“Aprenda a amar a solidão, ficar mais sozinho com você mesmo. A tragédia dos jovens de hoje é que eles se juntam para fazer barulho e agirem com agressividade, tudo para não se sentirem solitários, e isso é uma coisa triste. O indivíduo deve aprender desde a infância a estar bem quando está sozinho, pois isso não quer dizer solidão: isso significa não ficar entediado consigo mesmo. Uma pessoa que fica entediada quando está sozinha, pelo menos a meu ver, me parece uma pessoa em perigo.”
Andrei Tarkovsky
“Solidão não é estar sozinho mas ser incapaz de comunicar coisas importantes.”
C.G. Jung
“Quando eu me sinto sozinha hoje em dia, eu penso: ACEITE estar sozinha. Aprenda a lidar com a solidão. Faça um mapa da solidão. Aceite a presença dela, pelo menos uma vez na sua vida. Esta é a experiência humana. Nunca use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um arranhador para seus próprios desejos não realizados.”
Se uma pessoa tem pensamentos feios, isso começa a aparecer em seu rosto. E quando essa pessoa tem pensamentos feios todos os dias, todas as semanas e todos os anos, seu rosto começa a ficar cada vez mais feio até que se torna insuportável olhar para ele.
Uma pessoa que tem pensamentos bons não consegue ficar feia. Pode até ter um nariz pontudo, uma boca torta, um queixo duplo e seus dentes podem estar mal encaixados, mas se seus pensamentos forem bons, seu rosto irá brilhar como um raio de sol e ela será sempre linda.
Neste final de semana, fui com a queridíssima Ana do blog Hoje Vou Assim Off, visitar o atelier da estilista Fernanda Yamamoto na Vila Madalena. Numa manhã deliciosa, conhecemos toda a equipe que produz a roupa, desde quem pesquisa o tecido, quem cuida da produção, quem corta, quem faz o molde e quem costura.
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Um trabalho assim é um trabalho focado em criar, não em produzir. Criar a gente cria devagar, buscando referências que conversam com a gente e com nossa história e abrem nosso olhar. Produzir é mecânico, pode ser executado por máquinas e é rápido, muito rápido. Moda não é criação? Vestir-se não é expressão? Não devia ser assim sempre? Produzir tanto pra quê? Consumir tanto pra quê? E assim paramos pra pensar no valor real das coisas: o valor não é o custo. Custo é o tanto que aquela cadeia produtiva polui (a indústria de moda é a segunda maior indústria poluidora do planeta, perdendo apenas para a indústria petrolífera), quantas pessoas costuram literalmente o sangue ganhando 1 dólar por dia (ou menos), quantos animais são abatidos, qual é o tamanho da pegada de carbono de um pedaço de pano que vai de lá pra cá até chegar na sua mão.
Não sejamos ingênuos: a moda sobrevive de vendas. E as vendas só acontecem motivadas pelo desejo de consumo. Consumir é uma coisa, gastar loucamente um dinheiro que não se tem é outra. Quem ganha com isso? Existem poucos que ganham muito e milhares que saem perdendo. A maior ilusão é fazer com que o consumidor acredite que ele tem poder de compra, quando na verdade, ele está comprando um item que não aguentará duas lavagens. Sim, aquela blusinha de R$50 feita em Bangladesh pode parecer uma pechincha, mas a pessoa que a costurou não ganhou nem 5 centavos de dólar. E quem paga o valor da etiqueta está sendo roubado, porque ela não vale isso e custou MUITO.
A questão da criação é interessante porque não parte de uma “tendência”. Pode até agregar elementos modernos na modelagem, nas cores etc, mas não segue modinha, não é descartável, tem personalidade, é autêntica. É aquela peça que você olha e pensa na pessoa que a fez, que deixou sua marca. Você usar uma roupa que você viu quem costurou, viu quem desenhou, viu quem cortou, quem tingiu e quem pensou em tudo dentro de um conceito poético, pessoal e artístico é de um maravilhamento único. E a compra não é de baciada. Ninguém está falando que não se deve comprar nada nunca. O que se deve é pensar sobre o que se está comprando e calcular o custo-benefício (valor da peça x quantas vezes será usada) e não alimentar uma indústria destruidora.
Pra saber mais sobre o custo real da roupa que usamos, assista ao documentário The True Cost, que está disponível no Netflix.