Mais uma dama antiga

 

 

 É fácil entender porque Maria Antonieta, de Sofia Coppola, foi execrado na França. Maria Antonieta é uma personagem histórica controversa. Acusada de dar as costas à miséria do povo francês, a ela é atribuida a célebre frase: “Se não tem pães, que comam brioches”. Na França, a figura da rainha não entrou para a história exatamente como uma pessoa simpática. A Maria Antonieta de Sofia Coppola é, portanto, bem diferente da que ficou imortalizada no imaginário francês.

No filme, a personagem é mostrada como uma adolescente fútil, meio desavisada, no entanto, extremamente adorável. Austríaca, ela é levada para a França, a fim de casar com o futuro Rei, Luís XVI. Com dificuldade para se adaptar à vida na corte francesa, Maria Antonieta encontra no consumismo desenfreado a saída para o tédio, no qual vive mergulhada.

O maior mérito de Sofia Coppola está no fato de ela ter conseguido transformar uma personagem histórica em uma figura extremamente contemporânea. Para isso, a diretora contou com dois trunfos importantes: a trilha sonora e, principalmente, o figurino.

Vencedora de Oscars pelos filmes Carruagens de Fogo e Barry Lydon, a figurinista Milena Canonero adicionou mais uma estatueta à sua coleção por este trabalho impecável. A personagem-título, interpretada por Kirsten Dunst, apesar de aparecer vestida em espartilhos apertadíssimos, saias volumosas e muitos babados, parece extremamente atual.

Canonero conseguiu a façanha de criar uma espécie de ícone fashion de época. Tanto que na ocasião do lançamento do filme nos Estados Unidos, a revista Vogue, a Bíblia da moda, trouxe Dunst estampada na capa, caracterizada como a Rainha da França. Sem dúvida, depois de O Diabo Veste Prada, Maria Antonieta foi o filme que mais mexeu com os fashionistas em 2006. Não que as mulheres fossem sair vestidas como se vivessem na Europa de 1780, mas conseguiriam pinçar referências do riquíssimo universo do filme, cuja direção de arte primorosa acabou servindo como fonte de inspiração para arquitetos e decoradores.

O figurino – que conta com peças de estilistas renomados, como Karl Lagerfeld e John Galliano – acabou caindo nas graças de criadores brasileiros. É o caso da coleção de inverno/2007 da estilista Gloria Coelho, que utilizou até a trilha sonora do filme no seu desfile. No repertório de roupas, muitas referências históricas. A silhueta é acinturada, em looks cheios de babados e transparências. O moderno shortinho ganha tempero com o caimento balonê, como uma calçola. Os tecidos são cotelê, chamois, cetim e muita seda.

Outra grife que também resolveu apostar na influência de época, foi a marca de jóias H. Stern, que se apropriou de referências estéticas do romântico e do barroco europeu para criar os looks que compõem as coleções Laços, Stars, Primavera, Heritage e Victorian, entre outras.

Adaptado de MARIANA FONTES – Folha de Pernambuco

 

Acrescento que, neste ano, o desfile de Samuel Cirnansck também me lembrou muito de Marie Antoniette, com suas princesas no meio das flores.

 

Dá uma olhada na galeria das fotos de Kirsten Dusnt como Maria Antonieta e as três últimas fotos são do desfile de Samuel Cirnansck:

 

 

 

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1 comentário a “Mais uma dama antiga”

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