Arquivo de etiquetas: tempo

18664395_1671079846238917_8401146656399461282_n

“Somos donos do tempo apenas quando o tempo se esquece de nós.”
(Mia Couto)

Anúncios

Viver…

… como se não houvesse amanhã.

Não é isso que a gente sempre ouve? E vê, naquelas histórias de pessoas que descobriram que tem um doença terminal e resolvem fechar todas as contas, fazer tudo que nunca fizeram e dizer tudo que não disseram?

O que sempre me pergunto é: o que as impediu de fazer isso tudo antes de saber que o fim estaria, inevitavelmente, próximo?

Tem tanta coisa que nos distrai: o dinheiro pra ganhar, o trabalho pra fazer, a louça pra lavar, até mesmo a diversão que nos atrai (os filmes, os livros) e que, quer estejamos acompanhados ou não, nos proporciona uma alegria individual. Compartilhar não é postar foto em redes sociais: é dividir, é dar um pouco de si mas pegar um pouco do outro, trocar, dedicar tempo. E aquele momento hilário do filme fica mais engraçado ouvindo a risada ao lado.

E enquanto a gente vai compartilhando esses momentinhos de felicidade, a gente esquece que tudo isso, um dia, acaba. E não, isso não é tão triste quanto parece. Porque aceitando a finitude das coisas aceitamos, também, a plenitude de tudo, a grandeza daquele momento que não volta, a infinidade daquele segundo.

E todas as palavras que a gente não disse porque tinha medo da reação que poderiam causar, e todas as atitudes que a gente não teve por receio das implicações, parecem indispensáveis pensando na certeza do fim. Como a gente deixou passar aquela chance de dizer “você está lindo”? E aquele amigo que nunca ouviu um “morro de saudade de você, por favor, não suma”? E aquela ligação que foi ficando pra lá até não acontecer? Aquele “amo você” que só ficou no olhar? Será que deu pra perceber?

Muita gente pensa nos arrependimentos que pode ter na “hora da morte”. Mas e se a gente parasse pra pensar no que a gente pode fazer hoje, agora, quando estamos vivos e temos praticamente todas as chances ao alcance da mão? Não seria muito melhor? Talvez muito mais fácil? Mais ‘alcançável’?

Sem ser imprudentes, nem irresponsáveis, mas cheios de vontade de não ter arrependimentos, cheios de afetos pra distribuir, a gente pode se enriquecer ao longo da vida, não deixando as chances passarem por nós mas preenchendo lacunas, pra quando olharmos pra trás não vermos um monte de buracos, mas um caminho pavimentado de sorrisos e realizações. E amor, muito amor, que é a maior riqueza da vida.

Se você tivesse que dar um último abraço na sua vida, em quem você daria? Um último telefonema, pra quem seria? Um último beijo, quanto você se doaria? Então, é hoje. O que você está esperando?

Inspiração para parar e ler

 

“Os homens de hoje são forçados a pensar e a executar em um minuto o que seus avós pensavam e executavam em uma hora. A vida moderna é feita de relâmpagos no cérebro e de rufos* de febre no sangue. O livro está morrendo porque já pouca gente pode consagrar um dia todo, ou ainda uma hora toda, à leitura de 100 páginas sobre o mesmo assunto”.

 

Olavo Bilac, em 1904

 *rufus = ondas, no sentido metafórico.

 

Arte: John Frederick Peto (1854-1907), Take Your Choice, 1885, oil on canvas, John Wilmerding Collection

Twitter e o Pôr do Sol

Sim, estou usando o Twitter. Escrevi algumas vezes. Agora escrevo só de vez em quando. Da vida dos outros, dos tais famosos, também me cansei. Quando a gente começa a ver que tem tanta gente fazendo coisas supostamente mais interessantes do que o que estamos fazendo, podemos achar que nossa vida é sem graça e que nossa meta deve ser essa ou aquela vida.

Aí que a gente erra. Primeiro por não darmos valor ao que temos e achar que a felicidade está sempre um passo adiante, uma compra adiante, um relacionamento adiante. Não está. O maior desafio é tentar enxergar a felicidade daquele momento, por mais simples que ela seja, por mais brega que possa parecer, por mais gosto de ‘bolo simples e sem cobertura’ que tenha.

Segundo, porque erramos em nos interessar mais pela vida dos outros do que pela nossa. A vida de todo mundo dá um livro, mais ou menos interessante, mais ou menos apoteótico, mas é uma narrativa de vida e ela não precisa “dar certo”, o que quer que isso signifique num contexto capitalista. Claro que temos que ter metas, temos que ser ambiciosos, mas egoísmo é um negócio horroroso e muitas pessoas acreditam que devem “chegar lá” a qualquer custo, mesmo que puxando tapetes alheios ou sendo desleal. Quando a gente coloca metas reais pra alcançar um sonho que parece irreal, damos o primeiro passo em direção à realização pessoal, que é apenas outro nome da felicidade. Conservar e cuidar dos amigos, respeitar nossos sentimentos e motivos, ser leal, honesto e sincero, encurta e facilita o caminho até a felicidade.

Por isso, eu não acho o twitter o máximo, não dou muita importância (embora isso tenha sido capa de revista um monte de vezes… assim como o orkut) e não quero saber o que estão fazendo ou onde estão alguns fulanos pouco ou muito famosos por aí. Quero saber de mim e de quem eu amo, dos meus amigos e amigas mais que queridas, das pessoas que tem algo a me dizer, e sobre esses, posso até recorrer ao twitter. E principalmente, não quero desperdiçar meu tempo, meus recursos e minha energia. A gente perde tanto tempo adquirindo informações que amanhã não servirão para nada! Já pensou nisso?

Na minha frente, entra pela janela uma luz dourada típica de um pôr do sol de inverno. Vai durar apenas alguns minutos e logo terá desaparecido na noite. “Nothing gold can stay” (“nada que é dourado pode durar), já dizia o poeta. Prefiro assistir ao pôr do sol a ficar correndo atrás de bits e bytes. No silêncio das máquinas desligadas e de mim mesma. “The grass below… Above, the vaulted sky” (“A grama embaixo… Acima, o céu arredondado”).

 

img_6926

O pôr do sol na janela… Não é lindo?

 

E pra quem tá em Sampa, neste final de semana acontece a Feira de Artesanato da Vila Madalena, na Rua Fradique Coutinho, dia 16, a partir das 8h. Vai passear! 😉