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Tricô para casa

Tem coisa mais gostosa que enfeitar a casa? Se for com tricô, fica tudo bem mais macio e aconchegante! Pra quem tá começando, é muito fácil fazer almofadas e mantas: é só escolher um ponto, fazer dois retângulos/quadrados e costurar as laterais! Para quem gosta de almofada com forro solto, pode fechar com botões. Se quiser colocar um zíper, é só fazer um retângulo de tricô e a parte de trás em tecido, pra não correr o risco do tricô não conseguir segurar o zíper.

 

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Detalhes preciosos: botões e franjinhas. As fotos das almofadas coloridas são daqui.

Importante!! Eu sem querer apaguei o arquivo com os créditos das fotos das almofadas brancas!! Se a dona dessas belezinhas, ou alguém que a conhece, passar por aqui e reconhecer, por favor, me ajude a dar os devidos créditos e elogios!!

 

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Para fazer as minhas “balinhas”, fiz um grande retângulo em ponto tricô. Comecei e acabei com 10cm de ponto meia e passa-fita (1t., 1 laç., 2 p.j.t.) pra fazer o laço franzido. Usei fita de gorgurão para amarrar. Essa lã é da Aslan e se chama Patagônia. É ótima pra fazer peças decorativas porque não é muito felpuda e é bem resistente, além de já ser trabalhada. Infelizmente, já saiu de linha.

 

A Pingouin também disponibilizou no seu site uma receita facílima com o fio Paratapete de uma manta que vai enfeitar seu sofá:

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Olha que linda! Receita completa aqui.

 

Para as mais experientes e para quem gosta de feltrar, arranjos para enfeitar a mesa, o criado-mudo, a estante…

 

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A receita dos dois arranjos, e muitos outros mimos!, estão aqui, em inglês.

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Aproveite o feriadão e deixe sua casa bonita e fofa!

Boas tricotadas!

 

 

Ciclo Cinema, Corpo e Moda – A Duquesa

Segundo filme dos encontros promovidos pela PUC-SP.

 Pra saber um pouco do enredo, dá uma olhada aqui neste post que eu escrevi por ocasião do lançamento do filme na Inglaterra.

Impossível assistir esse filme sem pensar e considerar a parte histórica. E impossível não lembrar de Lady Diana Spencer, descendente da Duquesa do título e também vitimizada pelas circunstâncias e pelo peso da tradição da nobreza.

Mas vamos ao que interessa: figurino! Claro que o mais chama a atenção é o figurino da Duquesa. Rico, detalhado, inovador para a época, romântico e sedutor. A duquesa representa o poder do duque, o poder da posição dele na hierarquia real e na sociedade. A maioria das palestrantes chamou a atenção para esse fato: enquanto o duque se veste de maneira tão sóbria e tradicionalista, à duquesa cabe exercer a sedução. O poder dele vem do sangue e da posição; o dela, de quanto consegue seduzir.

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As roupas do duque são tradicionais, feitas de tecidos pesados e estruturados, como veludo e tafetá. Sua peruca não é tão empoada e seus movimentos, até por conta dos tecidos, são pequenos e discretos. Até sua voz é baixa. Sua movimentação também é pouca, oscilante, desconfortável. Tudo o que ele passa despercebido visualmente (e todas as habilidades sociais que ele não tem), ele se impõe no poder e na palavra. O que ele quer, acontece. Ele não precisa gritar, gesticular ou se expor. Sua “frieza” é tanta que na época comentava-se que todo o país era apaixonado pela sua esposa, menos ele.

A duquesa, sua esposa, uma mulher tão cheia de enfeites e adornos, apenas demonstra visualmente o poder dele próprio que é, na verdade, o “dono” dela. Sua única função é ser esposa e providenciar um herdeiro homem. Mesmo sendo constantemente referenciada como “Imperatriz da Moda” e lançadora de tendências, saindo caricaturada nos jornais da época e constantemente exposta publicamente, na prática não tinha nenhum poder de decisão sobre sua vida.

Agora, pensando bem: se naquela época a mulher mostrava-se mais enfeitada e sedutora, porque demonstrava, na verdade, o poder de seu “dono”, porque a moda hoje foca muito mais a mulher? Eu acredito que agora porque ela escolhe demonstrar seu próprio poder através da roupa e não tem apenas a roupa para se expressar. Se hoje a mulher não tem dono e ela escolhe o que fazer, vestir, usar, talvez hoje, mais do que nunca, a moda seja um acessório de poder para as mulheres.

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Sua aparência e atitude contrastavam radicalmente com o homem que Georgiana amou, Charles Gray. Seus cabelos despenteados, sua roupa despojada, seus gestos grandes e sua energia em movimentar-se não apenas demonstram sua personalidade enérgica, mas seu desapego à tradição e sua vontade de mudança. Essa atitude também muda quando ele decide ajustar-se ao sistema, não brigar mais pelo seu amor e continuar jogando o jogo do poder, para chegar aonde quer: ser primeiro-ministro, o que ele acaba conseguindo.

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 Essa reflexão nos leva ao tema de discussão do encontro: o papel temático das pessoas no mundo. Todo sistema social é baseado em poderes e esse poder/posição social também pode ser demonstrado pela roupa hoje em dia, num movimento que começou após a revolução industrial da Inglaterra do séc. 19. A roupa definia, naquele momento, uma posição ou uma profissão e como o poder já era também determinado pelas posses, o que a pessoa podia comprar a definia. Nesse momento, também, as pessoas que tinham dinheiro começam  a usar tecidos e aviamentos mais caros, materiais que antes só a nobreza tinha acesso, não pelo preço, mas por que era essa a vestimenta que a definia. Dois séculos antes, por ser a sociedade tão estratificada e ligada à vínculos de sangue, a roupa era quase um uniforme: se era poderoso/nobre/religioso, tinha o direito de usar certas peças e tecidos. O valor de cada ser humano era definido pelo sangue. Dois séculos mais tarde, esse valor passou a ser definido pela riqueza.

A duquesa vive bem no período de transição (1757-1806) dessa fase, em plena Revolução Francesa, que mudará para sempre os valores em vários terrenos, inclusive no jeito de se vestir. A Inglaterra nesse período era vista como a terra da liberdade. Apropriadamente, uma das palestrantes chamou a atenção para a diferença dos jardins franceses – estruturados e organizadíssimos – para os ingleses – “acidentados”. Podemos tirar daí a metáfora de que nesses jardins “acidentados” coisas inesperadas podem acontecer, coisas que podem alterar a ‘normalidade’ das regras tradicionalmente estabelecidas e seguidas. Interessante notar também que as cenas em que Georgiana aparece livre, correndo, usando cores claras e roupas nem tão estruturadas, são justamente as cenas em que ela aparece no jardim. Assim como as crianças, símbolo do comportamento livre, sempre aparecem brincando ao ar livre.

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Essa cenografia e os quadros abertos representam a liberdade, a possibilidade dos ‘acidentes’, de descobrir os caminhos a medida em que se vai andando. Já as cenas internas tem quadros fechados, imagens quase em close, num clima sufocante que dá a impressão que a pessoa não tem espaço nem para abrir os braços. A luz abundante do exterior também faz um contraste com a penumbra do interior. Mesmo dentro de suas casas, estão sempre cercados de pessoas, sem privacidade, nem intimidade. A cenografia está focada em limites visuais. Esses limites visuais metaforizam o limite das emoções, do desejo, da felicidade e das escolhas.

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A maioria das palestrantes abordou o contexto histórico, tanto das roupas quanto da arquitetura, do paisagismo e até do mobiliário, ressaltando as diferenças e semelhanças entre França e Inglaterra e suas grandes damas da moda: Maria Antonieta e Georgiana. Nesse sentido, o filme sobre Maria Antonieta quis focar muito mais esse aspecto visual e até conseguiu criar um estilo quase “usável” inspirado na nobre que morreu na guilhotina. Georgiana certamente estaria em todos os tabloides e revista de fofoca/moda se vivesse hoje. Sua descendente, Diana, esteve. A moda francesa desse período ainda é muito ligada à sedução, tanto para os homens quanto para as mulheres, que usam brocados, brilhos, volumes, maquiagem carregada (era moda colar “mosquinhas” no rosto para parecer pintas) e grandes perucas. Na Inglaterra, sendo a nobreza muito mais ligada ao campo e suas mansões do que à corte, a roupa tende a ser mais prática, menos brilhante, mas não menos elaborada. Apenas mais discreta se comparada à vestimenta dos que transitavam ao redor do Rei Sol e queriam ‘refletir o seu brilho’.

 Pra relembrar Maria Antonieta, dá uma olhada aqui. Pra ver a matéria da Harpers Bazaar UK sobre A Duquesa, clique aqui. Veja mais fotos do filme na galeria abaixo.

 Nota Importante: Esse artigo foi escrito baseado nas minhas anotações do encontro. São ideias coletadas por mim mas partilhadas por todos os que estiveram presentes. Para ver as palestrantes e seus currículos, clique aqui. As fotos deste artigo foram retiradas do Google Images e seus links permaneceram intactos. Portanto, querendo saber a fonte, passe o mouse sobre a imagem.

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Semana que vem, o último filme… Identidade de Nós Mesmos ou Anotações para Roupas e Cidades, de Wim Wenders.

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As Cores e Flores da Farm

Rua Harmonia 57, em plena Vila Madalena. No endereço, um enorme painel anuncia: Harmonia gera Harmonia, Amor gera Amor, Gentileza gera Gentileza. Por trás da mensagem, surge a novidade: o terceiro espaço da grife Farm em São Paulo, inaugurado há duas semanas.

A gerente Renata vem me receber com seus faiscantes olhos verdes e seu delicioso sotaque carioca. As meninas que atendem os clientes (todas lindas!) vem nos receber na porta com um sorriso. A sensação é de chegar na casa de amigas, que mais parece um oásis num dia de muito calor: o espaço é refrescante, o verde repousa os olhos, é tudo aberto e ventilado…

A loja – que por causa da localização ganhou o nome de Farm Harmonia – ocupa uma casa de 1060 m2, que segue o conceito de “arquitetura verde”. Lá tudo respira natureza e transpira a alma carioca: da enorme escada feita com tronco de reflorestamento aos provadores em meio a uma mini floresta.

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Os provadores ficam aí dentro, em cubículos que parecem boxes com duchas. Aliás, reparem nas duchas…

A casa, um projeto de escritório franco-brasileiro Triptyque – premiado  no concurso NAJA 2008 – tem um processo de captação da água da chuva  que é tratada e reaproveitada no próprio espaço, através de um sistema de tubulação aparente que irriga a vegetação que adorna o prédio.

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Sua arquitetura é bem peculiar e criativa: são dois enormes blocos envidraçados, unidos por uma passarela metálica sob um área interna que se abre como uma clareira. As cores que predominam no projeto da Farm Harmonia são o amarelo e o verde. Bem brasileiro!

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A praia nos recebe na entrada, com areia e muito espaço. Uma árvore com 500 borboletas dá as boas-vindas aos visitantes. Ao fundo, ainda no primeiro piso, a Farm Harmonia entra no clima da Vila Madalena e vai oferecer um programa inusitado aos domingos: um refrescante banho de mangueira  – com água captada pelos tubos da casa – regado a samba de raiz, cerveja e água de coco, num clima bem carioca.

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Além de roupas da coleção atual, peças únicas (piloto) de coleções passadas também estarão à venda, além de um bazar, no terceiro andar. Outra inovação do espaço é promover, através de exposições e palestras, uma integração maior entre moda e arte.

As roupas são fresquinhas, larguinhas e cheias de detalhes cuidadosos, como bordados e aplicações.

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As havaianas customizadas são de-li-ci-o-sas! Pra comprar e usar muito! Aliás, os preços, tanto da coleção nova, “Rosa dos Ventos”, quanto do bazar, estão muito bons.

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Fico contente de ter aqui na Vila um projeto que reúne moda, bem viver e ecologia. Fico ansiosa pelos cursos e projetos culturais que possam estar chegando por aí. E ter um pedacinho do Rio aqui perto é um privilégio.

Dá uma passadinha: Farm Hamonia – Rua Harmonia, 57, na Vila Madalena. Também dê uma olhada no site, que tem um blog delicioso.

Grafite

O Daniel Piza postou no blog dele hoje um link bem legal, das paredes grafitadas mais interessantes de São Paulo, com mapa interativo e tudo! Eu gosto de grafites, como já disse aqui e acho triste o que aconteceu nesse Beco da Vila Madalena, famoso por suas paredes artisticamente grafitadas. Não é que uns pichadores foram lá e sujaram tudo com rabiscos de spray? Por cima dos lindos desenhos, esses garranchos horrorosos… Depois, tem gente que reclama que a cidade não é limpa. Os próprios habitantes a sujam! Revoltante.

 Mas ainda há muita beleza, criatividade e cor. Clica aqui e faça o “city tour” pelas paredes e muros especiais da cidade, com áudio!

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Rua Pedro Taques