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Sobre o Vazio

A Espera – Cícero Dias – 1932 – Acervo do Itaú Cultural

 Às vezes, existe um vazio dentro da gente. Ele pode ser grande, enorme ou apenas um pequeno incômodo. Geralmente, todos nós queremos preencher esse vazio.

Muitos preenchem com roupas, acessórios e coisas que a gente pode colocar sobre o corpo. Essa é uma forma perigosa de preencher o que falta, porque quanto mais você se enche de coisas, mais vazio vai ficar o seu bolso. E o que é pior: vai sempre faltar algo.

Outra forma é tentar saber tudo, ler tudo, assimilar tudo. Ver todos os filmes, ler todos os livros, conhecer todas as pessoas ‘relevantes’. Também é uma busca sem fim. Sempre vai haver algum assunto no qual vamos ser ignorantes ou algum autor de quem nunca ouvimos falar. Entendam bem, não sou contra o conhecimento. Sou contra o esnobismo intelectual que exclui pessoas e faz com que esqueçamos de nós mesmos. Pensar demais pode ser um problema…

Mas, na maioria das vezes, esse vazio que todo mundo tenta preencher loucamente precisa existir. É parte do equilíbrio. Aceitar esse vazio é aceitar a dualidade de todas as coisas; é aceitar o silêncio de não dizer nada; é aceitar a perda quando não se ganha; é aceitar o fim que não queremos.

Aceitar o vazio também é aceitar uma parte de nós que precisa ser e ficar leve, talvez à espera, quando chegar alguma coisa realmente importante. Deixe um espaço vazio na estante, na parede, não ocupe uma cadeira. Faça um exercício de espera, de assentamento, de contemplação.

O vazio pode ocupar um espaço importante na sua vida. E isso não é triste: é deixar aberta uma porta para uma oportunidade que ainda não recebemos.

“The sweetest thing…”

 

“… that only was a cat”.

 

“A maior doçura do mundo era apenas um gato”. Esse poema reflete muito bem o que eu penso dessas criaturas independentes, inteligentes e, sobretudo, fofas. Gosto muito de cachorros também, mas gatos são especiais por viverem uma vida só deles, uma vida em segredo, que não compartilham conosco. Quem nunca conviveu com um gato talvez não saiba como pode ser especial aquele momento que ele/ela vem te receber quando você chega em casa, quase ‘como um cachorro’. Aquele ronronar aconchegante quando ele/ela se enrola quentinho no seu colo. A lição de tolerância e liberdade que o gato dá quando sinaliza que quer ficar sozinho, sem toques nem carinhos. Ter gatos é aprender a conviver e eles ensinam até mesmo a suportar o inesperado que vem de qualquer relacionamento. A surpresa de todo dia. O surpreendente de qualquer ser vivo, seja ele humano ou felino.

Então, por favor, tire 5 minutinhos do seu dia e conheça Maru, Pancake e Cooper, algumas das criaturas mais encantadoras desse mundo. E pode ter certeza: cada gato é um ser único, dotado de personalidade, desejos, rotinas e ‘manias’. Eles são lindos, mas o gato que mora no seu coração sempre será “a maior doçura do mundo”.

 

Maru

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Pancake

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Cooper

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Cooper e Pancake, além das outras fofuras que moram com eles, tem um blog cheio de fotos e mais vídeos. Vá se derreter!

 

 

Dá trabalho… Mas vale tanto a pena!

Todo mundo gosta de ter alguém pra conversar, pra chorar no ombro, pra rir junto. Mas relacionar-se não é sempre fácil. Aliás, na maioria das vezes, dá um trabalho danado…

A gente sente saudades de quem a gente não vê sempre, todos os dias. Isso pode ser bom. Quando a gente encontrar aquela amiga/aquele amigo de novo, vai ser mais bonito, vai ter mais coisas pra falar, mais assuntos pra colocar em dia. Tenho amigos muito queridos que não vejo há tempos e outros que não vejo há semanas mas sinto saudades de ambos. O legal da saudade é que ela milagrosamente ‘apaga’ falhas, discussõezinhas e discordâncias…

Há pessoas fáceis e pessoas difíceis. Isso não é uma qualificação profissional nem analítica. É o que observo: há pessoas que se esforçam, são compreensivas, compassivas e sorriem mais. Outras são mais rígidas, querem as coisas à sua maneira e algumas, infelizmente, perdem o amigo mas não perdem a discussão. O que fazer? Será que seria legal dar um toque, dizer que algumas coisas não são tão importantes quanto o sentimento de quem vai ser atingido? Que dizer ou fazer alguma coisa diferente do que você diria ou faria não significa, necessariamente, que se deve começar uma discussão para ‘tirar as coisas a limpo’? Saber calar é uma arte a ser aprendida. Tem gente que simplesmente não sabe a hora de ficar quieto, ou melhor, de ‘deixar quieto’. Sabe aquela pessoa que discute com você porque você errou uma estatística? Que argumenta e verifica tim tim por tim tim tudo o que aconteceu, tudo o que você disse, pra tirar as coisas a limpo? Chatice… Essa pessoa nos afasta dela.

Eu tento ser flexível, tento encarar as coisas numa boa, tento ser compreensiva a maior parte do tempo porque é exatamente assim que eu queria que as pessoas me tratassem. Mas, mesmo depois de tanto tempo, ainda não aprendi que existem pessoas que não pensam assim. Às vezes, me machuco e me canso. Canso de engolir sapo, de ‘entender’, de justificar atitudes que poderiam ser mudadas, evitadas, apenas se aquela pessoa se importasse com meus sentimentos.

Todo mundo tem ‘seu jeito’ de agir, de falar, de fazer as coisas. Eu tenho o meu. Mas conviver significa também abrir mão de certas coisas, ceder, entender o jeito do outro, que não é necessariamente errado só por ser diferente. O difícil é perceber que nem todo mundo pensa como eu e, o que é pior, a maioria dessas pessoas acaba pisando em pessoas como eu, que cedem, que ficam quietas pra evitar briga e causar mal-estar.

Eu já briguei, já discuti, hoje eu simplesmente tento colocar um espelho na minha frente para que as pessoas vejam como elas ficam feias quando escolhem não se esforçar pra fazer outra pessoa feliz. Na maioria das vezes, essas pessoas não se dão ao trabalho de olhar e continuam a espalhar o mal do qual são fontes. Eu estou falando de pessoas que eu gosto, que gostaria de ter mais em comum, mas que simplesmente fecham a porta para um relacionamento de amizade por achar que não devem ceder nem um pouquinho. E, infelizmente, tem sempre alguém pra justificar suas atitudes.

Pra ser amigo é preciso tirar tempo, se interessar, perguntar, querer saber, envolver-se. Não dá pra ser amigo de vez em quando. Ou você é ou não é. E sabe o que é pior? Tem muita gente confundindo grude com amizade. Viver grudado não é necessariamente ser amigo.

Como eu disse no começo… Tenho amigos que não vejo, alguns há anos!, mas nem por isso deixei de guardá-los em meu coração. Ter amigos é uma delícia, dá trabalho, sim, mas o que é que vale a pena nessa vida que não dá trabalho? E desde quando trabalho é ruim? Se a gente não conservar, tudo se perde, inclusive os sentimentos. Não sei lidar muito bem com perdas, por isso me esforço em manter. São os amores que fazem a vida mais alegre. E cultivar amores é uma arte.

Inspiração de Outono

 

A chuva chove…

A chuva chove mansamente…como um sono
Que tranquilize, pacifique, resserene…
A chuva chove mansamente…Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine… E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono…
Véspera triste como a noite, que envenene
A alma, evocando coisas líricas de outono…

 

Cecília Meireles