Todos os artigos de Renata Tufano

Tradutora, escritora, viajante, curiosa. Essa sou eu.

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Você não é todo o peso
Acumulado no seu interior.
Você não é o campo de batalha
onde caem os corpos,
e você não é o som dos canhões
abrindo o céu com violência.
Você é o que acontece depois da guerra.

O sobreviver.
O curar.
O reconstruir.

“You are not the heaviness
sitting inside of you.
You are not the battlefield
where the bodies fall,
and you are not the sound of cannons
breaking the sky open.
You are what happens after the war.

The surviving.
The healing.
The rebuilding.

[Y.Z, For the Bad Nights]

eu gosto do meu corpo quando está com seu 

corpo. É tudo tão completamente novo.

Os músculos bem e os nervos melhores.

eu gosto do seu corpo. eu gosto do que ele faz,

gosto dos jeitos. gosto de sentir a espinha

do seu corpo e seus ossos, e o tremor

firme e macio que irei beijar

e beijar, e beijar, e beijar,

e de novo, gosto de beijar isso e mais isso em você,

eu gosto, de sentir o choque ao acariciar

devagar sua pele elétrica, e o que acontece

quando as carnes se separam… E olhos grandes migalhas de amor,

E possivelmente eu gosto do arrepio

de dentro de mim você de novo principia.

 

i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body.  i like what it does,
i like its hows.  i like to feel the spine
of your body and its bones,and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the,shocking fuzz
of your electric furr,and what-is-it comes
over parting flesh….And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new

E. E. Cummings

Arte:

1. Ugolino and Sons (1867) by Jean-Baptiste Carpeaux (detail) MET, New York;

2. The Rape of Proserpina (1622) – Bernini (detail) – Galleria Borghese, Rome

O conceito de almas gêmeas é quase mítico: as pessoas as procuram por toda a vida e não as encontram, e outros parecem encontrar parceiros perfeitos apenas para se darem conta mais tarde que estavam enganados. Na Grécia antiga, acreditava-se que, no começo de tudo, as pessoas nasciam com quatro braços, quatro pernas, dois pares de olhos, bocas e narizes. Esses seres assustaram tanto os deuses que eles decidiram separar os primeiros humanos, dividindo-os em duas partes, deixando-os desorientados, cegamente à procura da outra metade. Esse mito simboliza quão difícil é encontrar sua alma gêmea, mas também dá esperança às pessoas, pois todos têm uma parte de si mesmos em algum lugar do mundo, apenas esperando para ser descoberta.

Soul mates are a near mythical concept- people can search for them for their whole lives and be unsuccessful, and others seemingly find their perfect match only to realize later that they were wrong about that person. In ancient Greece, it was believed that in the beginning people were four armed, four legged, and had two sets of eyes, mouths, and noses. These beings frightened the gods so much that they split these first human beings into two parts, leaving them disorientated and searching hopelessly for their other half. This myth symbolizes how hard it is to find your soul mate, but also gives people hope, because everyone has another part of himself or herself somewhere in the world just waiting to be discovered.

[via Reluv.co]

arte: lunarnewyear

Bio

Nasci num lar de professores de língua portuguesa, no bairro italiano da Mooca, em São Paulo, em 1975, a segunda de três meninas. Moramos em São Paulo até 1980, quando nos mudamos para a cidade de Jundiaí, no interior do estado. Ali, tive aquela infância maravilhosa de subir em árvores, brincar no tanque de areia, conviver com cachorros e galinhas e aprender todo tipo de trabalho manual, dentre eles o tricô e a tapeçaria, passatempos deliciosos que ocupam minhas mãos até hoje, quando moro novamente em São Paulo.

Desde muito cedo tive contato com a língua inglesa, a ponto de só mais tarde descobrir que o português e o inglês eram, na verdade, duas línguas diferentes. Do meu avô João, herdei na minha fala a música da língua italiana e a cidadania européia. Meus ouvidos também se acostumaram com o francês falado pelo meu pai e pela minha mãe. Minha avó Yolanda, que também era professora e alfabetizadora, me ensinou a ler quando eu tinha 6 anos, e eu não parei mais.

Todo escritor é, antes de tudo, um leitor. E eu dei meus primeiros passos, literalmente, para alcançar um livro na estante. Meu primeiro amor foi um livro de poemas de Cecília Meireles, “Ou Isto ou Aquilo”, que me abriu as portas para a beleza da literatura.

Antes de ir para a faculdade, viajei muito: fiz intercâmbio na Dinamarca, estudei na Inglaterra e na Itália, conheci lugares maravilhosos que me abriram a mente e o coração. Estudei muito nesses tempos “fora da escola” e garanto: dá para aprender muito em qualquer lugar. Viajar é sempre um aprendizado enorme. E aprender idiomas é abraçar uma cultura inteira! Consigo me virar bem em italiano, francês e, agora que sou casada com um chinês, até em mandarim!

Eu me formei na PUC (Campinas) em Letras – Português e suas Literaturas no ano de 2000. E, três anos mais tarde, concluí a pós-graduação em História da Arte na FAAP.

Minha primeira tradução foi lançada em 2001 (veja a página das minhas Publicações) e é uma grande paixão. É como escrever um livro junto com um autor incrível, que você admira. E eu não me canso de traduzir: já são mais de quarenta títulos.

Meus livros, Quando o Sol Encontra a Lua, e Brigas, Bilhetes e Beijos, são pedaços do meu coração. Sou muito grata à Editora Moderna por ter acreditado na minha escrita e ter feito com que ela chegasse às mãos de tantos leitores maravilhosos pelo país.

O que mais posso dizer? Todos os animais me fazem sorrir, minha flor preferida é o amor-perfeito, meu perfume é o do ciclame, tenho admiração por araucárias, já fui bailarina, amo todas as cores, cheiros me trazem memórias, gosto de decorar poemas, comer pipoca e fazer amigos. Dou presente sem data marcada e paro para olhar o pôr do sol todos os dias.

Foto: Manoel Guimarães