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Digamos o que sentimos, não o que deveríamos dizer.

Speak what we feel, not what we ought to say.

[william shakespeare in king lear]

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Não parece Shakespeare… mas é!

Falando em Sonho de uma Noite de Verão, nada melhor do que assitir Shakespeare, não é? Das montagens e filmes mais fiéis, que usam o texto original, roupas de época e locação certa, aos mais moderninhos. A seguir estão dois filmes que nem parecem, mas são puro Shakespeare!

 

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Sim, esse filme nada mais é do que a comédia  Noite de Reis. A roupa moderninha funcionou muito bem: o filme é divertidíssimo, Amanda Bynes dá um show no papel de menina que se passa por menino e as confusões são hilárias. Os nomes dos personagens foram mantidos e alguns apenas mudaram de ‘forma’: Malvolio, por exemplo, um cara que só arranja confusão na peça, virou uma aranha de estimação!

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Aqui está A Megera Domada. Com toques de modernidade, mas está tudo aí. Os protagonistas estão ficando cada vez mais jovens…

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Durante as peças, muitas vezes eram executadas músicas num interlúdio. Cantadas por um dos personagens ou por um coro, a música às vezes substituía uma cena, contava o passado de um personagem ou simplesmente expressava o sentimento de um dos personagens naquele momento. Minhas preferidas são The Willow Song, cantada por Desdêmona em Otelo, e In Youth when I did love, cantada por Ofélia em Hamlet. Essa última, além de outras duas, podem ser ouvidas no site do professor Douglas Tufano.

 

Bom Shakespeare pra vocês!

 

 

Inspiração para Pensar em Política

 crédito da foto

“Quando a virtude mora em lugar humilde, vê-se que ela, frequentemente, deixa o lugar enobrecido. Mas onde falta, mesmo que existam títulos da mais alta nobreza, a honra é vazia. Somente o bem é em si de alta valia. O mal é mal. As coisas valem pelo que são, independentemente dos títulos que tenham”.

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William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo inglês, na peça Tudo Bem Quando Acaba Bem

A Beleza e o Poder do Ordinário

Todos os dias nos levantamos, cumprimos nossas rotinas matutinas, trabalhamos, comemos, trabalhamos, jantamos, dormimos… Enfim, todos os dias temos uma rotina a cumprir. A maioria de nós acha que, pelo menos de vez em quando, tem que sair da rotina e fazer coisas diferentes para não pirar. Vi ontem que pelo menos um grupo de pessoas não pensa assim.

Existe uma filosofia zen budista japonesa que cultua a natureza e sua “execução”. Explico: a natureza repete seus ciclos dia após dia, ano após ano, indefinidamente, haja o que houver. Silenciosamente, as flores desabrocham e caem, os animais se reproduzem, a chuva cai, vem o frio e o calor. Observando a natureza, percebemos que raramente as coisas mudam, os comportamentos são previsíveis. Isso acontece porque a natureza é perfeita.

Não é uma questão de repetir uma seqüência infinita e maçante. É a execução de um propósito de vida, feito com perseverança e pontualidade, independentemente se há alguém olhando ou elogiando. A vida é o que importa, a vida de quem faz. Se é o pássaro fazendo o seu ninho, se é o urso que se prepara para hibernar, cada um, cuidando da própria vida, cuida também da harmonia do todo.

Um monge de 104 anos, que hoje comanda o mosteiro que prega essa filosofia, disse: “se quisermos fazer algo, temos que colocar nossa vida em jogo. Só conseguimos atingir uma meta se a nossa vida depende daquilo”. Ao pensarmos assim, não teremos preguiça nem nos perdoaremos por não nos esforçarmos para atingir um objetivo que sabemos possível, porém difícil. Se pensarmos na frase do monge, concluiremos que a nossa vida sempre está em jogo, seja literalmente ou a longo prazo. Ao escolher ficar com alguém, não é a nossa vida? Ao escolhermos um novo emprego, não é o nosso futuro? Vida não é simplesmente o ato de existir, mas o “executar”.

Todos os dias, mesmo aqui em São Paulo, no meio dos prédios e da fumaça da poluição, observo um bando de maritacas que voa sempre no mesmo horário, às 17h30, de uma árvore para outra. Passam gritando, brincando, param nos parapeitos das varandas e conversam. Todos os dias. No inverno, quando chove e a poluição não está tão severa, o sol se põe dando um show todos os dias. Mesmo com tantos obstáculos, a natureza segue cumprindo suas “tarefas”, silenciosamente.

Em nós, a nossa vida é sempre mais importante do que a do outro. Não entendam isso como egoísmo ou “primeiro eu”. Simplesmente, nossa vida tem que ser preservada se quisermos contribuir para um equilíbrio maior e até mesmo ajudar outras pessoas. Quem pode doar? Quem tem. Quem ajuda o que está fraco? Quem está mais forte. Ao zelarmos por nossa saúde física, mental e emocional, contribuímos para a saúde emocional daqueles que amamos, incentivando-os e estendendo a mão, quando for necessário. Aceitar esse ciclo – num dia estamos fortes, noutro estamos fracos – nos faz ter a certeza de, como disse Shakespeare: “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”.

Saúde emocional nos ajuda a superar tropeços, nos faz rir daquilo que podia nos derrubar, nos faz ver beleza no ordinário. O filme A Dama na Água, do diretor indiano M. Night Shyamalan, fala dessa questão de poder acreditar e ver que, mesmo dentro da piscina no quintal da sua casa, pode morar uma ninfa. Esse filme foi muito criticado mas tem sua beleza, especialmente por tentar nos fazer acreditar que a magia não mora nos livros do Harry Potter mas no nosso cotidiano. Magia pode ser fazer uma declaração de amor, poder rir de novo, andar de novo, ver de novo, descobrir que ainda dá tempo. Se olharmos com atenção, todos nós podemos encontrar uma ninfa no quintal, na cozinha, no quarto… Não é acreditar, é fazer, realizar, construir a beleza de todos os dias.