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Sobre lados, eu não sei

Sobre lados, eu não sei;
Mas a violência é imperdoável.
Quanto mais a gente para e pensa,
Mais longe qualquer solução aceitável.

Só se fala em lado direito,
Esquerdo, e qualquer outra ideologia.
A discussão que realmente importa
Se perde na terminologia.

O nome das coisas não é a questão,
Os porques todo mundo já sabe.
Quem vai ganhar a discussão,
antes que tudo se acabe?

Não se faça de vítima, não aponte o vilão,
Não saia batendo, não mate ladrão.
Tudo sempre igual e tudo sempre errado.
Me pergunto se é mesmo assim que será feito o contrário.

Crianças fora da escola, professores na sarjeta,
Epidemia de corrupção, desgoverno picareta.
Acostumamos a ser capachos, pisados, desrespeitados,
E seguimos resignados, raspando os nossos tachos.

Nada vai mudar, tenho certeza,
Em cabeças tão polarizadas.
A voz que hoje protesta e grita,
Amanhã estará eleita ou calada.

Pois aqui parece haver dois caminhos:
Ou você se suja ou se nega.
Bom senso é uma expressão incerta,
E não há espaço para qualquer conversa.

Não fico do lado do bandido,
Não fico do lado do opressor,
Estou sozinha e por mim, ninguém,
Quisera ter Deus por todos, amém.

Trabalho de janeiro a maio
pra pagar o jatinho do deputado.
E quando vejo o Congresso vazio,
Sinto um misto de nojo e arrepio.

Medo, porque estamos nus e desesperados,
Em porões escuros e fétidos,
Sem saber para onde seremos levados:
Famintos, miseráveis e acéfalos.

Não estou à esquerda nem à direita,
Estou bem no meio da confusão.
Mas quando começarem os tiros,
Serei o primeiro a ir pro chão.

Inspiração para Pensar em Política

 crédito da foto

“Quando a virtude mora em lugar humilde, vê-se que ela, frequentemente, deixa o lugar enobrecido. Mas onde falta, mesmo que existam títulos da mais alta nobreza, a honra é vazia. Somente o bem é em si de alta valia. O mal é mal. As coisas valem pelo que são, independentemente dos títulos que tenham”.

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William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo inglês, na peça Tudo Bem Quando Acaba Bem