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8ª Jornadinha Nacional de Literatura

No começo deste mês de outubro de 2017, tive a honra de participar da 8ª Jornadinha de Literatura em Passo Fundo. Um evento onde pude encontrar leitores, professores, amantes do livro e da leitura e colegas de profissão. Um evento grandioso, fruto de um ano e meio de trabalho de profissionais apaixonados.

O espaço reservado às atividades da 8ª Jornadinha leva o nome de “Espaço Lendas Brasileiras, Clarice Lispector”, composto por quatro tendas com nomes alusivos às personagens de lendas brasileiras transcritas por Clarice Lispector (uma das autoras homenageadas, ao lado de Carlos Drummond de Andrade e Ariano Suassuna) na obra Como nasceram as estrelas (1987): Tenda Yara, Tenda Malazarte, Tenda Negrinho do Pastoreio e Tenda Curupira, lado a lado no Caminho do Saci.

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Nas tendas onde nos revezávamos para conversar com alunos e professores, com lotação de 1250 pessoas, era um misto de emoção, curiosidade e aprendizado. Eles nos faziam perguntas e nós nos conhecíamos melhor a cada resposta. Temas importantes como bullying e a valorização da mulher eram abordados lado a lado com o folclore brasileiro e a importância da leitura.

Conversamos com 4 mil crianças e professores por dia. Olhinhos atentos, sorrisos nos lábios, lágrimas, risadas. A nossa vida muda e a delas também. Todos partem enriquecidos e plenos de gratidão à leitura, que nos proporcionou tudo isso.

 

 

Mais fotos você encontra aqui.

Os números são impressionantes:

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Muito obrigada, Editora Moderna, que me levou até lá!

Muito obrigada, Comissão Organizadora, que me convidou!

Muito obrigada, alunos leitores e professores, que me encheram de alegria por me fazerem ver que vale a pena todo o esforço e encantamento deste ofício!

Espero viver essa maravilhosa experiência novamente em 2019… ❤

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“Aprenda a amar a solidão, ficar mais sozinho com você mesmo. A tragédia dos jovens de hoje é que eles se juntam para fazer barulho e agirem com agressividade, tudo para não se sentirem solitários, e isso é uma coisa triste. O indivíduo deve aprender desde a infância a estar bem quando está sozinho, pois isso não quer dizer solidão: isso significa não ficar entediado consigo mesmo. Uma pessoa que fica entediada quando está sozinha, pelo menos a meu ver, me parece uma pessoa em perigo.”

Andrei Tarkovsky

“Solidão não é estar sozinho mas ser incapaz de comunicar coisas importantes.”

C.G. Jung

“Quando eu me sinto sozinha hoje em dia, eu penso: ACEITE estar sozinha. Aprenda a lidar com a solidão. Faça um mapa da solidão. Aceite a presença dela, pelo menos uma vez na sua vida.  Esta é a experiência humana. Nunca use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um arranhador para seus próprios desejos não realizados.”

Elizabeth Gilbert

arte de Luiza Pannunzio

 

Olhe para o céu

Quando penso na arte romântica, nas paisagens bucólicas europeias do século 18 e 19, na figuração não geométrica e não abstrata, nas metáforas visuais do mundo ideal, idílico e por vezes alegórico dos quadros de enormes proporções desse período, eu sempre acabo fugindo do espaço entre molduras. A arte romântica de Turner, por exemplo, com suas aquarelas macias, quase palpáveis, me dão vontade de fechar o livro e correr para a janela. Especialmente quando o dia está acabando naquela luz avermelhada e quente, naquele azul quase lilás que aparece entre nuvens, como se fosse o vento refrescante suavizando as matizes solares.

Sempre me lembro de um ditado francês que diz: “Quand le doigt montre le ciel, l’imbécile regarde le doigt”. “Quando o dedo aponta o céu, o imbecil olha para o dedo”. A arte, para mim, é o dedo. Especialmente a arte romântica das grandes paisagens de proporções monumentais, os jardins assimétricos, as fontes de água que borbulham, representando o sem-fim dos ciclos da vida. Quando olho para Turner, tenho vontade de olhar para o céu.

De uma forma menos literal, entretanto, pode-se entender que o objetivo maior da arte é, também, apontar para coisas mais difíceis de enxergar: medos, dúvidas, verdades. Transcender a arte é treinar o olhar para fazer o caminho do dedo para o céu. Quem se estratifica no contexto e na interpretação olha demais para o dedo. Sim, essas duas coisas são importantes mas não são o principal. Elas apontam o caminho do olhar, do coração, do verdadeiro propósito de toda e qualquer obra de arte: expandir horizontes. Mesmo que sejam os horizontes dentro da gente.

A gente nunca fica do mesmo tamanho depois de olhar para uma obra de arte.

Sobre o Vazio

A Espera – Cícero Dias – 1932 – Acervo do Itaú Cultural

 Às vezes, existe um vazio dentro da gente. Ele pode ser grande, enorme ou apenas um pequeno incômodo. Geralmente, todos nós queremos preencher esse vazio.

Muitos preenchem com roupas, acessórios e coisas que a gente pode colocar sobre o corpo. Essa é uma forma perigosa de preencher o que falta, porque quanto mais você se enche de coisas, mais vazio vai ficar o seu bolso. E o que é pior: vai sempre faltar algo.

Outra forma é tentar saber tudo, ler tudo, assimilar tudo. Ver todos os filmes, ler todos os livros, conhecer todas as pessoas ‘relevantes’. Também é uma busca sem fim. Sempre vai haver algum assunto no qual vamos ser ignorantes ou algum autor de quem nunca ouvimos falar. Entendam bem, não sou contra o conhecimento. Sou contra o esnobismo intelectual que exclui pessoas e faz com que esqueçamos de nós mesmos. Pensar demais pode ser um problema…

Mas, na maioria das vezes, esse vazio que todo mundo tenta preencher loucamente precisa existir. É parte do equilíbrio. Aceitar esse vazio é aceitar a dualidade de todas as coisas; é aceitar o silêncio de não dizer nada; é aceitar a perda quando não se ganha; é aceitar o fim que não queremos.

Aceitar o vazio também é aceitar uma parte de nós que precisa ser e ficar leve, talvez à espera, quando chegar alguma coisa realmente importante. Deixe um espaço vazio na estante, na parede, não ocupe uma cadeira. Faça um exercício de espera, de assentamento, de contemplação.

O vazio pode ocupar um espaço importante na sua vida. E isso não é triste: é deixar aberta uma porta para uma oportunidade que ainda não recebemos.

Inspiração para ‘vestir a memória de momentos mágicos’

 

“As roupas são composições que protegem e agasalham o corpo, mas que também podem (e devem) vestir a nossa memória de momentos mágicos. A roupa não é silenciosa. Ela dialoga. Mas apenas com quem entende sua linguagem. A roupa é como a música, o perfume ou uma obra de arte: imediatamente nos traz uma lembrança, uma sensação, uma emoção…”

Paula Acioli

no livro A menina que conversava com as roupas – Editora Memória Visual