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Dá trabalho… Mas vale tanto a pena!

Todo mundo gosta de ter alguém pra conversar, pra chorar no ombro, pra rir junto. Mas relacionar-se não é sempre fácil. Aliás, na maioria das vezes, dá um trabalho danado…

A gente sente saudades de quem a gente não vê sempre, todos os dias. Isso pode ser bom. Quando a gente encontrar aquela amiga/aquele amigo de novo, vai ser mais bonito, vai ter mais coisas pra falar, mais assuntos pra colocar em dia. Tenho amigos muito queridos que não vejo há tempos e outros que não vejo há semanas mas sinto saudades de ambos. O legal da saudade é que ela milagrosamente ‘apaga’ falhas, discussõezinhas e discordâncias…

Há pessoas fáceis e pessoas difíceis. Isso não é uma qualificação profissional nem analítica. É o que observo: há pessoas que se esforçam, são compreensivas, compassivas e sorriem mais. Outras são mais rígidas, querem as coisas à sua maneira e algumas, infelizmente, perdem o amigo mas não perdem a discussão. O que fazer? Será que seria legal dar um toque, dizer que algumas coisas não são tão importantes quanto o sentimento de quem vai ser atingido? Que dizer ou fazer alguma coisa diferente do que você diria ou faria não significa, necessariamente, que se deve começar uma discussão para ‘tirar as coisas a limpo’? Saber calar é uma arte a ser aprendida. Tem gente que simplesmente não sabe a hora de ficar quieto, ou melhor, de ‘deixar quieto’. Sabe aquela pessoa que discute com você porque você errou uma estatística? Que argumenta e verifica tim tim por tim tim tudo o que aconteceu, tudo o que você disse, pra tirar as coisas a limpo? Chatice… Essa pessoa nos afasta dela.

Eu tento ser flexível, tento encarar as coisas numa boa, tento ser compreensiva a maior parte do tempo porque é exatamente assim que eu queria que as pessoas me tratassem. Mas, mesmo depois de tanto tempo, ainda não aprendi que existem pessoas que não pensam assim. Às vezes, me machuco e me canso. Canso de engolir sapo, de ‘entender’, de justificar atitudes que poderiam ser mudadas, evitadas, apenas se aquela pessoa se importasse com meus sentimentos.

Todo mundo tem ‘seu jeito’ de agir, de falar, de fazer as coisas. Eu tenho o meu. Mas conviver significa também abrir mão de certas coisas, ceder, entender o jeito do outro, que não é necessariamente errado só por ser diferente. O difícil é perceber que nem todo mundo pensa como eu e, o que é pior, a maioria dessas pessoas acaba pisando em pessoas como eu, que cedem, que ficam quietas pra evitar briga e causar mal-estar.

Eu já briguei, já discuti, hoje eu simplesmente tento colocar um espelho na minha frente para que as pessoas vejam como elas ficam feias quando escolhem não se esforçar pra fazer outra pessoa feliz. Na maioria das vezes, essas pessoas não se dão ao trabalho de olhar e continuam a espalhar o mal do qual são fontes. Eu estou falando de pessoas que eu gosto, que gostaria de ter mais em comum, mas que simplesmente fecham a porta para um relacionamento de amizade por achar que não devem ceder nem um pouquinho. E, infelizmente, tem sempre alguém pra justificar suas atitudes.

Pra ser amigo é preciso tirar tempo, se interessar, perguntar, querer saber, envolver-se. Não dá pra ser amigo de vez em quando. Ou você é ou não é. E sabe o que é pior? Tem muita gente confundindo grude com amizade. Viver grudado não é necessariamente ser amigo.

Como eu disse no começo… Tenho amigos que não vejo, alguns há anos!, mas nem por isso deixei de guardá-los em meu coração. Ter amigos é uma delícia, dá trabalho, sim, mas o que é que vale a pena nessa vida que não dá trabalho? E desde quando trabalho é ruim? Se a gente não conservar, tudo se perde, inclusive os sentimentos. Não sei lidar muito bem com perdas, por isso me esforço em manter. São os amores que fazem a vida mais alegre. E cultivar amores é uma arte.

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O Amor Maior do Mundo

 

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Ontem, meus pais completaram 36 anos de casamento. Eu, com meus pouco mais de 5 anos de união, sei como é difícil, às vezes, manter a cabeça no lugar. Por mais que amemos quem está ao nosso lado, sempre haverá uma coisa ou outra que irá nos surpreender ou nos desapontar. Mas isso não pode ser um problema maior do que a vontade de amar.

O que aprendi com meu pai foi que devoção pode não ter limites. Ser apaixonado pelo que faz é a chave do sucesso profissional e acreditar em si mesmo é o maior dos elogios. Meu pai é professor por escolha afetiva. Desde que me conheço por gente ele vivia cercado de livros e papéis, que eu também aprendi a amar. Meu pai é um livro aberto de sabedoria e amor.

Com minha mãe, aprendi a cozinhar e a gostar de artesanato. Nas tardes de chuva ou de calor, minha mãe, eu e minhas irmãs passávamos longas horas costurando, tricotando, bordando ou tingindo panos de cores maravilhosas. Minha mãe também me ensinou a amar os animais e as plantas. Tudo era novo, o tempo passava rápido. Minha mãe é um novelo macio de lã.

Hoje, meus pais são minha grande inspiração e meu exemplo. Olhando para trás, vejo que fizeram tudo certo. Casada, eu quero manter em meu relacionamento o amor e o respeito que eles mantiveram no deles. Se um dia tiver um filho, quero ser para ele a mãe e o pai que tive para mim.

Sempre me lembro de Drummond que, como a maioria dos poetas, falou tão bem do amor: “Existem muitas razões para não amar uma pessoa e apenas uma para amá-la”. Que essa razão esteja sempre à frente das dificuldades.