Todos os artigos de Renata Tufano

Tradutora, escritora, viajante, curiosa. Essa sou eu.

E por falar em China…

 

Quem nunca teve uma blusinha chinesa? Ou um colar com pingente de dragão? Ou a perigosa e irresistível culinária? Hum…

Mesmo magoada com alguns fatos, não nego o quanto a China e seu povo podem produzir coisas lindas. Por um momento, um momento apenas, esqueço que aqueles jardins foram feitos só para demonstrar poder, que as decorações eram símbolos de opressão e que quanta coisa morreu para aquilo estar daquele jeito, ali.

Nesse momento em que me deixo seduzir pela beleza, penso que dá, sim, para viver num mundo belo e macio, sem precisar ferir ninguém. Mas sempre me volta o pensamento que roubando a seda do bichinho, dá pra fabricar verdadeiras carícias, tecidos tão finos e delicados que parecem não existir. Roubando algumas gemas da terra, pingentes, colares, pulseiras e brincos enfeitam o corpo com seu toque gelado. Sim, estamos roubando… Ou será que a Terra está nos presenteando?

Considero alguns objetos produzidos pelas mãos habilidosas de artesãos a partir de suas belezas naturais como um presente que o planeta me deu. Uso-os com carinho, quase como uma homenagem. Meu presente é não desperdiçar recursos e matar o mínimo possível. Mas ainda estou devendo.

Chinesices

As Olimpíadas estão por toda a parte e todo mundo está falando da China. Algumas coisas me deixam um pouco chateada em relação a esse país tão distante que acabou ficando tão próximo da minha vida.

Tudo bem que é legal você ver uma coisa bonita e se emocionar etc e tal. Mas nem tudo é o que parece ser. Depois que fiquei sabendo que a menina que tinha a voz mais bonita para cantar na cerimônia de abertura não era a menina mais bonita para aparecer para milhões de pessoas, confirmei algumas das minhas expectativas. A maioria dos chineses prefere o que é “bonito”, custe o que custar.

A menina que dublou é linda, mas a menina que cantou de verdade não podia aparecer pois não correspondia aos ideais de beleza e delicadeza esperados. Senhor Zhang Yimou, de filmes tão lindos quanto Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Lanternas Vermelhas fez o que esperavam dele e o que todos esperavam ver. Foi bonito? Fooooiii, respondem todos.

Assim como todos acham bonito passear pelas ruas “limpas” de Pequim, sem nenhum incômodo. Alguns grupos de defesa dos animais chamaram a atenção para o sumiço de cães e, especialmente, gatos das ruas da cidade (veja o vídeo). Onde foram parar todos? Para maquiar a cidade, não bastam apenas os sorrisos incansáveis de um exército treinado para fazer bonito para o visitante, também deve-se dispor das vidas que “enfeiam” os arredores. Acostumados que estão a matar todos os tipos de animais para comer, não me supreenderia saber que alguns foram parar na panela.

Os voluntários, e a população em geral, querem passar uma idéia de que o país está aberto ao mundo, que está tudo bem e que estamos vendo uma nação que é o que deveria ser. Enquanto os voluntários sorriem, algumas pessoas desesperadas cometem atos como o daquele desempregado que atacou e matou um membro da delegação americana e depois suicidou-se. As torcidas animadas nos estádios é feita por pessoas contratadas pelo governo para deixar tudo perfeito. Afinal, o que é uma competição sem barulho? Repararam no mastro especial das bandeiras olímpica e chinesa que produzia aquele ventro perfeito? As luzes, milhares de lâmpadas, acessas o tempo todo? Ninguém pensa em economizar energia elétrica quando está tudo tããããooo bonito… Será mesmo que está tudo bem?

A história é contada pelos chineses como “deveria ser” e não como é, como mostrou a cerimônia de abertura . Desconfio de tudo, infelizmente, até da mais linda poesia visual de Zhang Yimou. Poesia é essencialmente verdade e parece que a verdade não interessa a alguns chineses.

Customização de tudo

Aqui, sempre falamos de roupas e acessórios, mas a moda hoje é customizar tudo. Há um novo conceito de morar, que inclui a customização da planta dos apartamentos, customização dos carros e acessórios destes e daqueles pequenos aparelhos que carregamos conosco todos os dias, como celular, notebook ou notepad.

Acho legal poder imprimir nossa marca e deixar as coisas com a nossa cara. O problema é quando a gente pensa que não pode haver um evento aleatório na nossa vida. Quantas vezes não fomos buscar um novelo de uma cor e chegamos na loja, não tinha a tal cor e, muitas vezes, nem a tal lã e acabamos voltando com outra  coisa, que virou a nossa blusa preferida? Ou aqueles eventos ainda mais dramáticos que, andando na rua, podemos acabar tropeçando num futuro melhor amigo?

Eventos ocorridos ao acaso tem sua beleza. Filhos são o maior exemplo disso, quando concebidos pelas vias naturais: quem pode prever que célula encontrará aquela que está esperando? Quem pode prever a cor dos olhos, a exata tonalidade da pele, o dente tortinho ou a mania de abrir as mãos? Pois fiquem sabendo que agora a moda é customizar os filhos também. Isso mesmo: em algumas clínicas, dá pra escolher a cor dos olhos e algumas outras características que ficavam apenas na torcida dos pais.

Claro que, por um lado, isso é ótimo, porque dá pra “programar” uma criança quase perfeita, sem problemas genéticos nem síndromes, que causariam sofrimento. Mas não é um pouco estranho poder controlar tudo? Como os chineses estão tentando fazer, programar o tempo e a chuva para disfarçar e maquiar a poluição que eles mesmos jogaram na atmosfera? Deixo a China pra lá, por enquanto, porque tenho muitas críticas para fazer.

Mas acho o aleatório, o supreendente, parte da vida e gostaria que algumas coisas apenas existissem do jeito que são, “descontroladas” no melhor sentido do termo. Não sabemos quando vai chover (pelo menos não exatamente), não sabemos quando será o próximo beijo nem o próximo abraço (podemos tomar a iniciativa), não sabemos quando será inevitável.  A foto acima é uma arte zen chamada Wabi Sabi, que significa “beleza na imperfeição”. O Wabi Sabi encontra a beleza na natureza e na aceitação do ciclo natural da vida. Temos que parar de associar o que é belo ao que é perfeito. Tudo que produz alegria e paz é lindo. Como o ocasional “Abraço das Folhas” acima.

Por isso me deixo surpreender todos os dias e é necessário que nos empenhemos em surpreender a quem amamos, pois podem até já conseguir programar a cor dos olhos, mas ainda não sabemos o que será amanhã.

Customização de camisetas

Como seu sempre digo: temos que nos preparar para o verão antes de o verão chegar, claro. Por isso, já andei customizando umas camisetas. Bem fácil e simples, idéias que, quando feitas com capricho, produzem um visual lindo!

 

Camiseta Verde com Chitão

 

 

Idéia legal e econômica: a camiseta foi uma oferta do Carrefour (isso mesmo, o hipermercado) e me custou apenas R$5,99. Para a estampa, meio metro de chitão a R$4,99 o metro, lantejoulas pretas, miçangas vermelhas e vidrilhos em lilás. Contando as linhas de cada cor para costura, todo o material, incluindo a camiseta, saiu por mais ou menos R$15,00. Comece recortando a estampa. Escolha uma estampa não muito certinha, para que o efeito fique mais bonito e produza mais impacto. O recorte é o que dá mais trabalho. Use uma tesourinha para bordado e cuidado se for usar chita porque desfia muito. Depois de lavar e passar a camiseta e o tecido, eu usei a cola para tecido da Maryander, especialmente nas bordas, para evitar que o tecido desfiasse. Espere 72 horas para a cola secar totalmente. Agora, escolha pontos atrativos do seu desenho e use-os como molde para bordar as miçangas, os vidrilhos e as lantejoulas. Pode usar outras pedras também, como chatons e canutilhos, dependendo da sua estampa. Deixe algumas partes do tecido sem bordado, para não ficar muito pesado. E pronto! Aí está sua linda camiseta estampada e bordada, digna de qualquer vitrine de bom gosto! Veja abaixo alguns detalhes do bordado:

 

 

 

 

Camiseta Regata branca com Paetês

 

 

Esta camiseta é muito fácil também. Escolha o tom que você quiser de paetê (pode ser dourado ou prateado) e borde usando miçanguinhas transparentes (a agulha entra por baixo, por dentro do paetê, passa pela miçanguinha e volta por dentro do paetê – é a miçanguinha que segura o paetê). Escolha um paetê de tamanho médio ou pequeno (número 6 ou menos) porque fica mais bonito. Borde apenas um pedaço da peça para dar destaque: eu bordei apenas as alças na parte da frente. Mas podia ser a barra, só uma das alças, uma faixa no meio, você decide!

 

Blusa Verde com Vidrilhos e Paetês

 

 

 

Essa é para quem já tem alguma intimidade com bordado com pedrarias. A faixa que destaca o busto foi contornada com vidrilhos no ponto torçaide, em cima e embaixo. Uma fileira com paetês dourados número 4, em cima e embaixo, e uma fileira de paetês quadrados no meio para destacar. O torçaide fica bonito porque fica em alto relevo e é os vidrilhos são perfeitos para usar com esse ponto. Já o brilho dos paetês é quase líquido, dando um contraste bem legal com a textura dos vidrilhos. Dá uma olhada no detalhe:

 

 

 

Agora é com vocês! Procurem uma peça dentro do guarda-roupa que esteja precisando de um carinho…

E mãos à obra!

Idéias para Cachecol de Tricô… Com Pompons!

Aí estão minhas duas últimas criações: cachecóis de tricô bem facinhos, os dois feitos com ponto cordão de tricô. O diferente são os pompons, ao invés das tradicionais franjas. Olha aí:

 

 

São 8 carreiras em cordão de tricô. Na nona carreira enrole o fio quatro vezes na agulha depois de cada ponto. Na décima carreira, tricote só os pontos e solte as laçadas, arrumando para ficar retinho. Lindo e fácil! Usei só um novelo de 100g. Usei outro novelo para os pompons, grandes e fofos.

 

 

Para este, a lã era fina mas eu usei uma agulha mais grossa para dar um efeito fofo. Foi todo executado em cordões de tricô. Para os pompons, misturei um fio branco para dar mais destaque. Deu certo, né?

 

Vamos aproveitar o friozinho e gastar nossos cachecóis por aí!

 

Não é mera coincidência

 

Marilyn Monroe Hot Pink - Andy Warhol, 1967
Marilyn Monroe Hot Pink – Andy Warhol, 1967

 

Que a música, a imagem da música, quero dizer, bebe em fontes variadas, isso ninguém discute. Cada vez mais os videoclipes foram ficando sofisticados, tornando-se produções caras e tão bem elaboradas quanto qualquer longa por aí, especialmente os americanos. Gosto se discute, mas todo mundo tem que dar o braço a torcer pela Madonna.

Talvez seja bom gosto, talvez seja se cercar das pessoas certas, mas o certo é que ela escolhe o que tem de melhor por aí, em termos de direção, parceiros e produtores. Quem se interessa por arte, especialmete arte moderna, teve ter tido um gostinho de dejá vu quando assistiu a um dos últimos clipes da cantora. A música não faz o meu gosto mas o visual… Tá na cara que alguém estudou muito, olhou muito e gostou muito de Andy Warhol.

Andy foi um artista contestador da geração de americanos dos anos 1960, que fazia umas coisas loucas e geniais. Conviveu com todo mundo que era relevante no mundo das artes e da música daquela época (entenda-se Beatles, Rolling Stones etc etc) e ele mesmo era uma sensação. Ele é mais lembrado por suas telas enormes, com o rosto dos grandes ícones pop de todos os tempos, como a Marilyn aí em cima.

Mas qualquer semelhança não é mera coincidência. As imagens do novo clipe da Madonna e a obra de Andy Warhol conversam harmoniosamente, como provam as imagens abaixo:

Triple Elvis - Andy Warhol
Triple Elvis – Andy Warhol

 

Madonna - Give It 2 Me
Madonna - Give It 2 Me

 

Repare que a cantora até colocou um figurino meio cowboy, como o do Elvis. O clipe também divide a tela, como Warhol fazia em suas telonas.

 

Fica uma lição para todos: o que é bom, sempre vale a pena. Porque não olhar exposições de arte por aí, se inspirar com as cores e formas, voltar para casa e montar um “look inspiração”? Tanta coisa bonita por aí…