MODA, CINEMA E ARTE: Palestra com MARIE RUCKI e FABRICE PAINEAU

O site Chique fez um concurso de micro contos, cujo prêmio era um convite para assistir uma palestra do ciclo Moda, Cinema e Arte, com Marie Rucki e Fabrice Paineau. Eu mandei e… ganhei! A ideia do conto era juntar um estilista, um artista contemporâneo e um filme em até 80 palavras. O meu ficou assim:

 Dior não via uma mulher como uma mulher, mas como uma forma geométrica. Por isso, conseguiu reduzir a cintura e fazer uma saia abajur encaixarem-se naquela forma, que era um corpo de mulher. Círculos, maiores e menores, alargamentos. Botero também não enxerga corpos como corpos, mas como formas. Redondas, circulares, sem ângulos agudos. A dramaticidade de Dior e seu new-look e a comicidade de Botero e sua beleza invertida. “Apertadas” de Dior e “gordinhas” de Botero… “Mulheres à beira de um ataque de nervos”!

 

Ganhei convite pra palestra de ontem, 15 de abril, que falava de “Fontes de pesquisa: inspiração, influências e consequências”. Tive muita sorte porque se tivesse que escolher uma, seria essa! O evento antecipa as comemorações do Ano da França no Brasil (que também será tema da SPFW).

 

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O convite e a cartinha

Mas vamos ao que interessa: A palestra foi SENSACIONAL.  Foi uma conversa entre os dois, um monte de imagens inspiradoras, referências mil. Anotei mais de seis páginas e vou levar um tempo pra processar todas as informações. O que quero escrever foi algo que ficou marcado: a moda como um exercício barroco, o travestimento como um excesso que nos permite passar para outro mundo, um mundo de sonho e prazer. Considerando que a moda é uma miragem e que tudo é irreal, que tal brincar com nossa suposta realidade? Fazer da vida uma festa? Assumir um personagem para desvendar outras realidades, buscar imagens que modifiquem o cotidiano, “disfarçar-se”.

Outra coisa que marcou foi que a maioria das pessoas acredita que a internet é o fim do problema da pesquisa e da coleta de imagens e acaba achando que só ficar na frente do computador basta. Não basta. A experiência real é muito mais impactante e provoca reações mais dramáticas, na roupa, na cabeça e nas ideias. Por isso, Marie fez um apelo para que saiamos da frente do computador, para que a gente vá atrás de filmes, eventos, pessoas que possam nos inspirar. Olhos atentos (mas não estressados) para o que está acontecendo. Ela disse: “todo mundo olha o que está acontecendo mas só o estilista/artista VÊ”.

Você é o filtro e sua experiência de vida se enriquece pelo que você filtra. A moda dá ao nosso olhar outra dimensão, poetiza o corpo, mostra, dissimula, esconde, intervém e transforma nossa própria natureza, como se um corpo precissase de roupa para “existir”, pelo menos socialmente.

Tem muito, mas muito mais, mas vou escrevendo aos pouquinhos. Só tenho que agradecer o CHIC por esse presente maravilhoso, que ainda não acabei de receber, porque ainda vou pensar muito sobre o que vi e ouvi. Tem fotinhos no FLICKR.

No site da Lilian Pace têm outra matéria bem legal sobre a palestra de terça, que falava do cinema como parte integrante do sistema da moda. Vai lá: http://www.lilianpacce.com.br/home/2-filmes-com-marie-rucki/. Lilian também comentou duas frases durante a primeira palestra de Marie Rucki e Fabrice Paineau que aconteceu na segunda: “A originalidade é um falso valor” e “A indústria da internet reduz o valor do desejo de moda“. Você concorda?

 

QUEM É QUEM

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Marie Rucki

Marie Rucki

Diretora de uma das mais renomadas escolas de moda do mundo desde os anos 70 – o Studio Berçot – em Paris, por onde  já passaram nomes como Martine Sitbon e Azzedine Alaia.  Aqui no Brasil, contribuiu com a formação de diversos estilistas como Gloria Coelho, Lorenzo Merlino, Reinaldo Lourenço, André Lima e  Natalie Klein. Durante todos esses anos influenciou e acompanhou as principais mudancas na dinâmica e nos mercados da moda. O Studio Bercot é considerada a mais conceituada escola de criação de moda do planeta, sendo  referência mundial para quem quer entender e aprender o que é a criação de moda e seus desdobramentos. Visite: http://www.studio-bercot.com

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Fabrice Paineau
Fabrice Paineau

Entrou na moda por acaso, após ter feito uma tese sobre arqueologia contemporânea. Depois de uma passagem pelo Museu da Moda ( Louvre ) e estudos no Instituto Francês da moda, trabalhou alguns anos na maison Martine Sitbon, como assistente de direção de imagem da marca. Realizou entrevistas e matérias para as revistas L´Uomo Vogue, Rebel, A Magazine, Liberation e Menstyle.fr. É professor do Studio Berçot.

 

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2 thoughts on “MODA, CINEMA E ARTE: Palestra com MARIE RUCKI e FABRICE PAINEAU”

  1. Minha querida, que alegria saber q vc ganhou! E seu texto ficou do cacete, a analogia ficou fantastica. Eu to tão cansada de tanto trabalho que li seu post mas não processei os dados sobre a palestra. Vou guardar pra ler descansada. Só queria te dar os parabéns mesmo!

    beijoca

  2. http://shanabanana922.wordpress.com/
    Quase tive um susto quando acessei aí em cima. Pensei que fosse o seu blog em versão Shakespeariana ( se estiver errado espero que ele não se enfureça. Hahaha ). Estava lendo sobre o filme que achei através dos seus links. Renata, CONGRATULATIONS do fundo do coração. Mas o que mais me impressiona é a capacidade que você tem de transmitir no seu relato, a sua emoção e sua felicidade de ter participado. Me deleitei. Confesso porém, que me senti meio frustrada por não me sentir capaz de responder as suas perguntas. Ainda no Brasil, eu trabalhei com estilista de moda para uma marca de prêt-à-porter carioca http://www.claudiasimoes.com.br/ que na época vendia muito para a Chocolate, para a C&A e outros mais, além de possuir uma cadeia de boutiques, no Rio, a OWL, que acredito não mais existir. Frequentei muita feira de moda ( na época eram em São Conrado, no Rio ), muito desfile, artesões para executarem os acessórios que eu desenhava, fornecedores de matéria prima ( botões, tecidos … ) e acho que todo mundo era mais feliz. A indústria da moda sempre dependeu da industria textil que depende da industria quimica, que ela cria novas fibras, novas palhetas de cores. Se no mercado te propõem azul turqueza como colorante, as tecelagens serão baseadas nessa cor e os tecidos “impostos” aos criadores de moda, irão inundar os editoriais de moda, antes de passarem pelas vitrines até chegarem aos nossos armários. É um ciclo eterno guiado pela economia mundial. Eu adoro cores, textura, formas e as sensações visuais e tácteis que tudo isso nos proporciona. Sedas, couros, linhos, bordados, crochets, lantejoulas … a matéria e a forma se transformando em função: vestir ou se travestir. O importante é se sentir bem e saber se assumir. E se a originalidade é um falso valor? Deploro o tempo às vezes perdido por certos analistas de estilo … tem gente que parece, tem gente que tenta parecer e tem gente que é. Cada qual se veste como quer ou como pode. Muitas vezes, não como gostaria. É por essas e por outras, que a melhor inspiração é passear em feiras. Não feira de moda, mas feira de frutas, legumes, flores, feira de gado, feira de automóveis … lá onde ninguém pensaria em se vestir para ser “descascado” e analisado da juba aos pés. Madeleine Vionnet deve se saracotear toda, lá no paraíso, cada vez que muita gente boa, aqui em baixo abre a boca para dar opinião sobre moda. Ainda bem que Galliano, Gaultier, Kenzo, Alaïa, Chalayan e outros mais, nos fazem sonhar. E que Lagerfeld nos ensina o tanto que sabe. Mas eu só queria um vestidinho JC de Castelbajac. Para ir passear JUBAOVENTO e feliz. ADOREI o teu relato, pela energia e felicidade transbordantes. Mas o dia em que a “operária chinesa”, que trabalha 15 horas por dia, ganhando um salário miseravel para costurar os modelitos nossos de cada dia, sem poder ela mesmo comprar uma roupinha na moda, for dar um palestra sob o seu ponto de vista das tendências … eu vou ser a primeira da fila para aplaudir e ainda vou te arrastar comigo. Viva a originalidade, sem escala de valor. Caramba, “falei” demais, como sempre. Pior que “falo, falo” … e acabo achando que não digo grandes coisas. O mais importante é ser feliz. E se roupa ajudar, melhor ainda. Bisous, Daniela ;oD

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