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Comida e Música da China

Atendendo a pedidos (e algumas ameaças, ehehe, né, Dani?), estou postando aqui uma sugestão de almoço ou jantar diferente, com um toque oriental! Aproveite o final de semana e faça uma coisa diferente! 

Vamos lá às receitinhas e depois, pra acompanhar a refeição, uma sugestão de trilha sonora!

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TOFU COM PIMENTÃO

 

Como vocês já sabem, eu não como carne. Então, tenho que usar minha criatividade na hora de preparar minha comida senão como sempre a mesma coisa. Tofu é uma coisa legal porque cabe em muitos pratos, pode ser feito de qualquer jeito (frito, cozido, ensopado…) e, geralmente, pega o gosto dos ingredientes que você coloca junto. Então vamos lá:

 

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Corte uns 400g de tofu em cubinhos de 2cm x 2cm

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Faça um molhinho com 2 col. (sopa) de shoyu, 1 col. (sopa) de gengibre em tiras, sal e pimenta a gosto, e distribua uniformemente sobre o tofu. Coloque na geladeira (isso facilita a absorção).

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Corte 2 pimentões em tiras finas. Eu só usei o verde, mas você pode usar um verde e um vermelho.

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Pique 4 dentes de alho bem picadinho. O truque pra picar é o seguinte: coloque uma faca larga de lado e esmague o dente contra a tábua. Depois vá batendo a lâmina sobre ele, segurando o cabo fixo na tábua e só mexendo a ponta. Será que deu pra entender? Um lado fica parado e o outro se mexe numa curva. Dá super certo.

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Aqueça um pouco de óleo numa panela wok e deixe esquentar bem. Coloque o alho e mexa um pouquinho, mas não deixe dourar. Tire o tofu da geladeira e leve direto pra wok. Com o “susto”, o tofu adquire uma coloração dourada. Frite uns 3 minutos e depois jogue o pimentão. Frite por mais quatro minutos. Desligue o fogo e jogue umas 10 gotinhas de óleo de gergelim e umas 2 col. (sopa) de cebolinha picada. Tampe.

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Enquanto isso, faça o macarrão. Esse é Udon, um macarrão de farinha muito branca, tipo talharini (chatinho). Mas você pode também usar macarrão para Yakissoba (a diferença é que nesse vai ovo e ele é bem amarelo). Como não vai azeite, a dica pra não deixar o macarrão grudar é: depois de pronto, ponha numa peneira e passe na água fria. Ele fica soltinho.

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Coloque o macarrão na tigela e o tofu por cima, assim o caldinho do tofu vai saborizando o macarrão. O óleo de gergelim e a cebolinha servem para aromatizar. Por isso, quando você fecha a panela logo depois de colocá-los, quando você abrir vai sair um aroma muito gostoso. O tempo certo de maturação é o tempo do macarrão (uns 6 minutos). Bom apetite!!

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Ah, pra beber, acompanha chá de jasmim. As folhas mesmo, não os de saquinho. O chá é dourado e servido bem quente e sem açúcar.

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Pra comer ouvindo e vendo:

 

 

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ENSOPADO DE TOFU COM ALGAS E COGUMELOS

Esta receita é pra quem não tem medo do novo. Os ingredientes podem ser encontrados em lojas de produtos orientais. Vai sem medo!!

 

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 Pegue uma folha de alga Kombu, corte ao meio e deixe hidratar por uns 15 minutos em água morna. Não jogue fora a água. Corte a alga em tiras finas.

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Hidrate, também com água morna por uns 15 minutos, o cogumelo Orelha-de-Pau (1ª foto) cortado em tiras (ou inteiro), a alga Wakame (2ª foto) e o cogumelo Shitake (4ª foto), todos em pequenas porções. Corte em tiras finas os que estiverem inteiros depois de hidratados. Com o Cogumelo do Sol (3ª foto), faça assim: ferva essa pequena porção em 1 litro de água. Quando subir a espuma, desligue, espere esfriar e corte em pedacinhos. Não jogue fora a água de nenhum deles.

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Não se assuste! O Cogumelo do Sol é mesmo bem pretinho por dentro!

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Corte uns 400g de tofu e ferva em 1 litro de água por dez minutos numa panela grande.

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Depois de 10 minutos, jogue um pacotinho de Hondashi (caldo de peixe) por cima do tofu e espalhe. A cada quatro minutos, vá jogando os outros ingredientes (e a água de cada um) na seguinte ordem: Kombu, Shitake, Orelha-de-Pau e Cogumelo do Sol. Desligue quatro minutos após jogar o Cogumelo do Sol. Jogue a Wakame e misture.

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Para dar mais sabor ao caldo, jogue 1 col. (sopa) de camarões secos. Dica pra comprar esse ingrediente: eles tem que ser bem pequeninos e bem vermelhinhos. Tampe a panela e aguarde uns 5 minutos.

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Está pronto seu ensopado chinês! Se quiser, pode comer com arroz ou harusame (macarrão branco de feijão verde), mas sozinha já é muito completa e tem muita proteína! Boa para esquentar num dia frio.

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Pra comer ouvindo música orquestrada com aquarelas de inspiração taoísta:

 

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GELATINA DE AMORAS

Claro que não podia faltar a sobremesa! No caso da sopa, essa sobremesa não combina muito e seria legal fazer as famosas frutas carameladas (banana ou maçã). Mas não estava a fim de fazer frituras então passo essa outra receita, bem mais fácil e super refrescante!

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Numa tigela pequena, coloque 1 pacotinho de gelatina em pó sem sabor e hidrate com 1/2 copo de água. Numa panela, coloque 1/2 copo de água, 1 copo de leite, 1/2 copo de açúcar e, mexendo sempre, leve ao fogo brando até o açúcar dissolver completamente. Tire do fogo, junte a gelatina já amolecida, 1/2 colher de chá de essência de amendôas e misture bem. Despeje numa forma e deixe na geladeira por 30 minutos ou até firmar. Fica gostoso se, na hora de servir, você cortar em quadradinhos e misturar com frutas refrescantes, como kiwi ou lichia. Para dar um contraste com o macio da gelatina, coloque amêndoas raladas por cima.

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Esta é pra comer ouvindo uma música tradicional cantada muito delicada, que fala de amor:

 

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Moda de Época

Acabo de ver que haverá um lançamento nos Estados Unidos de um filme chamado Austrália, com Nicole Kidman e Hugh Jackman. O filme se passa durante a segunda guerra mundial e está chamando a atenção pelo par protagonista e pelo figurino. Catherine Martin, que já levou o Oscar na categoria por Moulin Rouge, está fazendo um trabalho muito especial novamente. As roupas que a personagem de Nicole usa são avançadas para a época, inclusive o escândalo das calças, e lindas. As primeiras fotos divulgadas já dão o que falar.

 

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Vestido com inspiração chinesa e as pantalonas de cintura alta

 

Este ano, assisti outro filme de época cujo figurino me chamou muito a atenção: O Despertar de uma Paixão (The Painted Veil). O filme se passa na China, onde um casal de ingleses vai morar. Ele (Edward Norton), médico, vai trabalhar no combate ao cólera, ela (Naomi Watts), socialite, fica infeliz e acaba se apaixonando por outro homem, que a ilude. O tempo passa, o cenário de miséria e doença não muda, e histórias de vida vão se juntando à história de vida do casal. No fim do mundo, longe de tudo e de todos, eles acabam, finalmente, descobrindo o que é o amor. O livro é baseado no romance de Sommerset Morgan, um dos escritores mais apaixonantes da língua inglesa.

 

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Mas não conto o final do filme pra não estragar a surpresa. Procurem pra assistir que vale a pena. E reparem no figurino, dos mais lindos.

 

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Outro livro de Sommerset Morgan que também virou filme foi The Wings of the Dove (As Asas do Amor), que também vale muito a pena pela linda história do que é o verdadeiro amor e pelo figurino. Além disso, o filme se passa em Veneza… precisa dizer mais alguma coisa?

 

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Pra assistir bem acompanhado… *suspiro*

E por falar em China…

 

Quem nunca teve uma blusinha chinesa? Ou um colar com pingente de dragão? Ou a perigosa e irresistível culinária? Hum…

Mesmo magoada com alguns fatos, não nego o quanto a China e seu povo podem produzir coisas lindas. Por um momento, um momento apenas, esqueço que aqueles jardins foram feitos só para demonstrar poder, que as decorações eram símbolos de opressão e que quanta coisa morreu para aquilo estar daquele jeito, ali.

Nesse momento em que me deixo seduzir pela beleza, penso que dá, sim, para viver num mundo belo e macio, sem precisar ferir ninguém. Mas sempre me volta o pensamento que roubando a seda do bichinho, dá pra fabricar verdadeiras carícias, tecidos tão finos e delicados que parecem não existir. Roubando algumas gemas da terra, pingentes, colares, pulseiras e brincos enfeitam o corpo com seu toque gelado. Sim, estamos roubando… Ou será que a Terra está nos presenteando?

Considero alguns objetos produzidos pelas mãos habilidosas de artesãos a partir de suas belezas naturais como um presente que o planeta me deu. Uso-os com carinho, quase como uma homenagem. Meu presente é não desperdiçar recursos e matar o mínimo possível. Mas ainda estou devendo.

Chinesices

As Olimpíadas estão por toda a parte e todo mundo está falando da China. Algumas coisas me deixam um pouco chateada em relação a esse país tão distante que acabou ficando tão próximo da minha vida.

Tudo bem que é legal você ver uma coisa bonita e se emocionar etc e tal. Mas nem tudo é o que parece ser. Depois que fiquei sabendo que a menina que tinha a voz mais bonita para cantar na cerimônia de abertura não era a menina mais bonita para aparecer para milhões de pessoas, confirmei algumas das minhas expectativas. A maioria dos chineses prefere o que é “bonito”, custe o que custar.

A menina que dublou é linda, mas a menina que cantou de verdade não podia aparecer pois não correspondia aos ideais de beleza e delicadeza esperados. Senhor Zhang Yimou, de filmes tão lindos quanto Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Lanternas Vermelhas fez o que esperavam dele e o que todos esperavam ver. Foi bonito? Fooooiii, respondem todos.

Assim como todos acham bonito passear pelas ruas “limpas” de Pequim, sem nenhum incômodo. Alguns grupos de defesa dos animais chamaram a atenção para o sumiço de cães e, especialmente, gatos das ruas da cidade (veja o vídeo). Onde foram parar todos? Para maquiar a cidade, não bastam apenas os sorrisos incansáveis de um exército treinado para fazer bonito para o visitante, também deve-se dispor das vidas que “enfeiam” os arredores. Acostumados que estão a matar todos os tipos de animais para comer, não me supreenderia saber que alguns foram parar na panela.

Os voluntários, e a população em geral, querem passar uma idéia de que o país está aberto ao mundo, que está tudo bem e que estamos vendo uma nação que é o que deveria ser. Enquanto os voluntários sorriem, algumas pessoas desesperadas cometem atos como o daquele desempregado que atacou e matou um membro da delegação americana e depois suicidou-se. As torcidas animadas nos estádios é feita por pessoas contratadas pelo governo para deixar tudo perfeito. Afinal, o que é uma competição sem barulho? Repararam no mastro especial das bandeiras olímpica e chinesa que produzia aquele ventro perfeito? As luzes, milhares de lâmpadas, acessas o tempo todo? Ninguém pensa em economizar energia elétrica quando está tudo tããããooo bonito… Será mesmo que está tudo bem?

A história é contada pelos chineses como “deveria ser” e não como é, como mostrou a cerimônia de abertura . Desconfio de tudo, infelizmente, até da mais linda poesia visual de Zhang Yimou. Poesia é essencialmente verdade e parece que a verdade não interessa a alguns chineses.

O que é ser feminina?

crédito da imagem

 

Fico me perguntando como as mulheres querem ser vistas hoje em dia. Quando digo as mulheres, quero dizer as mulheres perto de mim, que levam uma vida parecida com a minha, freqüentam lugares parecidos e ganham mais ou menos a mesma coisa. Esse mundo é tão grande e tão variado que não podemos discutir o papel da mulher no mundo, mas talvez no nosso bairro. Já pensou nas mulheres da China, da Etiópia, do Egito? Elas estão tão distantes de nós, geograficamente e emocionalmente!

 

No Egito, ainda é uma prática comum a circuncisão feminina (remover o clitóris). Avós e mães ajudam a segurar a menina, de seus 8 anos, geralmente em casa, no meio da noite. Podemos creditar à cultura, podemos chamar de violência… No Egito, e em outros países da África, eles chamam de ritual, um ritual necessário, pelo qual a maioria das mulheres passará.

“No Egito, as estimativas indicam que um entre cada quatro casos de gravidez termina em aborto ilegal, e o resultado é, a cada ano, uma série de complicações muito sérias, que afetam muito mais as mulheres das classes mais baixas. O aborto ilegal, no Egito, atualmente, é a maior causa de morte em gestantes”.

Trecho do livro A Face Oculta de Eva – As Mulheres do Mundo Árabe, de Nawal El Saadawi – Global Editora

 

Enquanto isso, nas paragens mais remotas da China, as mulheres mandam. Em Loshui, há uma comunidade matriarcal onde elas são as donas do dinheiro, das propriedades, dos filhos, de todos os sobrenomes e são quem mandam e desmandam o tempo todo.

“Os Mosuo não têm a menor intenção de ter na mesma pessoa afeto, família e lar. A família, para que perdure, nunca deve estar baseada em um casal. Entendem que isso torna o grupo altamente instável.

O sistema de visitas, como modalidade de vida sexual, mantém os integrantes de uma família consangüinea unidos e a salvo de coabitar com um estranho. Essa é uma das razões fundamentais pela qual a figura do pai é desconhecida. Ao ficar grávida, a mulher não pode definir com certeza com quem concebeu. Se soubesse, também poderia abster-se de contar ao filho, pois é tabu fazer referência ao aspecto sexual diante de familiares.

A proibição de qualquer menção à sexualidade diante de um parente, especialmente do sexo oposto, é uma das razões do sigilo. Um segredo por todos conhecido, como é, em geral, esse tipo de segredo”

Trecho do livro O Reino das Mulheres – O Último Matriarcado, de Ricardo Coler – Editora Planeta

 

Isso sem falar nas mulheres da Índia e seus percalços, nas Européias e seus percalços, nas mulheres dos lugares mais distantes de onde você está agora, e seus percalços…

 

Penso nisso porque acredito que ser feminina é mais do que usar um vestido de florzinhas e “tomar conta” da casa. Mesmo as mulheres que ficam cuidando da casa, trabalham muito e merecem ter o direito de se sentirem desejadas e bonitas. Ser feminina não significa ser “mulherzinha”, mas não tem problema nenhum em sentir-se carente e querer um colo de vez em quando.

Penso que passada a geração feminista dos anos 60, que brigava por direitos iguais, devemos ter em mente que temos que respeitar nossas diferenças, e não querer eliminá-las como se fossem um problema. Menstruação é problema? Carência é problema? Vontade de chorar é problema? Saber que pode comandar uma empresa ou um time de homens é ousadia? Claro que não!

Mais uma vez, o que vestimos manda uma mensagem para as pessoas. Vestidos evidenciando a cintura (não adesivos de lycra, por favor), sapatos de bico redondo, cabelos médios, meio cacheados, maquiagem suave, manda a seguinte mensagem: aproxime-se, sua opinião é importante e eu quero escutá-la. Isso falando num ambiente de trabalho. Terninho de ombros estruturados, sapatos tipo mocassim ou de bico e salto fino, cabelos presos e cores marcantes na maquiagem mandam outra mensagem: cheguei aqui porque sou competente, sei o que estou fazendo e não tenho o menor problema em mandar você ir passear.

Claro que estou colocando as coisas meio 8 ou 80, mas como você se relaciona com o mundo, com as pessoas e com o seu trabalho, é um reflexo de como você se relaciona com a sua imagem. A imagem que você projeta ao mundo. O sexo (homem – mulher) da fisiologia não tem nada a ver com o gênero, socialmente definido. O papel da mulher também não é biologicamente definido.

O que queremos para nós? Queremos um mundo cheiroso, bonito, agradável? Porque não começar com nosso corpo? Isso não é ser mulherzinha… isso é ser gente.

 

 

Sa Dingding

 

Essa menina linda aí em cima é uma chinesa de 25 anos que é a mais nova sensação do pop asiático. A música me agrada bastante, uma espécie de “Enya confucionista” como os críticos a estão chamando.

Mas o que eu mais gostei até agora é sua personalidade no palco. Uma coisa assim, meio Björk, com trajes de princesa asiática que ela mesma desenha. Ela mistura muitas referências, inclusive biográficas, em suas roupas e em sua música.

“Meu pai é Han (etnia majoritária na China) e minha mãe é mongol. Canto em mandarim, tibetano, sânscrito e lugu lugu, e ainda me sinto completamente chinesa”. Ela esteve quatro vezes no TIbet, onde gravou um videoclipe para seu disco, de uma canção tibetana. “Tenho vários amigos tibetanos, eles nunca demonstraram nenhuma raiva contra os chineses”, diz ela.

Além de ter vivido na China e como nômade na Mongólia Interior, Sa ainda viveu na Europa. Imagine como tudo isso se mistura na música e no visual: o resultado é encantador.

Isso me deu uma idéia boa: porque não substituir os botões daquela camisa branca por alamares de tecido? Arrematar um corte de musseline com um galão bordado e criar um lindo lenço? Prender o cabelo com palitinhos? Inspiração chinesa… Divirta-se!

Aliás, se você quiser ouvir a música hipnótica de Sa Dingding, visite o myspace da moça.