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O dia que eu contei histórias cheias de cor e sorrisos

Já faz tempo… Mas hoje me lembrei do dia que contei histórias na biblioteca.

Foram dois dias, na verdade, dois encontros com crianças entre 7 e 10 anos que vieram descobrir a história da Érica, uma menina que conseguia entrar em quadros e falar com a Monalisa. Esta história se divide em três livros lidamente ilustrados por James Mayhew e que eu tive o privilégio de traduzir (os livros, que receberam o selo Altamente Recomendável, foram publicados pela Editora Moderna e podem ser encontrados nas maiores livrarias).

erica e os impressionistas

erica e os girassois

erica e a monalisa

A criançada ouviu a história da Érica com a Monalisa e da Érica com os girassóis e depois passamos um tempinho desenhando e pintando. Os trabalhos foram depois expostos na Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, em Jundiaí (SP).

Veja todas as fotos do primeiro encontro aqui e do segundo encontro aqui.

Que bom olhar pra trás e ver tanta alegria. 🙂

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Michael Jackson – 1958-2009

Normal nunca foi uma palavra adequada para Michael Jackson. Desde pequenino, assombrava a todos com sua voz suingada e sua alegria ao cantar. Maduro, desinibido, envolvente, contagiante. Alguns duvidavam que aquele menino fenomenal tinha apenas 10 anos: “só pode ser um anãozinho de 45 anos”, diziam.

Quando dançava, então, era sobrenatural. Um dos deuses da dança que andou entre nós. Tornava-se o baixo, forte e denso, o violino chorando, um sopro, a bateria batia no ritmo do seu coração. Inventou o break-dance, criou sequências coreográficas icônicas, nos deu o moonwalk, seus giros eram impossíveis. Até hoje não tem par. Nunca terá. A energia de seu corpo em movimento era capaz de arrepiar 200 mil pessoas de só uma vez.

Mudou pra sempre a história da música: seu som juntava o soul, o black, o dance, o pop e até o rock. O primeiro artista a derrubar barreiras raciais e de gênero. Mudou a história dos videoclipes (que ele chamava de “short films” porque “a palavra vídeo não faz sentido”) e transformou o show numa performance. Ele não seguia tendência e influenciava além da música: emprestou à moda suas ombreiras, brilhos e militarismo, definiu cultura pop, reinventou a fotografia e o cinema para sua expressão artística. Músico, coreógrafo, bailarino, compositor, cantor, diretor, fotógrafo, poeta… E ele só queria ser conhecido como “entertainer”. Autêntico, inconfundível.

 Michael foi uma criança adulta e um adulto que não queria crescer, um Peter Pan que construiu sua própria Neverland, que morria de vergonha de tudo e de todos quando não estava se apresentando e que falava baixinho e com tamanha delicadeza que nem parecia ser o dono da mesma voz vibrante que explodia nos maiores palcos do mundo.

O artista que, sozinho, mais contribuiu com causas humanitárias. Morreu sem ver realizado seu maior sonho, o “Michael Jackson Children’s Hospital”, que ia ter palhaços, cinema e salão de jogos, “porque criança feliz se recupera mais rápido”.

Generoso, abraçava com o corpo todo, olhava nos olhos, gesticulava com as mãos abertas enquanto falava. Dividiu com a gente o que tinha de melhor. Quando penso em Michael, penso naqueles gritinhos, naquela mão que deslizava pelo corpo e provocava, naquele quadril soltíssimo, naqueles pés mágicos, naquele que era um dos sorrisos mais lindos do mundo. E sempre respondia aos fãs que gritavam “I love you” sem parar a níveis ensurdecedores: “I love you more”.

Deixa pra lá esses problemas que eram só dele e que a gente nem tinha o direito de bisbilhotar. Nunca ninguém sofreu tanto nas mãos da mídia marrom e teve que aguentar tantas mentiras e falsas acusações de quem só queria dinheiro, sempre o maldito dinheiro. Teve que explicar o inexplicável. E ganhou todas: “sou resistente, tenho pele de rinoceronte”. Invincible, unbreakable. Até o dia que ele quis dormir. A despedida ensaiada, o grande show, o maior de todos, a última volta ao mundo, não aconteceu. Ele deixou o palco enquanto a luz ainda estava acesa à espera dele. E todo mundo viu que ninguém mais poderia ocupar aquele lugar.

Ainda bem que temos o que ele nos deixou. Porque esse mundo vai ficar mais triste. E mais silencioso. E aquele arrepio que dava quando ele punha o casaco de paetê, a luva prateada e o chapéu e ouvíamos as primeiras batidas de Billie Jean vai virar um nó na garganta. Pelo menos por enquanto. Até a saudade deixar de ser uma lágrima e virar um brilho no olhar.

Goodnight, sweet prince.  Você sempre será o Rei do Pop.

 Vídeos de Michael Jackson no canal exclusivo do You Tube: http://www.youtube.com/michaeljackson

História em Flashes e YSL

Eu adoro fotografia. Já fotografei muito com máquinas que usavam filmes e exigiam que você estudasse matemática para calcular o tempo do flash. Por isso, quando surge uma exposição, sempre vou dar uma olhada. Imprensa, então, é paixão! Olha essa reportagem que saiu na Veja São Paulo…

 

O ex-ministro José Dirceu quando era líder estudantil, Ronaldo Fenômeno magro e astro do futebol espanhol, Rita Lee com cara de menina. A mostra Fotografia em Revista, na Faap, apresenta 600 imagens e personagens que ilustraram as publicações da Editora Abril nas últimas quatro décadas

Por Alessandro Duarte

 

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A foto acima, de Jorge Butsuem, publicada na revista REALIDADE de agosto de 1968, mostra a ocupação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo por estudantes. Nela, veem-se vários símbolos do passado: a máquina de escrever, a colaboração pedida em cruzeiro novo (moeda que circulou no país entre fevereiro de 1967 e maio de 1970) e o acento circunflexo em burguêsa, que viria a cair na reforma ortográfica de 1971. Aliás, a própria palavra virou relíquia. José Dirceu, então presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), tinha basta cabeleira e a mesma tendência a querer controlar tudo, inclusive a imprensa.

 

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Na última cena da peça M. Butterfly, de David Henry Hwang, o ator Raul Cortez (1932-2006) espalhava no rosto uma máscara branca e fazia olhar de teatro kabuki. Esse momento foi retratado por Nana Moraes num perfil para a ELLE, em 1990. Mas, segundo conta, a expressão sisuda não é por causa do drama vivido por seu personagem, um diplomata francês que se apaixona por uma cantora da Ópera de Pequim sem saber que se trata de um homem. “Raul estava com muita dor nas costas”, lembra Nana. “Meu pai sempre disse que as melhores fotos são aquelas que doem mais.”

 

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Quando a PLACAR publicou a reportagem “Ronaldinho na cabeça”, em dezembro de 1996, o craque brilhava na equipe do Barcelona, da Espanha. A foto de Pisco Del Gaiso mostrava o corte rente copiado por uma multidão de torcedores, brasileiros e espanhóis. O Fenômeno ainda não havia se submetido às cirurgias no joelho que fizeram um sem-número de técnicos, comentaristas esportivos e curiosos em geral anunciar o fim de sua carreira.

 

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Pouco antes de estrear a terceira parte de Os Sertões, de Euclides da Cunha, em 2005, o diretor José Celso Martinez Corrêa posou para a BRAVO! como criador e criatura. “Ele havia deixado crescer a barba e o cabelo para as primeiras partes do espetáculo”, relembra o fotógrafo Nino Andrés. “Mas cansou de ser chamado de Papai Noel nas ruas e optou pela peruca e barba postiça.”

 

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Em meados da década de 80, Osmar Santos tinha um dos rostos – e uma das vozes – mais conhecidos do país. Além de narrar jogos de futebol e apresentar programas esportivos, o autor de bordões como “ripa na chulipa” e “pimba na gorduchinha” foi o locutor da campanha das diretas já, em favor do voto popular para presidente da República. Sérgio Berezovsky, então editor de fotografia da PLACAR, diz que tentou fugir da imagem convencional para essa reportagem de 1985: “Propus uma brincadeira e ele topou na hora”. Nove anos depois, o apresentador sofreria um devastador acidente de automóvel, que paralisou o lado direito do seu corpo e limitou sua fala.

 

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Republicada pela BIZZ em 2007, esta foto de J. Ferreira da Silva é um registro da fase áurea dos Mutantes, no fim dos anos 60. Formada por uma encantadoramente sardenta Rita Lee e pelos irmãos Arnaldo (à esq.) e Sérgio Dias Baptista, a banda era o retrato da época – será por isso que parecia ter vindo de outro planeta? O trio manteve-se unido até 1972, quando Rita (então casada com Arnaldo) foi expulsa do grupo.

 

CLIQUE AQUI PARA VER MAIS IMAGENS

 

APROVEITE O FINAL DE SEMANA E VAI LÁ: Fotografia em Revista. Museu de Arte Brasileira. Rua Alagoas, 903, Higienópolis, 3662-7198. Terça a sexta, 10h às 20h; sábado, domingo e feriados, 13h às 17h. Grátis. Até 12 de julho. www.faap.com.br.

 

E pra quem tá no Rio, não perca YSL no Museu! Para manter viva a memória do estilista, o CCBB, no Rio de Janeiro, inaugura a exposição “Yves Saint Laurent – Viagens Extraordinárias”. A mostra integra as comemorações do Ano da França no Brasil e tem curadoria da Fundação Pierre Bergé – Yves Saint Laurent (com sede em Paris, no mesmo local onde funcionou por 40 anos a maison YSL).

A mostra reunirá cinquenta figurinos completos de coleções inspiradas na África, Ásia, Espanha, Marrocos, Rússia e Índia, em manequins projetados pelo próprio estilista, croquis originais e dois vídeos, ambos de 2002 – uma entrevista realizada e dirigida por David Teboul, e o registro de seu último e monumental desfile, realizado no Centro Pompidou. Todas as peças pertencem ao acervo da Fundação Pierre Bergé – Yves Saint Laurent. Leia a matéria completa sobre o estilista.

 

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Para ver mais fotos, clique aqui!

 

Exposição Yves Saint Laurent – Voyages Extraordinaires – De 26 de maio a 19 de julho de 2009
2º andar e térreo do CCBB – Mais informações: No site do CCBB

CCBB – Rua Primeiro de Março, 66, Centro do Rio de Janeiro.

Telefone: (21) 3808.2020.

MODA, CINEMA E ARTE: Palestra com MARIE RUCKI e FABRICE PAINEAU

O site Chique fez um concurso de micro contos, cujo prêmio era um convite para assistir uma palestra do ciclo Moda, Cinema e Arte, com Marie Rucki e Fabrice Paineau. Eu mandei e… ganhei! A ideia do conto era juntar um estilista, um artista contemporâneo e um filme em até 80 palavras. O meu ficou assim:

 Dior não via uma mulher como uma mulher, mas como uma forma geométrica. Por isso, conseguiu reduzir a cintura e fazer uma saia abajur encaixarem-se naquela forma, que era um corpo de mulher. Círculos, maiores e menores, alargamentos. Botero também não enxerga corpos como corpos, mas como formas. Redondas, circulares, sem ângulos agudos. A dramaticidade de Dior e seu new-look e a comicidade de Botero e sua beleza invertida. “Apertadas” de Dior e “gordinhas” de Botero… “Mulheres à beira de um ataque de nervos”!

 

Ganhei convite pra palestra de ontem, 15 de abril, que falava de “Fontes de pesquisa: inspiração, influências e consequências”. Tive muita sorte porque se tivesse que escolher uma, seria essa! O evento antecipa as comemorações do Ano da França no Brasil (que também será tema da SPFW).

 

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O convite e a cartinha

Mas vamos ao que interessa: A palestra foi SENSACIONAL.  Foi uma conversa entre os dois, um monte de imagens inspiradoras, referências mil. Anotei mais de seis páginas e vou levar um tempo pra processar todas as informações. O que quero escrever foi algo que ficou marcado: a moda como um exercício barroco, o travestimento como um excesso que nos permite passar para outro mundo, um mundo de sonho e prazer. Considerando que a moda é uma miragem e que tudo é irreal, que tal brincar com nossa suposta realidade? Fazer da vida uma festa? Assumir um personagem para desvendar outras realidades, buscar imagens que modifiquem o cotidiano, “disfarçar-se”.

Outra coisa que marcou foi que a maioria das pessoas acredita que a internet é o fim do problema da pesquisa e da coleta de imagens e acaba achando que só ficar na frente do computador basta. Não basta. A experiência real é muito mais impactante e provoca reações mais dramáticas, na roupa, na cabeça e nas ideias. Por isso, Marie fez um apelo para que saiamos da frente do computador, para que a gente vá atrás de filmes, eventos, pessoas que possam nos inspirar. Olhos atentos (mas não estressados) para o que está acontecendo. Ela disse: “todo mundo olha o que está acontecendo mas só o estilista/artista VÊ”.

Você é o filtro e sua experiência de vida se enriquece pelo que você filtra. A moda dá ao nosso olhar outra dimensão, poetiza o corpo, mostra, dissimula, esconde, intervém e transforma nossa própria natureza, como se um corpo precissase de roupa para “existir”, pelo menos socialmente.

Tem muito, mas muito mais, mas vou escrevendo aos pouquinhos. Só tenho que agradecer o CHIC por esse presente maravilhoso, que ainda não acabei de receber, porque ainda vou pensar muito sobre o que vi e ouvi. Tem fotinhos no FLICKR.

No site da Lilian Pace têm outra matéria bem legal sobre a palestra de terça, que falava do cinema como parte integrante do sistema da moda. Vai lá: http://www.lilianpacce.com.br/home/2-filmes-com-marie-rucki/. Lilian também comentou duas frases durante a primeira palestra de Marie Rucki e Fabrice Paineau que aconteceu na segunda: “A originalidade é um falso valor” e “A indústria da internet reduz o valor do desejo de moda“. Você concorda?

 

QUEM É QUEM

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Marie Rucki

Marie Rucki

Diretora de uma das mais renomadas escolas de moda do mundo desde os anos 70 – o Studio Berçot – em Paris, por onde  já passaram nomes como Martine Sitbon e Azzedine Alaia.  Aqui no Brasil, contribuiu com a formação de diversos estilistas como Gloria Coelho, Lorenzo Merlino, Reinaldo Lourenço, André Lima e  Natalie Klein. Durante todos esses anos influenciou e acompanhou as principais mudancas na dinâmica e nos mercados da moda. O Studio Bercot é considerada a mais conceituada escola de criação de moda do planeta, sendo  referência mundial para quem quer entender e aprender o que é a criação de moda e seus desdobramentos. Visite: http://www.studio-bercot.com

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Fabrice Paineau
Fabrice Paineau

Entrou na moda por acaso, após ter feito uma tese sobre arqueologia contemporânea. Depois de uma passagem pelo Museu da Moda ( Louvre ) e estudos no Instituto Francês da moda, trabalhou alguns anos na maison Martine Sitbon, como assistente de direção de imagem da marca. Realizou entrevistas e matérias para as revistas L´Uomo Vogue, Rebel, A Magazine, Liberation e Menstyle.fr. É professor do Studio Berçot.

 

As Cores e Flores da Farm

Rua Harmonia 57, em plena Vila Madalena. No endereço, um enorme painel anuncia: Harmonia gera Harmonia, Amor gera Amor, Gentileza gera Gentileza. Por trás da mensagem, surge a novidade: o terceiro espaço da grife Farm em São Paulo, inaugurado há duas semanas.

A gerente Renata vem me receber com seus faiscantes olhos verdes e seu delicioso sotaque carioca. As meninas que atendem os clientes (todas lindas!) vem nos receber na porta com um sorriso. A sensação é de chegar na casa de amigas, que mais parece um oásis num dia de muito calor: o espaço é refrescante, o verde repousa os olhos, é tudo aberto e ventilado…

A loja – que por causa da localização ganhou o nome de Farm Harmonia – ocupa uma casa de 1060 m2, que segue o conceito de “arquitetura verde”. Lá tudo respira natureza e transpira a alma carioca: da enorme escada feita com tronco de reflorestamento aos provadores em meio a uma mini floresta.

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Os provadores ficam aí dentro, em cubículos que parecem boxes com duchas. Aliás, reparem nas duchas…

A casa, um projeto de escritório franco-brasileiro Triptyque – premiado  no concurso NAJA 2008 – tem um processo de captação da água da chuva  que é tratada e reaproveitada no próprio espaço, através de um sistema de tubulação aparente que irriga a vegetação que adorna o prédio.

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Sua arquitetura é bem peculiar e criativa: são dois enormes blocos envidraçados, unidos por uma passarela metálica sob um área interna que se abre como uma clareira. As cores que predominam no projeto da Farm Harmonia são o amarelo e o verde. Bem brasileiro!

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A praia nos recebe na entrada, com areia e muito espaço. Uma árvore com 500 borboletas dá as boas-vindas aos visitantes. Ao fundo, ainda no primeiro piso, a Farm Harmonia entra no clima da Vila Madalena e vai oferecer um programa inusitado aos domingos: um refrescante banho de mangueira  – com água captada pelos tubos da casa – regado a samba de raiz, cerveja e água de coco, num clima bem carioca.

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Além de roupas da coleção atual, peças únicas (piloto) de coleções passadas também estarão à venda, além de um bazar, no terceiro andar. Outra inovação do espaço é promover, através de exposições e palestras, uma integração maior entre moda e arte.

As roupas são fresquinhas, larguinhas e cheias de detalhes cuidadosos, como bordados e aplicações.

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As havaianas customizadas são de-li-ci-o-sas! Pra comprar e usar muito! Aliás, os preços, tanto da coleção nova, “Rosa dos Ventos”, quanto do bazar, estão muito bons.

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Fico contente de ter aqui na Vila um projeto que reúne moda, bem viver e ecologia. Fico ansiosa pelos cursos e projetos culturais que possam estar chegando por aí. E ter um pedacinho do Rio aqui perto é um privilégio.

Dá uma passadinha: Farm Hamonia – Rua Harmonia, 57, na Vila Madalena. Também dê uma olhada no site, que tem um blog delicioso.

Curso de Adesivos – Nike Pinheiros e SHN

Nos dias 12 e 13 passados, fiz um curso de como fazer seu próprio adesivo na loja da Nike Pinheiros, na Praça dos Omaguás. O curso foi dado pelo coletivo SHN, referência na arte urbana brasileira, presente em várias ruas de São Paulo e de outros centros urbanos.

Eu fui mais como curiosa, para perceber um pouco daquela cultura e aprender um pouco da técnica de silk-screen. O trabalho é super artesanal, braçal e exige tempo e espaço.

Logo no começo, percebi que estava entre pessoas que sabiam o que estavam fazendo. Logo que o pessoal explicou como seria e pediu pra gente desenhar, vi que estava cercada de gente talentosa. Mais que isso, aquele pessoal fazia aquilo com uma leveza que parecia brincadeira. Do meu lado, o André desenhou um macaco com cara de mau em poucos segundos. Na minha frente, a Camila Minhau desenhava um de seus famosos gatos. Aliás, já falei da Minhau aqui e tive o prazer de conhecê-la pessoalmente. Uma linda! Talentosa de tudo! Estava acompanhada do marido, Chivitz, grafiteiro dos bons também. Depois, passem lá no Flickr dela pra conhecerem melhor seu trabalho e seus gatinhos. Teve também quem levou seus desenhos já prontos ou esboçados, como o Tiago, que estava no meu grupo e fez uma coroa.

Só sei que quando vi todo aquele povo desenhando muuuito e fazendo coisas lindas, me senti como uma criança no pré-primário. E minha única reação diante daquilo tudo resultou no meu adesivo:

 

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Mesmo diante de tanta arte competente, não me senti um peixe fora d’água. A turma era bem legal, todo mundo se ajudava, espírito colaborativo total. Aprendi muito e, principalmente, conheci pessoas que estão tentando fazer a cidade ficar mais bonita. Como a Minhau disse “estamos lutando contra o cinza”. Às vezes, uma parede colorida faz toda a diferença numa comunidade carente. Saúde e educação, moradia decente e alimentação saudáveis são o básico para todos. Mas o ser humano não vive só do básico. Isso seria sobrevivência, não vivência. É necessário ter prazer, conseguir sorrir, olhar o mundo de uma forma contemplativa. E isso é impossível se seu estômago ronca e você não tem onde dormir. Mas talvez possa ser a inspiração para lutar por um mundo mais colorido, onde a beleza sirva de inspiração para se realizar como ser humano.

No final, todos trocaram adesivos e endereços eletrônicos e, tenho certeza, saíram enriquecidos com a experiência. O meu ficou assim:

 

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Para saber mais sobre a programação cultural da Nike, clique aqui. Para mais fotos, vá pro Flickr.