Quem faz sua roupa?

Neste final de semana, fui com a queridíssima Ana do blog Hoje Vou Assim Off, visitar o atelier da estilista Fernanda Yamamoto na Vila Madalena. Numa manhã deliciosa, conhecemos toda a equipe que produz a roupa, desde quem pesquisa o tecido, quem cuida da produção, quem corta, quem faz o molde e quem costura.

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Um trabalho assim é um trabalho focado em criar, não em produzir. Criar a gente cria devagar, buscando referências que conversam com a gente e com nossa história e abrem nosso olhar. Produzir é mecânico, pode ser executado por máquinas e é rápido, muito rápido. Moda não é criação? Vestir-se não é expressão? Não devia ser assim sempre? Produzir tanto pra quê? Consumir tanto pra quê? E assim paramos pra pensar no valor real das coisas: o valor não é o custo. Custo é o tanto que aquela cadeia produtiva polui (a indústria de moda é a segunda maior indústria poluidora do planeta, perdendo apenas para a indústria petrolífera), quantas pessoas costuram literalmente o sangue ganhando 1 dólar por dia (ou menos), quantos animais são abatidos, qual é o tamanho da pegada de carbono de um pedaço de pano que vai de lá pra cá até chegar na sua mão.

Não sejamos ingênuos: a moda sobrevive de vendas. E as vendas só acontecem motivadas pelo desejo de consumo. Consumir é uma coisa, gastar loucamente um dinheiro que não se tem é outra. Quem ganha com isso? Existem poucos que ganham muito e milhares que saem perdendo. A maior ilusão é fazer com que o consumidor acredite que ele tem poder de compra, quando na verdade, ele está comprando um item que não aguentará duas lavagens. Sim, aquela blusinha de R$50 feita em Bangladesh pode parecer uma pechincha, mas a pessoa que a costurou não ganhou nem 5 centavos de dólar. E quem paga o valor da etiqueta está sendo roubado, porque ela não vale isso e custou MUITO.

A questão da criação é interessante porque não parte de uma “tendência”. Pode até agregar elementos modernos na modelagem, nas cores etc, mas não segue modinha, não é descartável, tem personalidade, é autêntica. É aquela peça que você olha e pensa na pessoa que a fez, que deixou sua marca. Você usar uma roupa que você viu quem costurou, viu quem desenhou, viu quem cortou, quem tingiu e quem pensou em tudo dentro de um conceito poético, pessoal e artístico é de um maravilhamento único. E a compra não é de baciada. Ninguém está falando que não se deve comprar nada nunca. O que se deve é pensar sobre o que se está comprando e calcular o custo-benefício (valor da peça x quantas vezes será usada) e não alimentar uma indústria destruidora.

Pra saber mais sobre o custo real da roupa que usamos, assista ao documentário The True Cost, que está disponível no Netflix.

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2 comentários a “Quem faz sua roupa?”

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