Eu sempre vou dizer “eu te amo”

Eu sempre vou dizer “eu te amo”. Algumas pessoas tem medo de dizer, outras tem medo de ouvir. Eu, não. Eu não tenho medo das palavras porque não tenho medo do que sinto.

Há uma economia generalizada de amor. As pessoas não falam, não praticam, não se vê. O amor se esconde e se esgueira pelas beiradas porque o mundo ficou pequeno. Engraçado que era o amor que tornava tudo grande e lindo e agora, as coisas parecem encolher.

Quando se falava de amor, a gente arregalava os olhos, sentia o coração crescer dentro do peito. Era uma força incontrolável, imbatível. Era um poder tão grande que “fazia o mundo girar”, não era isso que diziam? E agora, o que temos? Onde foram parar os grandes atos de amor? Onde estão as lágrimas de emoção? Por que tudo ficou tão passageiro?

É preciso inventar de novo o amor. É preciso dizer mais “eu te amo”, é preciso ouvir mais “eu te amo”. É preciso não ter vergonha de amar, como se fosse uma fraqueza. É preciso saber que se pode confiar a ponto de se expandir e abrir os braços.

Se uma flor consegue nascer em meio a tanto concreto, abrindo o asfalto com a força impositiva da vida, talvez possamos relembrar como se ama. A flor, tão delicada, tão frágil, vence o asfalto duro e frio. Seria fácil arrancá-la, suas raízes não estão firmes. Seria fácil matá-la: ali, ela está em risco.

Mas quero acreditar que ela cumprirá o tempo de sua semente. Quero acreditar que uma florzinha, aquela que não serve pra nada, aquela coisinha que desafiou o asfalto, mudou a história daquela calçada. Assim como um “eu te amo” pode ajudar a mostrar o caminho.

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e a mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se não a vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caieiro

Fotos: Robert Donat e Deborah Kerr em Perfect Strangers (1945)

O mar inteiro não consegue afundar um navio a não ser que consiga entrar dentro dele. Da mesma forma, a negatividade do mundo não conseguirá afundá-lo a não ser que você permita que ela entre em você.

An entire sea of water can’t sink a ship unless it gets inside the ship.  Similarly the negativity of the world can’t put you down unless you allow it to get inside you. 

Goi Nasu

art by Owen Gent Illustration

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