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Inspiração para ‘vestir a memória de momentos mágicos’

 

“As roupas são composições que protegem e agasalham o corpo, mas que também podem (e devem) vestir a nossa memória de momentos mágicos. A roupa não é silenciosa. Ela dialoga. Mas apenas com quem entende sua linguagem. A roupa é como a música, o perfume ou uma obra de arte: imediatamente nos traz uma lembrança, uma sensação, uma emoção…”

Paula Acioli

no livro A menina que conversava com as roupas – Editora Memória Visual

Ciclo Cinema Corpo e Moda – Identidade de Nós Mesmos

Último filme do ciclo foi o documentário Identidade de Nós Mesmos ou Anotações para Roupas e Cidades, de Wim Wenders.

 

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Wim Wenders acompanha Yohji Yamamoto em seu atelier, durante as provas para a coleção que será apresentada em Paris. Seu processo criativo é exposto de maneira delicada, silenciosa. Nós e o documentarista somos quase testemunhas de um momento especial, que Yamomato nos deixa assistir.

Além, é claro, do grande assunto do filme — o processo criativo de Yamamoto — há muitas argumentações paralelas: as cidades e como elas influenciam o processo, a roupa e a imaginação; o olhar do documentarista e sua avaliação da imagem que produz; a roupa e a mulher que a veste.

Trata-se de um documentário, não de uma história com começo, meio e fim. Há argumentações, não narrativas. A única coisa que tem começo, meio e fim é a produção e o desfile do estilista em Paris. Perguntar-se sobre as semelhanças e diferenças entre Paris e Tóquio, o ato de documentar, a forma como se fotografa e filma, tudo é questionado pelo diretor/narrador.

Mas vamos falar de Yamamoto… Um artista, mesmo. Um universo inteiro. Ao começar a criar para a mulher européia, ele comenta sobre as diferenças de proporção em relação ao corpo da japonesa. Além da diferença física, outros aspectos relevantes para a criação são percebidos: as emoções, a geografia, os pensamentos, o modo de vida daquela outra mulher. É outro mundo.

O processo de criação começa com a escolha do material ou com a escolha da forma. Certas formas pedem certos materiais e certos materiais pedem uma determinada forma. Cores são texturas e emoções. Por isso ele só cria em cima do preto, que para ele traz emoções mais condensadas, como a junção de todas as cores. Depois ele escolhe a matiz que será feita a peça. Mas sua paleta possui poucas cores, geralmente muito preto, algum branco e toques de vermelho.

 

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Certas formas pedem certos materiais e certos materiais pedem uma determinada forma. Cores são texturas e emoções.

Repare no tecido estruturado do blazer e das formas drapeadas do vestido/casaco. À cada um, seu material.

 

Yohji gosta de ressaltar que é japonês mas não é apenas japonês. Suas roupas não tem nacionalidade. Seu estilo é a expressão de um sentimento. Por isso, é impossível copiá-lo. Sua linguagem é única e reconhecível. Ao criar uma roupa, ele busca descobrir a “essência” dela no processo de fabricação. Gosta de ser chamado de costureiro, gosta de se debruçar sobre os moldes, presta atenção nas costuras. Adora explorar as assimetrias: lembra que quando algo é simétrico, incomoda. O ser humano não é simétrico em suas emoções, em seus pensamentos e até mesmo em seu corpo. Suas peças de roupa são tão convidativas que ele gostaria que as pessoas “morassem” nelas e se identificassem a tal ponto que, se alguém visse o casaco de alguém jogado no chão, não diria “é o casaco do fulano” mas sim “é o fulano”.

 

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Os pespontos, o preto e o branco e as assimetrias: marcas de Yamamoto.

 

Sobre estilo, ele deu uma aula: estilo pode ser uma prisão de repetições. Mas aceitar seu estilo te dá a chave para abrir essa prisão e tornar-se o guardião dela, deixando entrar somente o que você quer. Nesse aspecto, temos que pensar também no que passa e no que fica, o efêmero e o permanente. Vítimas do consumismo geralmente só enchem os armários de efemeridades, coisas que passarão, roupas que em nada se parecem com quem as comprou. O permanente é não apenas o clássico, mas algo prático, que dá a liberdade para quem o veste ser e exercer as funções que se propõe. Pessoas não deveriam consumir roupas, deveriam ser aquelas roupas. Claro que a moda movimenta o mundo. E moda não é apenas roupa: podem ser pessoas, filmes, livros, músicas e até mesmo prédios. E muitas vezes, moda também acomoda a necessidade: se você está morrendo de frio vai precisar de um casaco. Ele pode ser até assim ou assado, mas em primeiro lugar vem sua necessidade de não morrer de frio. Assim que as pessoas deveriam consumir. Consumindo tudo o que podem, acabam consumindo a vida e tudo que podem comprar como objetos, sem ter nem ao mesmo consciência desses objetos. No minuto em que estão na mão, já se tornam obsoletos. O consumista só quer o que ainda não tem, mesmo que já tenha muito. “Felicidade seria obrigar as pessoas a viverem de forma simples e sem comprar”, frase de Yamamoto que me soou como marketing, porque se todos obedecessem ele iria à falência. Mas concordo com a primeira parte: viver de forma simples também significa comprar menos e com mais consciência das suas necessidades.

 

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Reparem que em suas criações a mulher aparece sempre muito verticalizada, altiva, oferecendo um destaque para o colo e o rosto. Yamamoto significa “ao pé da montanha”. Talvez seja assim que Yohji se coloque: aos pés dessa mulher ativa, trabalhadora, executiva, guerreira. Mulheres como sua mãe, que o criou sozinha depois que seu pai morreu na guerra. Aliás, a guerra incomoda Yohji. “A guerra ainda não acabou dentro de mim”, diz ele. O sentimento de luto e de falta de futuro parece assombrá-lo e revoltá-lo. Mas ele sublima a guerra dessa forma: vivendo o presente, “desenhando o tempo”, vivendo na moda de forma atemporal e anti-glamurosa. “A simetria perfeita é feia. Precisamos quebrar, destruir um pouco”. Desconstruindo linhas, construindo sonhos. Assim segue Yamamoto.

 

Pra conhecer mais sobre o estilista, visite o site oficial. As fotos foram tiradas daqui, daqui, daqui e daqui. Essa menina é fã dos japoneses e escreve coisas lindas. Pra pensar muito.

 

Nota Importante: Esse artigo foi escrito baseado nas minhas anotações do encontro. São ideias coletadas por mim mas partilhadas por todos os que estiveram presentes. Para ver os palestrantes e seus currículos, clique aqui.

 

Obrigada ao pessoal da PUC-SP, por promover com tanto comprometimento e profissionalismo um evento com tanta qualidade. E também por me convidar! Até o próximo!

 

Ciclo Cinema, Corpo e Moda – A Duquesa

Segundo filme dos encontros promovidos pela PUC-SP.

 Pra saber um pouco do enredo, dá uma olhada aqui neste post que eu escrevi por ocasião do lançamento do filme na Inglaterra.

Impossível assistir esse filme sem pensar e considerar a parte histórica. E impossível não lembrar de Lady Diana Spencer, descendente da Duquesa do título e também vitimizada pelas circunstâncias e pelo peso da tradição da nobreza.

Mas vamos ao que interessa: figurino! Claro que o mais chama a atenção é o figurino da Duquesa. Rico, detalhado, inovador para a época, romântico e sedutor. A duquesa representa o poder do duque, o poder da posição dele na hierarquia real e na sociedade. A maioria das palestrantes chamou a atenção para esse fato: enquanto o duque se veste de maneira tão sóbria e tradicionalista, à duquesa cabe exercer a sedução. O poder dele vem do sangue e da posição; o dela, de quanto consegue seduzir.

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As roupas do duque são tradicionais, feitas de tecidos pesados e estruturados, como veludo e tafetá. Sua peruca não é tão empoada e seus movimentos, até por conta dos tecidos, são pequenos e discretos. Até sua voz é baixa. Sua movimentação também é pouca, oscilante, desconfortável. Tudo o que ele passa despercebido visualmente (e todas as habilidades sociais que ele não tem), ele se impõe no poder e na palavra. O que ele quer, acontece. Ele não precisa gritar, gesticular ou se expor. Sua “frieza” é tanta que na época comentava-se que todo o país era apaixonado pela sua esposa, menos ele.

A duquesa, sua esposa, uma mulher tão cheia de enfeites e adornos, apenas demonstra visualmente o poder dele próprio que é, na verdade, o “dono” dela. Sua única função é ser esposa e providenciar um herdeiro homem. Mesmo sendo constantemente referenciada como “Imperatriz da Moda” e lançadora de tendências, saindo caricaturada nos jornais da época e constantemente exposta publicamente, na prática não tinha nenhum poder de decisão sobre sua vida.

Agora, pensando bem: se naquela época a mulher mostrava-se mais enfeitada e sedutora, porque demonstrava, na verdade, o poder de seu “dono”, porque a moda hoje foca muito mais a mulher? Eu acredito que agora porque ela escolhe demonstrar seu próprio poder através da roupa e não tem apenas a roupa para se expressar. Se hoje a mulher não tem dono e ela escolhe o que fazer, vestir, usar, talvez hoje, mais do que nunca, a moda seja um acessório de poder para as mulheres.

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Sua aparência e atitude contrastavam radicalmente com o homem que Georgiana amou, Charles Gray. Seus cabelos despenteados, sua roupa despojada, seus gestos grandes e sua energia em movimentar-se não apenas demonstram sua personalidade enérgica, mas seu desapego à tradição e sua vontade de mudança. Essa atitude também muda quando ele decide ajustar-se ao sistema, não brigar mais pelo seu amor e continuar jogando o jogo do poder, para chegar aonde quer: ser primeiro-ministro, o que ele acaba conseguindo.

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 Essa reflexão nos leva ao tema de discussão do encontro: o papel temático das pessoas no mundo. Todo sistema social é baseado em poderes e esse poder/posição social também pode ser demonstrado pela roupa hoje em dia, num movimento que começou após a revolução industrial da Inglaterra do séc. 19. A roupa definia, naquele momento, uma posição ou uma profissão e como o poder já era também determinado pelas posses, o que a pessoa podia comprar a definia. Nesse momento, também, as pessoas que tinham dinheiro começam  a usar tecidos e aviamentos mais caros, materiais que antes só a nobreza tinha acesso, não pelo preço, mas por que era essa a vestimenta que a definia. Dois séculos antes, por ser a sociedade tão estratificada e ligada à vínculos de sangue, a roupa era quase um uniforme: se era poderoso/nobre/religioso, tinha o direito de usar certas peças e tecidos. O valor de cada ser humano era definido pelo sangue. Dois séculos mais tarde, esse valor passou a ser definido pela riqueza.

A duquesa vive bem no período de transição (1757-1806) dessa fase, em plena Revolução Francesa, que mudará para sempre os valores em vários terrenos, inclusive no jeito de se vestir. A Inglaterra nesse período era vista como a terra da liberdade. Apropriadamente, uma das palestrantes chamou a atenção para a diferença dos jardins franceses – estruturados e organizadíssimos – para os ingleses – “acidentados”. Podemos tirar daí a metáfora de que nesses jardins “acidentados” coisas inesperadas podem acontecer, coisas que podem alterar a ‘normalidade’ das regras tradicionalmente estabelecidas e seguidas. Interessante notar também que as cenas em que Georgiana aparece livre, correndo, usando cores claras e roupas nem tão estruturadas, são justamente as cenas em que ela aparece no jardim. Assim como as crianças, símbolo do comportamento livre, sempre aparecem brincando ao ar livre.

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Essa cenografia e os quadros abertos representam a liberdade, a possibilidade dos ‘acidentes’, de descobrir os caminhos a medida em que se vai andando. Já as cenas internas tem quadros fechados, imagens quase em close, num clima sufocante que dá a impressão que a pessoa não tem espaço nem para abrir os braços. A luz abundante do exterior também faz um contraste com a penumbra do interior. Mesmo dentro de suas casas, estão sempre cercados de pessoas, sem privacidade, nem intimidade. A cenografia está focada em limites visuais. Esses limites visuais metaforizam o limite das emoções, do desejo, da felicidade e das escolhas.

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A maioria das palestrantes abordou o contexto histórico, tanto das roupas quanto da arquitetura, do paisagismo e até do mobiliário, ressaltando as diferenças e semelhanças entre França e Inglaterra e suas grandes damas da moda: Maria Antonieta e Georgiana. Nesse sentido, o filme sobre Maria Antonieta quis focar muito mais esse aspecto visual e até conseguiu criar um estilo quase “usável” inspirado na nobre que morreu na guilhotina. Georgiana certamente estaria em todos os tabloides e revista de fofoca/moda se vivesse hoje. Sua descendente, Diana, esteve. A moda francesa desse período ainda é muito ligada à sedução, tanto para os homens quanto para as mulheres, que usam brocados, brilhos, volumes, maquiagem carregada (era moda colar “mosquinhas” no rosto para parecer pintas) e grandes perucas. Na Inglaterra, sendo a nobreza muito mais ligada ao campo e suas mansões do que à corte, a roupa tende a ser mais prática, menos brilhante, mas não menos elaborada. Apenas mais discreta se comparada à vestimenta dos que transitavam ao redor do Rei Sol e queriam ‘refletir o seu brilho’.

 Pra relembrar Maria Antonieta, dá uma olhada aqui. Pra ver a matéria da Harpers Bazaar UK sobre A Duquesa, clique aqui. Veja mais fotos do filme na galeria abaixo.

 Nota Importante: Esse artigo foi escrito baseado nas minhas anotações do encontro. São ideias coletadas por mim mas partilhadas por todos os que estiveram presentes. Para ver as palestrantes e seus currículos, clique aqui. As fotos deste artigo foram retiradas do Google Images e seus links permaneceram intactos. Portanto, querendo saber a fonte, passe o mouse sobre a imagem.

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Semana que vem, o último filme… Identidade de Nós Mesmos ou Anotações para Roupas e Cidades, de Wim Wenders.

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O Mundo das Rendas

 

Os delicados fios trançados são valorizados pela moda romântica, artesanal e vintage. Conheça um pouco da história desse nobre tecido

 

Renda Filé (leia-se filê)

Renda Filé

crédito da foto

 

Este tipo de renda é como se fosse uma versão feminina das redes de pesca feitas pelos homens e muito usada em saídas de praia, xales e lenços. Sobre uma rede feita à mão, o artesão preenche os espaços vazados. As feitas com fibras naturais, como seda, linho e fios de algodão, são as mais valiosas.

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Renda Guipure

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crédito da foto

 

De origem francesa, é formada por arabescos em ponto túnel, unidos por finas correntes de fios, com o fundo vazado. Pode ser artesanal ou industrial e, em geral, é feita de linho, algodão ou qualquer outro fio bem fino. É muito usada em vestidos de noiva e roupas de festa.

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Renda Renascença

renda renascença

crédito da foto

 

Muito trabalhosa, feita à mão com agulha de costura, é uma das rendas mais valiosas. Comum em Recife, a Renascença está ainda mais apreciada hoje por causa da moda artesanal e é exportada para muitos países, incluindo Europa, Emirados Árabes, Estados Unidos e Japão.

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Renda Richelieu

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crédito da foto

 

Usada em saídas de praia e mantas, ela lembra um crochê bem fino. É formada em tela, com formas arredondadas e desenhos delicados, como um bico. O ponto é feito enrolando a linha na agulha, com um fio passando por dentro e formando cordões em diferentes volumes.

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Renda de Bilro

renda de bilro 

crédito da foto

 

Originária da Itália, esta renda é muito popular no Nordeste brasileiro. Totalmente artesanal, é feita com o uso de uma almofada onde as agulhas são fixadas para guiar a trama, elaborada pelos movimentos dos bilros (pecinhas de madeira presas aos fios), orientadas pela posição das agulhas. Presença forte na moda e na exportação.

 

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Vestido com renda de bilro, criação de Walter Rodrigues, 2001. Aplicações de renda de bilro produzidas pelas rendeiras da Associação das Rendeiras de Morros da Mariana, Piauí, no projeto Moda e Artesanato. Crédito da foto.

 

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As mãos da artesã tecendo a renda. Crédito da foto.

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Renda Soutache

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crédito da foto

 

Feita de materiais sintéticos, é uma renda rebordada com o fio soutache, um fio chato e fino, evidenciando os contornos da renda de baixo. É uma renda em alto-relevo e, embora cubra apenas pedaços do tecido, tem um caimento pesado. Fica ótima em detalhes, como golas e punhos.

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Renda Chantilly

renda chantilly

crédito da foto

 

Uma das mais nobres e conhecidas, a renda chantilly é um misto de viscose e poliamida, o que a deixa com um caimento incrível e um toque aveludado. É um bordado em cima de um tule bem fininho e geralmente tem um pouco de elasticidade. Pode chegar a valores astronômicos: a da foto acima custa módicos R$670 o metro (!).

 

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Olha ela aí, no desfile do Samuel Cirnansck, no SPFW 2008.

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Rendas Sintéticas

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crédito da foto

 

Mais baratas e fáceis de encontrar em diversos desenhos e cores. As de poliéster são bem populares mas não tem elasticidade e são ásperas. Boas para usar em detalhes em cima da roupa, sem contato com a pele. As rendas feitas com poliamida, como a da foto acima, são mais texturizadas e macias.

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E você, gosta de renda e looks com renda? Qual é a sua preferida? 😀

 

Algumas das informações acima foram retiradas de uma revista Manequim de 2006.

As Cores e Flores da Farm

Rua Harmonia 57, em plena Vila Madalena. No endereço, um enorme painel anuncia: Harmonia gera Harmonia, Amor gera Amor, Gentileza gera Gentileza. Por trás da mensagem, surge a novidade: o terceiro espaço da grife Farm em São Paulo, inaugurado há duas semanas.

A gerente Renata vem me receber com seus faiscantes olhos verdes e seu delicioso sotaque carioca. As meninas que atendem os clientes (todas lindas!) vem nos receber na porta com um sorriso. A sensação é de chegar na casa de amigas, que mais parece um oásis num dia de muito calor: o espaço é refrescante, o verde repousa os olhos, é tudo aberto e ventilado…

A loja – que por causa da localização ganhou o nome de Farm Harmonia – ocupa uma casa de 1060 m2, que segue o conceito de “arquitetura verde”. Lá tudo respira natureza e transpira a alma carioca: da enorme escada feita com tronco de reflorestamento aos provadores em meio a uma mini floresta.

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Os provadores ficam aí dentro, em cubículos que parecem boxes com duchas. Aliás, reparem nas duchas…

A casa, um projeto de escritório franco-brasileiro Triptyque – premiado  no concurso NAJA 2008 – tem um processo de captação da água da chuva  que é tratada e reaproveitada no próprio espaço, através de um sistema de tubulação aparente que irriga a vegetação que adorna o prédio.

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Sua arquitetura é bem peculiar e criativa: são dois enormes blocos envidraçados, unidos por uma passarela metálica sob um área interna que se abre como uma clareira. As cores que predominam no projeto da Farm Harmonia são o amarelo e o verde. Bem brasileiro!

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A praia nos recebe na entrada, com areia e muito espaço. Uma árvore com 500 borboletas dá as boas-vindas aos visitantes. Ao fundo, ainda no primeiro piso, a Farm Harmonia entra no clima da Vila Madalena e vai oferecer um programa inusitado aos domingos: um refrescante banho de mangueira  – com água captada pelos tubos da casa – regado a samba de raiz, cerveja e água de coco, num clima bem carioca.

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Além de roupas da coleção atual, peças únicas (piloto) de coleções passadas também estarão à venda, além de um bazar, no terceiro andar. Outra inovação do espaço é promover, através de exposições e palestras, uma integração maior entre moda e arte.

As roupas são fresquinhas, larguinhas e cheias de detalhes cuidadosos, como bordados e aplicações.

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As havaianas customizadas são de-li-ci-o-sas! Pra comprar e usar muito! Aliás, os preços, tanto da coleção nova, “Rosa dos Ventos”, quanto do bazar, estão muito bons.

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Fico contente de ter aqui na Vila um projeto que reúne moda, bem viver e ecologia. Fico ansiosa pelos cursos e projetos culturais que possam estar chegando por aí. E ter um pedacinho do Rio aqui perto é um privilégio.

Dá uma passadinha: Farm Hamonia – Rua Harmonia, 57, na Vila Madalena. Também dê uma olhada no site, que tem um blog delicioso.

Curso de Adesivos – Nike Pinheiros e SHN

Nos dias 12 e 13 passados, fiz um curso de como fazer seu próprio adesivo na loja da Nike Pinheiros, na Praça dos Omaguás. O curso foi dado pelo coletivo SHN, referência na arte urbana brasileira, presente em várias ruas de São Paulo e de outros centros urbanos.

Eu fui mais como curiosa, para perceber um pouco daquela cultura e aprender um pouco da técnica de silk-screen. O trabalho é super artesanal, braçal e exige tempo e espaço.

Logo no começo, percebi que estava entre pessoas que sabiam o que estavam fazendo. Logo que o pessoal explicou como seria e pediu pra gente desenhar, vi que estava cercada de gente talentosa. Mais que isso, aquele pessoal fazia aquilo com uma leveza que parecia brincadeira. Do meu lado, o André desenhou um macaco com cara de mau em poucos segundos. Na minha frente, a Camila Minhau desenhava um de seus famosos gatos. Aliás, já falei da Minhau aqui e tive o prazer de conhecê-la pessoalmente. Uma linda! Talentosa de tudo! Estava acompanhada do marido, Chivitz, grafiteiro dos bons também. Depois, passem lá no Flickr dela pra conhecerem melhor seu trabalho e seus gatinhos. Teve também quem levou seus desenhos já prontos ou esboçados, como o Tiago, que estava no meu grupo e fez uma coroa.

Só sei que quando vi todo aquele povo desenhando muuuito e fazendo coisas lindas, me senti como uma criança no pré-primário. E minha única reação diante daquilo tudo resultou no meu adesivo:

 

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Mesmo diante de tanta arte competente, não me senti um peixe fora d’água. A turma era bem legal, todo mundo se ajudava, espírito colaborativo total. Aprendi muito e, principalmente, conheci pessoas que estão tentando fazer a cidade ficar mais bonita. Como a Minhau disse “estamos lutando contra o cinza”. Às vezes, uma parede colorida faz toda a diferença numa comunidade carente. Saúde e educação, moradia decente e alimentação saudáveis são o básico para todos. Mas o ser humano não vive só do básico. Isso seria sobrevivência, não vivência. É necessário ter prazer, conseguir sorrir, olhar o mundo de uma forma contemplativa. E isso é impossível se seu estômago ronca e você não tem onde dormir. Mas talvez possa ser a inspiração para lutar por um mundo mais colorido, onde a beleza sirva de inspiração para se realizar como ser humano.

No final, todos trocaram adesivos e endereços eletrônicos e, tenho certeza, saíram enriquecidos com a experiência. O meu ficou assim:

 

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Para saber mais sobre a programação cultural da Nike, clique aqui. Para mais fotos, vá pro Flickr.

 

Faça sua Bermuda Saruel!

Pra sair por aí, no verão, e aproveitar uma peça que com certeza você já tem: uma canga!  Acompanhe o passo a passo e faça a sua!

 

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Pegue uma canga que você já tenha. A parte mais estreita tem que ser larga o suficiente para dar a volta na sua cintura.

 

 

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Passe por trás e dê um nó na frente.

 

 

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Agora, pegue o tecido e passe pelo meio das pernas, amarrando na cintura e dando um nó atrás.

 

 

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Dê uma arrumadinha no tecido, para não ficar muito largo. Enfie um pouquinho dentro do primeiro nozinho e faça franzidos.

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Pronto! Taí sua nova bermuda saruel! Fica linda também com um cinto de macramê ou trançado por cima e sandálias rasteiras.

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Se eu quiser ser bem chata, essa não é bem uma saruel, mas é chamada de calça envelope. É muito usada na Índia e no norte da África. A semelhança com a saruel é que ela também tem o característico cavalo baixo. Olha ela aí no desfile da Iódice no SPFW Primavera/Verão 2009:

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