“Embora eu esteja frequentemente na mais profunda tristeza, ainda há calma, a mais pura harmonia e música dentro de mim.”
Vincent Van Gogh
Campo de Trigo com corvos (1890), a última obra de Van Gogh.
“Embora eu esteja frequentemente na mais profunda tristeza, ainda há calma, a mais pura harmonia e música dentro de mim.”
Vincent Van Gogh
Campo de Trigo com corvos (1890), a última obra de Van Gogh.
“A vida seria impossível se guardássemos tudo na memória; o importante é saber escolher o que devemos esquecer.”
Maurice du Gard, escritor francês
O que você faria se não tivesse medo?
Imagem: George Frederick Watts – Hope Ripples
Intervenção sobre obra.
Para mim, escrever é um ofício movido a paixão. E quando eu digo paixão, não quero dizer apenas a entrega diante do sacrifício de uma vida pouco glamourosa, essencialmente solitária e muitas vezes desvalorizada. É melhor que isso.
Paixão, como eu entendo, é aquilo que esquenta o corpo, faz o coração bater mais rápido e dilata as pupilas. Paixão é a parte física do amor. Paixão é arrepio.
E por isso ser escritor tem muitas vantagens. Porque sem sacrificar nosso físico de forma tão absoluta quanto um ator, conseguimos ser o corpo, a mente e o coração de diversas vidas. Experimentamos o beijo adolescente, as descobertas, as surpresas que a vida nos dá. Temos diversas primeiras vezes. Sorrimos despudoramente. Amamos como se a próxima página estivesse em branco.
Mas a despedida se impõe, e todo livro chega ao fim. A história acaba, e com ela morremos, cem, mil vezes, quantas forem as dores dos nossos pedacinhos de papel. Todos os amantes que nos embalaram de repente não existem mais e sabemos o gosto de como é acabar, assim, pra sempre. Dói. Fisicamente.
E todas as nossas vidas entram naquele túnel mágico que sai do outro lado como se não nos pertencessem mais. E, mesmo sendo pedaços da gente, andam por aí, independentes, tocando outras vidas, levando sorrisos, derramando lágrimas. Isso, se tivermos a sorte de ter quem queira nos publicar, nos ler e viver um pouco do que vivemos pra escrever.
E assim, percebo que a melhor parte de ser escritor é que você vive milhares de vidas, tem dezenas de amantes e centenas de filhos, morre milhares de vezes, tem seu coração desesperadamente despedaçado e toda vez você renasce com seus pedaços recolocados de um jeito um pouquinho diferente e o mundo muda diante dos seus olhos, e você começa a acreditar em tudo de novo, como se fosse a sua primeira vida.
Escrita é fogo. Que bom que nasci fênix.
“A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças do que nos bolsos.”
Arthur Schopenhauer
“Comece agora. Comece de onde você está. Comece com medo. Comece com dor. Comece com dúvida. Comece com as mãos trêmulas. Comece com a voz trêmula, mas comece. Comece e não pare. Comece de onde você está, com o que você tem.
Apenas comece.
Ijeoma Umebinyuo