Customização de tudo

Aqui, sempre falamos de roupas e acessórios, mas a moda hoje é customizar tudo. Há um novo conceito de morar, que inclui a customização da planta dos apartamentos, customização dos carros e acessórios destes e daqueles pequenos aparelhos que carregamos conosco todos os dias, como celular, notebook ou notepad.

Acho legal poder imprimir nossa marca e deixar as coisas com a nossa cara. O problema é quando a gente pensa que não pode haver um evento aleatório na nossa vida. Quantas vezes não fomos buscar um novelo de uma cor e chegamos na loja, não tinha a tal cor e, muitas vezes, nem a tal lã e acabamos voltando com outra  coisa, que virou a nossa blusa preferida? Ou aqueles eventos ainda mais dramáticos que, andando na rua, podemos acabar tropeçando num futuro melhor amigo?

Eventos ocorridos ao acaso tem sua beleza. Filhos são o maior exemplo disso, quando concebidos pelas vias naturais: quem pode prever que célula encontrará aquela que está esperando? Quem pode prever a cor dos olhos, a exata tonalidade da pele, o dente tortinho ou a mania de abrir as mãos? Pois fiquem sabendo que agora a moda é customizar os filhos também. Isso mesmo: em algumas clínicas, dá pra escolher a cor dos olhos e algumas outras características que ficavam apenas na torcida dos pais.

Claro que, por um lado, isso é ótimo, porque dá pra “programar” uma criança quase perfeita, sem problemas genéticos nem síndromes, que causariam sofrimento. Mas não é um pouco estranho poder controlar tudo? Como os chineses estão tentando fazer, programar o tempo e a chuva para disfarçar e maquiar a poluição que eles mesmos jogaram na atmosfera? Deixo a China pra lá, por enquanto, porque tenho muitas críticas para fazer.

Mas acho o aleatório, o supreendente, parte da vida e gostaria que algumas coisas apenas existissem do jeito que são, “descontroladas” no melhor sentido do termo. Não sabemos quando vai chover (pelo menos não exatamente), não sabemos quando será o próximo beijo nem o próximo abraço (podemos tomar a iniciativa), não sabemos quando será inevitável.  A foto acima é uma arte zen chamada Wabi Sabi, que significa “beleza na imperfeição”. O Wabi Sabi encontra a beleza na natureza e na aceitação do ciclo natural da vida. Temos que parar de associar o que é belo ao que é perfeito. Tudo que produz alegria e paz é lindo. Como o ocasional “Abraço das Folhas” acima.

Por isso me deixo surpreender todos os dias e é necessário que nos empenhemos em surpreender a quem amamos, pois podem até já conseguir programar a cor dos olhos, mas ainda não sabemos o que será amanhã.

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