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Não é mera coincidência

 

Marilyn Monroe Hot Pink - Andy Warhol, 1967
Marilyn Monroe Hot Pink – Andy Warhol, 1967

 

Que a música, a imagem da música, quero dizer, bebe em fontes variadas, isso ninguém discute. Cada vez mais os videoclipes foram ficando sofisticados, tornando-se produções caras e tão bem elaboradas quanto qualquer longa por aí, especialmente os americanos. Gosto se discute, mas todo mundo tem que dar o braço a torcer pela Madonna.

Talvez seja bom gosto, talvez seja se cercar das pessoas certas, mas o certo é que ela escolhe o que tem de melhor por aí, em termos de direção, parceiros e produtores. Quem se interessa por arte, especialmete arte moderna, teve ter tido um gostinho de dejá vu quando assistiu a um dos últimos clipes da cantora. A música não faz o meu gosto mas o visual… Tá na cara que alguém estudou muito, olhou muito e gostou muito de Andy Warhol.

Andy foi um artista contestador da geração de americanos dos anos 1960, que fazia umas coisas loucas e geniais. Conviveu com todo mundo que era relevante no mundo das artes e da música daquela época (entenda-se Beatles, Rolling Stones etc etc) e ele mesmo era uma sensação. Ele é mais lembrado por suas telas enormes, com o rosto dos grandes ícones pop de todos os tempos, como a Marilyn aí em cima.

Mas qualquer semelhança não é mera coincidência. As imagens do novo clipe da Madonna e a obra de Andy Warhol conversam harmoniosamente, como provam as imagens abaixo:

Triple Elvis - Andy Warhol
Triple Elvis – Andy Warhol

 

Madonna - Give It 2 Me
Madonna - Give It 2 Me

 

Repare que a cantora até colocou um figurino meio cowboy, como o do Elvis. O clipe também divide a tela, como Warhol fazia em suas telonas.

 

Fica uma lição para todos: o que é bom, sempre vale a pena. Porque não olhar exposições de arte por aí, se inspirar com as cores e formas, voltar para casa e montar um “look inspiração”? Tanta coisa bonita por aí…

O que é ser feminina?

crédito da imagem

 

Fico me perguntando como as mulheres querem ser vistas hoje em dia. Quando digo as mulheres, quero dizer as mulheres perto de mim, que levam uma vida parecida com a minha, freqüentam lugares parecidos e ganham mais ou menos a mesma coisa. Esse mundo é tão grande e tão variado que não podemos discutir o papel da mulher no mundo, mas talvez no nosso bairro. Já pensou nas mulheres da China, da Etiópia, do Egito? Elas estão tão distantes de nós, geograficamente e emocionalmente!

 

No Egito, ainda é uma prática comum a circuncisão feminina (remover o clitóris). Avós e mães ajudam a segurar a menina, de seus 8 anos, geralmente em casa, no meio da noite. Podemos creditar à cultura, podemos chamar de violência… No Egito, e em outros países da África, eles chamam de ritual, um ritual necessário, pelo qual a maioria das mulheres passará.

“No Egito, as estimativas indicam que um entre cada quatro casos de gravidez termina em aborto ilegal, e o resultado é, a cada ano, uma série de complicações muito sérias, que afetam muito mais as mulheres das classes mais baixas. O aborto ilegal, no Egito, atualmente, é a maior causa de morte em gestantes”.

Trecho do livro A Face Oculta de Eva – As Mulheres do Mundo Árabe, de Nawal El Saadawi – Global Editora

 

Enquanto isso, nas paragens mais remotas da China, as mulheres mandam. Em Loshui, há uma comunidade matriarcal onde elas são as donas do dinheiro, das propriedades, dos filhos, de todos os sobrenomes e são quem mandam e desmandam o tempo todo.

“Os Mosuo não têm a menor intenção de ter na mesma pessoa afeto, família e lar. A família, para que perdure, nunca deve estar baseada em um casal. Entendem que isso torna o grupo altamente instável.

O sistema de visitas, como modalidade de vida sexual, mantém os integrantes de uma família consangüinea unidos e a salvo de coabitar com um estranho. Essa é uma das razões fundamentais pela qual a figura do pai é desconhecida. Ao ficar grávida, a mulher não pode definir com certeza com quem concebeu. Se soubesse, também poderia abster-se de contar ao filho, pois é tabu fazer referência ao aspecto sexual diante de familiares.

A proibição de qualquer menção à sexualidade diante de um parente, especialmente do sexo oposto, é uma das razões do sigilo. Um segredo por todos conhecido, como é, em geral, esse tipo de segredo”

Trecho do livro O Reino das Mulheres – O Último Matriarcado, de Ricardo Coler – Editora Planeta

 

Isso sem falar nas mulheres da Índia e seus percalços, nas Européias e seus percalços, nas mulheres dos lugares mais distantes de onde você está agora, e seus percalços…

 

Penso nisso porque acredito que ser feminina é mais do que usar um vestido de florzinhas e “tomar conta” da casa. Mesmo as mulheres que ficam cuidando da casa, trabalham muito e merecem ter o direito de se sentirem desejadas e bonitas. Ser feminina não significa ser “mulherzinha”, mas não tem problema nenhum em sentir-se carente e querer um colo de vez em quando.

Penso que passada a geração feminista dos anos 60, que brigava por direitos iguais, devemos ter em mente que temos que respeitar nossas diferenças, e não querer eliminá-las como se fossem um problema. Menstruação é problema? Carência é problema? Vontade de chorar é problema? Saber que pode comandar uma empresa ou um time de homens é ousadia? Claro que não!

Mais uma vez, o que vestimos manda uma mensagem para as pessoas. Vestidos evidenciando a cintura (não adesivos de lycra, por favor), sapatos de bico redondo, cabelos médios, meio cacheados, maquiagem suave, manda a seguinte mensagem: aproxime-se, sua opinião é importante e eu quero escutá-la. Isso falando num ambiente de trabalho. Terninho de ombros estruturados, sapatos tipo mocassim ou de bico e salto fino, cabelos presos e cores marcantes na maquiagem mandam outra mensagem: cheguei aqui porque sou competente, sei o que estou fazendo e não tenho o menor problema em mandar você ir passear.

Claro que estou colocando as coisas meio 8 ou 80, mas como você se relaciona com o mundo, com as pessoas e com o seu trabalho, é um reflexo de como você se relaciona com a sua imagem. A imagem que você projeta ao mundo. O sexo (homem – mulher) da fisiologia não tem nada a ver com o gênero, socialmente definido. O papel da mulher também não é biologicamente definido.

O que queremos para nós? Queremos um mundo cheiroso, bonito, agradável? Porque não começar com nosso corpo? Isso não é ser mulherzinha… isso é ser gente.

 

 

Sa Dingding

 

Essa menina linda aí em cima é uma chinesa de 25 anos que é a mais nova sensação do pop asiático. A música me agrada bastante, uma espécie de “Enya confucionista” como os críticos a estão chamando.

Mas o que eu mais gostei até agora é sua personalidade no palco. Uma coisa assim, meio Björk, com trajes de princesa asiática que ela mesma desenha. Ela mistura muitas referências, inclusive biográficas, em suas roupas e em sua música.

“Meu pai é Han (etnia majoritária na China) e minha mãe é mongol. Canto em mandarim, tibetano, sânscrito e lugu lugu, e ainda me sinto completamente chinesa”. Ela esteve quatro vezes no TIbet, onde gravou um videoclipe para seu disco, de uma canção tibetana. “Tenho vários amigos tibetanos, eles nunca demonstraram nenhuma raiva contra os chineses”, diz ela.

Além de ter vivido na China e como nômade na Mongólia Interior, Sa ainda viveu na Europa. Imagine como tudo isso se mistura na música e no visual: o resultado é encantador.

Isso me deu uma idéia boa: porque não substituir os botões daquela camisa branca por alamares de tecido? Arrematar um corte de musseline com um galão bordado e criar um lindo lenço? Prender o cabelo com palitinhos? Inspiração chinesa… Divirta-se!

Aliás, se você quiser ouvir a música hipnótica de Sa Dingding, visite o myspace da moça.

 

Kaffiyeh

Menino usando o Kaffiyeh
Menino usando o Kaffiyeh

Saiu na Veja São Paulo deste final de semana: os paulistanos estão adotando o kaffiyeh, o tal lenço palestino que o Balenciaga lançou no desfile de inverno há quase um ano.

A maioria das pessoas, senão todas as que estão usando, não sabem de onde vem nem seu significado. Usado pelos homens, representa a união das famílias contra a opressão do colonizador. No começo do século 20, os britânicos ocuparam muitos territórios no Oriente Médio, inclusive a Palestina. Os palestinos, então, lutaram contra a ocupação, usando todas as formas de resistência. Quando os britânicos se deram conta de que não seria uma tarefa fácil enfrentar os líderes da resistência, começaram a tomar as terras e os recursos dos locais.

Nos anos 30, o kaffiyeh tornou-se um símbolo da resistência da organização armada contra o roubo das terras. A maioria dos “soldados” eram camponeses que já usavam lenços e viviam nas montanhas ou em vilarejos, em contraste com os homens da cidade, que usavam o Fez.

O Fez turco
O Fez turco

 

Para escapar dos perseguidores, os membros da resistência escondiam-se em cidades e vilas maiores. Mas, usando o kaffiyeh, era fácil identificá-los. O exército britânico prendia qualquer camponês que estivesse usando o lenço para minar as forças da resistência.

Para evitar que isso acontecesse, todos os homens palestinos, fossem eles da cidade, dos vilarejos ou das montanhas, começaram a usar o kaffiyeh. Também não andavam mais com seus documentos de identificação. Essa ação de toda a sociedade palestina foi um grito de apoio à resistência.

Yasser Arafat, que usava o lenço enrolado na cabeça durante seu tempo na resistência e depois como presidente da Autoridade Nacional Palestina, também ajudou na divulgação do kaffiyeh. Mulheres e homens, jovens ou idosos, usam o kaffiyeh como símbolo da resistência e solidariedade com a luta do povo palestino.

Vejo com reservas essa popularização do símbolo, tão forte entre as pessoas que conhecem essa história. Será que podemos considerar seu uso indiscriminado um desrespeito à origem do objeto? Será que mudar sua cor para roxo, rosa ou amarelo causaria constrangimentos e ofensas? O kaffiyeh pode ser preto e branco ou branco e vermelho.

Não sei como essa história vai acabar… Mais um modismo que veio e que irá embora, mais uma forma de deixar todas as pessoas com caras parecidas, roupas parecidas… Não faz meu gênero. Fico com a opinião de Rita Wainer, estilista da 2nd Floor: “Em vez de usar um símbolo sem conhecê-lo direito, seria melhor optar por um lenço com estampa de florzinhas”. Ou de sapatinhos, pra não ofender ninguém…

Echarpe de Seda com sapatinhos à venda no met.org
Echarpe de Seda com sapatinhos à venda no Metropolitan Museum NY – http://www.met.org

 

PS. Falando em mundo árabe, tenho uma coisinha bem interessante pra vender… olha lá no QUER COMPRAR?

Ainda dá tempo…

Ponto Alto - Aslan

O frio está indo embora (pelo menos de São Paulo) mas ainda dá tempo de tricotar algumas coisas. Agora, sim, achei a lã grossa que todos procuravam: é a Ponto Alto, da Aslan. Um detalhe, porém, relevante: é caríssima. Não são novelos, são meadas, e leva-se pelo menos umas 20 para tricotar um cachecol pequeno. mas tá valendo. Faça o seu rapidinho.

Outra idéia é tricotar uma gola. Essa seria a minha sugestão, porque além de ficar mais barata, dá pra brincar com ela em vários looks, mudando a cara de outras blusas de lã ou usando como “cachecol”.

Encomende a sua pelo site: www.aslan.com.br. Ou vá até a 25 e divirta-se.

Vamos à receita da gola:

Material: 5 meadas de lã Ponto Alto da Aslan. Agulha para tricô 15mm.

Ponto Empregado: barra 2/2 (2 t., 2 m.)

Execução: O número de pontos vai depender de quão frouxa você quer a gola. Se você quiser que ela fique caidinha, calcule mais ou menos 40 pontos. Tricote até atingir uns 25 centímetros, mais ou menos. Se quiser que fique uma gola rulê, dobre a quantidade de lã, acrescente mais uns 10 pontos e tricote por pelo menos 50 cm. Fica farta e bonita. É muito fácil de fazer.

Outras receitas que podem ser adaptadas. É só fazer uma amostra usando agulhas 15, 18 ou 20:

 

Miniponcho Splendor – Tamanho 30 cm x 80 cm

MATERIAL – PINGOUIN SAFIRA: 3 nov. na cor 1841 (m. asteróide); ag. para tricô PINGOUIN nº 8.

PONTOS EMPREGADOS – Ponto Arroz: Direito: * 1 t.; 1 m. *. Avesso: desencontrar os p. *1 m.; 1 t. *.

AMOSTRA – Um quadrado em p. arroz com o fio usado triplo e ag. nº 8  = 10 p. x 18 carr.

EXECUÇÃO: Montar 30 p.  com o fio usado triplo e tric. em p. arroz durante 80 cm. Rem. acompanhando os p.

MODO DE ARMAR: Fechar a peça conforme o diagrama, costurando o final da peça tricotada  na lateral. Unir na lateral e a peça está pronta. É muito fácil!

 

 

Pala Manzoni – Tamanho único

MATERIAL – PINGOUIN SAFIRA: 2 novelos na cor 5305 (m. júpiter); ag. para tricô PINGOUIN nº 5; 5 botões.

PONTOS EMPREGADOS – Cordão de tricô direito e avesso em t.

AMOSTRA – Um quadrado de 10 cm em cordão de tricô = 19 p. x 30 carr.

EXECUÇÃO: A peça é feita começando pela beirada do lado direito. Montar 50 p. e tric. em cordão de tricô. A 2 cm do início, formar as 5 casas para botão trabalhando da seguinte maneira: 3 t., 1 laç., 2 p. juntos em t., 8 t., 1 laç., 2 p. juntos em t., 9 t., 1 laç., 2 p. juntos em t., 9 t., 1 laç., 2 p. juntos em t., 9 t., 1 laç., 2 p. juntos em t., 2 t. Trabalhar mais 2 carr. em t. Em seguida, trabalhar em carr. encurtadas da seguinte maneira: 1ª carr. (avesso): 22 t., voltar. 2ª carr.: 22 t. 3ª carr.: 34 t., voltar. 4ª carr.: 34 t. 5ª carr.: 50 t. 6ª carr.: 50 t. Repetir da 1ª à 6ª carr. mais 44 v. Trabalhar agora em cordão de tricô sobre todos os p. por 3 cm. Rem.

MODO DE ARMAR: Pregar os botões.

É só isso!!! Fácil demais!!! E junta duas tendências: o tricô e os botões.

Receita Fácil de Bolerinho de tricô

 

Para quem já está cansado de tricotar chachecóis, mas ainda não quer se aventurar pelas receitas mais complicadas, sugestão: que tal um bolerinho de tricô? Simples, é quase como tricotar um cachecol, só que depois você costura! Vamos lá!

 

Bolerinho de Tricô

Tamanho: 38

Material: 1 novelo da Linha Cléa (1000m) da Círculo; 1 par de agulhas para tricô 6mm.

Pontos empregados: ponto cordão de tricô – todas as carreiras em ponto tricô. Barra 1/1: 1m., 1t. (carr. acompanham os pontos). Ponto meia: direita em meia, avesso em tricô.

Modo de fazer: Faça a peça usando o fio duplo. Monte na agulha 49 pontos. Trabalhe em barra 1/1 até a 14ª carr.. A partir da 15ª carr., trabalhe em cordões de tricô. A 66 cm do começo, faça novamente o ponto barra 1/1 por 14 carr. Arremate. Com pontos invisíveis, costure as laterais, parte superior e inferior da faixa por 38 cm, deixando uma abertura de 28 cm para o encaixe dos braços.

Capuz: Monte 62 pontos na agulha e trabalhe em ponto meia. A 33 cm de comprimento, arremate todos os pontos. Dobre o capuz ao meio na largura e costure para fechar. Costure a base do capuz em volta do decote.

Para abotoar, faça uma alcinha de cordão torcido ou correntinha para passar no botão do outro lado. Se souber crochê, faça uma carreira de ponto caranguejo ou baixo em volta pra dar um acabamento mais firminho. Mas mesmo sem o crochê já fica lindo.

O bolero fica larguinho mesmo e, se você quiser, dá pra fazer com lã também Só escolha uma macia (a Macarena, da Aslan, fica bem parecida com a da foto) um pouco mais fina, que dê pra tricotar com agulhas 6mm.

 

Boas tricotadas!!