I always wondered
what hell would feel like.
I just never imagined
that I would love it
so goddamn much.

[Pavana]

arte: Painting by Lola Gil

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O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento. Eu acho surpreendente como não estamos interessados em coisas como física, o espaço, o universo e a filosofia da nossa existência, nosso propósito, nosso destino final. Vivemos num mundo cheio de perguntas. Seja curioso.

The greatest enemy of knowledge is not ignorance, it is the illusion of knowledge. It surprises me how disinterested we are today about things like physics, space, the universe and philosophy of our existence, our purpose, our final destination. Its a crazy world out there. Be curious.

Stephen Hawking

Embora eu não consiga me mexer e tenha que falar através de um computador, em minha mente, eu sou livre.

Although I cannot move and I have to speak through a computer, in my mind I am free.

Mais frases de Stephen Hawking (em inglês): https://www.goodreads.com/author/quotes/1401.Stephen_Hawking

Posse

DerSpaziergang by Marc Chagall

A gente tem que começar a entender o conceito de posse. E como a posse é ruim.

“Ter” alguma coisa é sempre uma ilusão. Se a gente tem coisas, objetos, imóveis, carros, a gente, na verdade, tem meios utilitários para determinados fins. Eles ficam obsoletos, quebram, se tornam desnecessários. Fazem parte de um universo temporal, maior ou menor que o nosso, podem durar mais que a nossa vida, podem durar menos. Logo, não são nossos, apenas passam por nós.

Uma pessoa nunca é nossa. Pessoas se aproximam, se afastam, ficam, vão. Estão conosco, mas também estão com o mundo. Não estamos fisicamente dentro do corpo de ninguém, ninguém precisa de outra pessoa pra sobreviver (a não ser claro, num caso de doação de órgãos, mas não é bem o foco aqui). Apreciamos a companhia, abraçamos o momento, aquela pessoa que mora no nosso coração está sempre ali, mas não é nossa. Não temos o direito de trancá-la numa gaiola e, mesmo se o fizéssemos, ela definharia e deixaria de ser aquela criatura linda que amamos.

Não possuímos o planeta, nem a natureza, nem os animais. Estamos aqui para dividir esta atmosfera, para tentar conviver. Existem animais que buscam a companhia humana, outros estão aqui para o equilíbrio da vida e não necessariamente precisam de nós. Eles querem ser deixados em paz.

Tudo é mais bonito quando há harmonia. Se um leopardo das neves é maravilhoso escondidinho no meio das montanhas mais altas, é lá que ele deve ficar. Quando se retira o leopardo de lá, ele perde metade de sua identidade. Quando se arranca um pedaço de uma pedra preciosa para se fazer um pingente de colar que apenas uma pessoa irá usar, a pedra deixa de ser parte de um planeta que é de todos. Na sua mão é ganância, na caverna é de todos.

Por que a gente acha que precisa tomar posse? Por causa de um sentimento que outra pessoa pode tirar algo de mim. É horrível que os humanos ainda não aprenderam que quando ninguém tem, todo mundo ganha. Ninguém mais sabe dividir, apenas repartir em cotas geralmente injustas.

Que sonho o dia em que olhar, muito de longe, um tigre andando lá longe, em toda sua beleza, nos dará o sentido de completude e não de cobiça. Que lindo o amor que deixa o outro livre. Que lindo passear pela vida de mãos dadas com quem nos deixa voar.

[arte: Marc Chagall – La Promenade, 1917/18]