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O dia que eu contei histórias cheias de cor e sorrisos

Já faz tempo… Mas hoje me lembrei do dia que contei histórias na biblioteca.

Foram dois dias, na verdade, dois encontros com crianças entre 7 e 10 anos que vieram descobrir a história da Érica, uma menina que conseguia entrar em quadros e falar com a Monalisa. Esta história se divide em três livros lidamente ilustrados por James Mayhew e que eu tive o privilégio de traduzir (os livros, que receberam o selo Altamente Recomendável, foram publicados pela Editora Moderna e podem ser encontrados nas maiores livrarias).

erica e os impressionistas

erica e os girassois

erica e a monalisa

A criançada ouviu a história da Érica com a Monalisa e da Érica com os girassóis e depois passamos um tempinho desenhando e pintando. Os trabalhos foram depois expostos na Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, em Jundiaí (SP).

Veja todas as fotos do primeiro encontro aqui e do segundo encontro aqui.

Que bom olhar pra trás e ver tanta alegria. 🙂

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Para Crianças de Todas as Idades – II

Eu já tinha feito um post sobre livros lindos, eternos e para todas as crianças, de coração ou idade. Mas não resisti e tive que fazer outro. Aqui estão mais livros imperdíveis, para crianças a partir de 5 anos. Tofos são da CosacNaify.

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Arthur Nestrovski e Maria Eugênia propõem um novo exercício de imaginação. Dessa vez, abordam o fascínio que objetos do cotidiano exercem sobre o mundo infantil. Ao invés da crítica ao consumismo da vida moderna, os autores resgatam sua dimensão lúdica. Subvertendo a resposta à pergunta tradicional “o que você quer ser quando crescer?”, no lugar de médico ou advogado surgem depoimentos insólitos: um lápis, um celular, um guarda-chuva. Para leitores em fase de alfabetização e todos que um dia desejaram ser outra “coisa”.

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Os poemas do francês Jacques Prévert (1900-1977) falam da liberdade dos passarinhos, do tempo estático dos caramujos e da malícia dos gatunos. São dezesseis poemas selecionados pelo ilustrador Wim Hofman, que também assina os delicados desenhos em nanquim. O livro é uma porta aberta para o sonho e a imaginação, enriquecida pelo olhar ao mesmo tempo cotidiano e trágico. Um dos mais importantes autores da língua francesa em tradução refinada do poeta Carlito Azevedo. Antologia bilíngue que encantará crianças e adultos.

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Uma obra-prima da literatura infantil. O Livro Inclinado, de Peter Newell, publicado originalmente em 1910, vem juntar-se a títulos contemporâneos da editora para formar uma biblioteca fundamental dirigida às crianças século 21. A ousada edição de Peter Newell – que rompeu de modo genial com as formas tradicionais do livro – é a síntese harmoniosa através da qual inovação e criatividade diluem categorias como antigo e moderno para se transformar em verdadeiro clássico.

O Livro Inclinado é divertidíssimo. Nele, nada é gratuito. O autor soube criar um design adequado à história. Este conceito – estampado no título, em referência ao formato inusitado – valoriza e dialoga radicalmente com a narrativa: um carrinho de bebê segue desgovernado ladeira abaixo e causa grande desordem por onde passa, atropela a moça que carrega uma cesta de ovos, derruba o pintor do alto da escada, passa entre dois homens segurando uma vidraça… uma confusão que poderia ser angustiante revela-se, pelas rimas e traços do autor, graciosa e bem-humorada. O bebê é quem mais se diverte com os estragos deixados pelo caminho.

As elaboradas ilustrações de Newell lembram a Nova York do começo do século 20: o comércio (estrangeiros vendendo quinquilharias), as profissões (boiadeiro, vidraceiro, pescador, pintor), os costumes (comprar alimentos na fazenda, fazer piqueniques, vender jornais na rua) e até a moda (melindrosas com seus belos chapéus, homens trajando cartola e suspensório).

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Após o sucesso de O Livro Inclinado, chega às livrarias, também em edição fac-similar, outra obra do precursor do livro-objeto, Peter Newell. Escrito em 1912, O Livro do Foguete é nova amostra da inventividade do autor, com recursos gráficos integrados à narrativa.

A história é bastante inusitada: no porão de um edifício, um garoto encontra um morteiro e não hesita em ascendê-lo. O foguete, como não poderia deixar de ser, dispara prédio acima, furando todos os apartamentos – e as páginas do livro – por vinte andares.

Na subida, perfura uma banheira, estoura uma jarra de suco, arranca a peruca do vovô, acende um cigarro… até chegar à cobertura onde, finalmente, se apaga num mergulho no pote de sorvete. A confusão mostra-se bastante divertida pelo texto rimado e cadenciado do autor, traduzido de forma primorosa pelo poeta ivo barroso.

As ilustrações – que revelam expressões assustadas ao ver os estragos causados pelo foguete – interagem com o furo nas páginas, essencial para a narrativa em versos. Trazem ainda referências das casas na nova york do começo do século 20: o mobiliário (poltronas, baús, retratos antigos na parede, banheiras, penteadeiras), as roupas (trajes sociais dentro de casa, com camisas, boinas, lenços e gravatas) e os brinquedos (cavalo de balanço, trenzinhos, bola e casinha).

Um livro que já marcou a infância de várias gerações, agora disponível às crianças do século 21. Para leitores arteiros que moram nas grandes cidades. Um trunfo para pais e professores.

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Kachtanka é um emotivo conto de Tchekhov, essencial para a formação de uma biblioteca básica de textos universais. A cadelinha Kachtanka, cujo nome significa “ruivinha”, se perde de seu dono e é adotada por um palhaço de circo. Traduzido diretamente do russo por Rubens Figueiredo, a história confronta a saudade e a adaptação em um mundo completamente diferente. É sob a perspectiva da cachorra que acompanhamos o desenrolar desta narrativa. Com extrema sensibilidade, o também russo Guenádi Spirin transformou esta edição em uma obra clássica ao criar ilustrações que recuperam características tradicionais do renascimento italiano, pelo traço seguro e fidelidade ao real.

 

Para Crianças de Todas as Idades

Um livro é um presente para sempre. Desde criança, meu presente preferido foram os livros. E agora, que trabalho com livros, continuo tendo mais livros do que tempo para lê-los. Enfim, entrar cedo no mundo dos livros é uma delícia e um privilégio: abre portas de universos maiores que a vida, nos apresenta coisas, pessoas, bichos que nunca conheceríamos e desperta o gosto e a aceitação pelo novo. Aqui estão sugestões de livros lindos pra todas as crianças, não importa a idade que tenham, todos da CosacNaify. A faixa etária recomendada é de 3 a 9 anos.

Vencedor dos principais prêmios internacionais de literatura infantil e de ilustração, Estava escuro e estranhamente calmo rendeu ao estreante Einar Turkowski um lugar de destaque entre os grandes autores contemporâneos. Disponível em alemão, francês e espanhol, a Cosac Naify traz agora aos leitores brasileiros esta intrigante obra.

Um homem misterioso desembarca em uma ilha e muda a pacata rotina dos que ali vivem. Habita uma casa abandonada onde, suspeitosamente, todas as manhãs surgem peixes pendurados de cabeça para baixo, peixes que os vizinhos também gostariam de ter. Desconfiados, e com uma pontinha de inveja, logo se ocupam em desvendar o segredo por trás daquela figura fascinante.

Fascinante também são as ilustrações de Turkowski. O traço fino dá conta de todos os detalhes do universo surrealista da história. Como nos bons contos de ficção científica, tudo é recriado: o binóculo se transforma em uma potente máquina para enxergar à distância, o sistema de roldanas é altamente complexo, os personagens usam um óculos estranho… O leitor pode passar horas apenas contemplando os detalhes do minucioso e preciso traço de turkowski, que não polpa na capacidade de ser inventivo.

As ilustrações convidam o leitor a juntar-se ao artista em seu mundo original, poético e mágico. seus hábeis desenhos em preto-e-branco irradiam humor, emoção, inteligência e… cor.

O texto não deixa por menos: a envolvente trama, carregada de suspense, transita entre a ciência imaginária e o nonsense, e ainda abre espaço para discutir um assunto bem real: o impacto de uma grande descoberta entre os habitantes de uma vila tranqüila. Mais do que isso, o livro trata da essência das relações humanas e da predisposição em julgar o incomum.

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É difícil imaginar o guarda-roupa de uma mulher sem um pretinho básico, um cardigã (famoso casaco aberto na frente) e outras peças práticas e usuais. Mas nem sempre foi assim. Na época de Coco Chanel, primeira metade do século XX, para uma mulher estar na moda precisava de luxo, pompa e espartilhos. Sorte nossa que chanel resolveu ser diferente.

Diferente como Chanel conta a história de uma mulher a frente de seu tempo. Escrito pela norte-americana Elizabeth Matthews, foi enriquecido pela tradução de Clô Orozco. Chega às livrarias no momento em que a estilista ganha as telas do cinema europeu, com o filme Coco avant Chanel (Coco antes de Chanel), dirigido pela francesa Anne Fontaine e com a atriz Audrey Tatou no papel principal.

Nesta biografia ilustrada, acompanhamos a trajetória de uma das maiores figuras do século XX, da infância pobre no orfanato – quando fazia roupinhas para bonecas com retalhos – ao emprego em uma alfaiataria e a abertura de sua primeira loja, financiada por um jovem aristocrata apaixonado. Perspicaz, aproveitou o momento da primeira guerra, quando, na ausência dos maridos, muitas mulheres tiveram que trabalhar, para disseminar peças modernas e confortáveis e, se o colapso da indústria têxtil foi responsável pelo fechamento de diversas lojas em paris, para Chanel representou a oportunidade de adquirir grandes quantidades de tecido a baixo custo. Reconhecida mundialmente, ganhou até um perfume em sua homenagem, o Chanel no 5, na época o frasco mais caro que se podia comprar.

Transgressora, Chanel causou polêmica, foi criticada e contestada por Paul Poiret, o grande nome da moda francesa na Belle Époque, mas elogiada e aclamada por Pablo Picasso, artista ousado como ela. No auge do sucesso, vestiu grandes estrelas, como Katharine Hepburn, Grace Kelly, Elizabeth Taylor e Gloria Swanson.

Para criar as graciosas ilustrações, Matthews utilizou caneta e aquarelas. O resultado foi uma personagem quase caricatural, de silhueta esbelta e o inseparável colar de pérolas com a tesoura pendurada no pescoço, “sempre pronta para cortar qualquer detalhe fora de lugar”.

Ao final, o leitor encontra uma cronologia com os principais episódios da vida de Chanel, uma bibliografia básica, inclusive com livros traduzidos para o português, foto da estilista e desenhos do poeta Jean Cocteau e do caricaturista Sem.

Um livro cheio de estilo, para não sair de moda, como Chanel.

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Balanço é um poema na mais delicada linguagem oriental. No parque de uma grande cidade, brincando em um balanço, um garoto observa o anoitecer, e declama uma poesia urbana sobre a noite que se debruça sobre os prédios. “Como um pêndulo azul azul”, acompanhamos o assobio da brisa, o mergulho nas nuvens, a proximidade da escuridão, o perfume do vento, as pegadas deixadas no céu. De leitura vertical, o recurso gráfico foi cuidadosamente pensado para que o movimento das páginas pudesse se confundir ao do balanço, provocando no leitor a sensação de mover-se junto com o garoto no tempo e no espaço. Balanço proporciona uma experiência sensorial da passagem do tempo, do fim da tarde ao início da noite, quando as primeiras luzes da rua se acendem e surgem algumas estrelas solitárias. Guiados por esta gradação, os tons de azul se acentuam em direção ao anoitecer. As ilustrações – de perspectiva aérea e traços leves – se alternam em diferentes ângulos, ganhando ritmo. Um poema lírico vestido com a mais fina estampa.

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Para dançar balé não basta saber os movimentos de cor e salteado. É preciso se apaixonar pela história, e vivê-la na ponta dos pés. A crítica e bailarina Inês Bogéa reconta cinco das principais coreografias do repertório de todas as companhias de dança clássica: A Menina Mal Olhada, Giselle, Coppélia, O Lago dos Cisnes e Petrouchka. O livro traz um palco de palavras, em cativantes narrativas. Notas laterais recuperam a origem dessas histórias – curiosidades sobre as primeiras apresentações nas cortes, os músicos que se debruçaram para criar as melodias e artistas que revolucionaram a dança, no Brasil e no exterior. As mais de setenta imagens de grandes montagens também narram, de forma visual, a trajetória desta arte. No apêndice, informações precisas sobre a evolução da dança e de elementos como o tutu e a sapatilha, além de mini-biografias de dançarinos importantes. Para ficar na ponta da língua de todos aqueles que apreciam um bom espetáculo.

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A história de um nariz com problemas só poderia ser contada de uma maneira: “entupido”. Esta é a grande sacada de Olivier Douzou em O Dariz. Quando se está entupido, não há outra coisa a fazer a não ser assoar. Assim começa a jornada do nariz protagonista à procura do grande lenço branco.

Inspirado no famoso conto homônimo do escritor russo Nikolai Gógol, também publicado pela CosacNaify – no qual o nariz de um assessor colegiado abandona seu posto e sai pela cidade de São Petersburgo passando-se por um conselheiro de estado – , o nariz de Douzou vive os momentos que antecedem esta clássica narrativa.

Como se a situação já não fosse suficientemente absurda, juntam-se ao nariz de homem um botão (que pensa ser nariz), uma tromba de elefante que bebeu muita água, um nariz de palhaço que não consegue mais contar piadas, um nariz de porco entupido de lama, um bico de pato e um focinho de cachorro, que desconhecia a causa do entupimento.

O humor, sempre presente nos textos inteligentes de Douzou, é o ponto alto deste O Dariz: um dos grandes méritos do livro está na utilização de desvios de grafia para simular a pronúncia típica de alguém resfriado. As ilustrações, marcadas pela simplicidade dos traços, são engraçadas como o texto: o nariz de homem é retratado com um chapeuzinho na cabeça enquanto o binóguio carrega um suporte de marionete.

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a menina encontra o mar,

e com ele se espanta.

põe-se a gritar com as ondas,

o mar furioso se levanta.

entre andorinhas e água salgada

ela ensaia a sua dança.

o mar, com sua vida de mar,

vai e vem e não se cansa.

a onda chicoteia no ar,

deixa estrelas de lembrança.

nasce uma grande amizade

entre a onda e a criança.

Sem palavras. Assim é contada a história em onda, livro-imagem da jovem coreana Suzy Lee. Premiadíssimo, campeão de vendas e traduzido para diversos idiomas, universal como o mar, as imagens relatam o primeiro encontro da menina com o oceano. Ela corre para a beirada da praia. logo, algumas gaivotas se aproximam e a observam, como fiéis escudeiras. No início, ele chega de mansinho. Temendo o desconhecido, a menina recua. Depois, põe-se a provocá-lo. E então, a menina e a onda dividem os sustos e a admiração deste encontro. Dividem, também, o livro horizontal. Até que em um momento, essa fronteira se dilui… e o mar deixa um lindo presente para ela.

Com poucos traços a carvão, Lee ilustrou em azul, preto e branco o ruído das águas, o bater de asas das gaivotas, o vento que balança o vestido da criança e a conversa silenciosa que se estabelece ao longo da narrativa.

Inspiração para voltar a sorrir

Para Ana

 

“Quero um sorriso

que dure uma quadra

e dobre a esquina

a iluminar-me”

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Nei Duclós, poeta brasileiro, no livro Outubro

 

Foto: Ntaimo’s niece (L) and friends having a good time, Kitwe,  Zambia: The kids are laughing at Ntaimo’s joke! – http://ie.tamu.edu/People/faculty/Ntaimo/personal_web/photos.htm