Viver…

… como se não houvesse amanhã.

Não é isso que a gente sempre ouve? E vê, naquelas histórias de pessoas que descobriram que tem um doença terminal e resolvem fechar todas as contas, fazer tudo que nunca fizeram e dizer tudo que não disseram?

O que sempre me pergunto é: o que as impediu de fazer isso tudo antes de saber que o fim estaria, inevitavelmente, próximo?

Tem tanta coisa que nos distrai: o dinheiro pra ganhar, o trabalho pra fazer, a louça pra lavar, até mesmo a diversão que nos atrai (os filmes, os livros) e que, quer estejamos acompanhados ou não, nos proporciona uma alegria individual. Compartilhar não é postar foto em redes sociais: é dividir, é dar um pouco de si mas pegar um pouco do outro, trocar, dedicar tempo. E aquele momento hilário do filme fica mais engraçado ouvindo a risada ao lado.

E enquanto a gente vai compartilhando esses momentinhos de felicidade, a gente esquece que tudo isso, um dia, acaba. E não, isso não é tão triste quanto parece. Porque aceitando a finitude das coisas aceitamos, também, a plenitude de tudo, a grandeza daquele momento que não volta, a infinidade daquele segundo.

E todas as palavras que a gente não disse porque tinha medo da reação que poderiam causar, e todas as atitudes que a gente não teve por receio das implicações, parecem indispensáveis pensando na certeza do fim. Como a gente deixou passar aquela chance de dizer “você está lindo”? E aquele amigo que nunca ouviu um “morro de saudade de você, por favor, não suma”? E aquela ligação que foi ficando pra lá até não acontecer? Aquele “amo você” que só ficou no olhar? Será que deu pra perceber?

Muita gente pensa nos arrependimentos que pode ter na “hora da morte”. Mas e se a gente parasse pra pensar no que a gente pode fazer hoje, agora, quando estamos vivos e temos praticamente todas as chances ao alcance da mão? Não seria muito melhor? Talvez muito mais fácil? Mais ‘alcançável’?

Sem ser imprudentes, nem irresponsáveis, mas cheios de vontade de não ter arrependimentos, cheios de afetos pra distribuir, a gente pode se enriquecer ao longo da vida, não deixando as chances passarem por nós mas preenchendo lacunas, pra quando olharmos pra trás não vermos um monte de buracos, mas um caminho pavimentado de sorrisos e realizações. E amor, muito amor, que é a maior riqueza da vida.

Se você tivesse que dar um último abraço na sua vida, em quem você daria? Um último telefonema, pra quem seria? Um último beijo, quanto você se doaria? Então, é hoje. O que você está esperando?

Música

A língua portuguesa, para mim, é uma das línguas mais lindas do mundo. Literalmente, música nos meus ouvidos. Sons delicados, vogais abertas, consoantes vibrantes, encontros consonantais avassaladores.

A Revista Bula publicou uma lista das 40 palavras mais belas da língua portuguesa. Algumas estão ali pelo que representam, acredito, como Mãe e Respeito. Outras, dá pra sentir, estão ali pelo som, como Flamboaiã (quer coisa mais linda?), Melancolia (é preciso mastigar cada sílaba) e Efêmero (palavra que se desmancha na boca).

Parei aqui pra pensar em palavras que eu saboreio na hora de falar… Sereno, por exemplo, é uma delas. Sereno pode ser aquele de espírito pacífico ou aquele orvalho que cai de madrugada. A analogia me fascina: a hora escura e tranquila que chora. Sereno é uma daquelas palavras que tem que se falar de olhos fechados. Madrugada, taí outra palavra. O som do U que apaga a luz e os As que abrem os olhos para a imensidão de estrelas. Gosto do som do U. A gente faz biquinho quando fala, tem que ser dito com delicadeza. é praticamente impossível gritar o U. Mas é fácil prolongá-lo, como em lonjura.Quando se quer dizer que se está longe, mas longe mesmo, a gente diz lonjuuuuuuuura, e geralmente acompanha um gesto de estender o braço pra cima e jogar a cabeça pra trás. Palavra boa de falar a gente usa o corpo todo pra dizer.

Existem palavras especiais em todas as línguas, a nossa será sempre a intraduzível saudade. Existem as palavras quase secretas, que pouca gente conhece, até mesmo quem tem a língua portuguesa como mãe. Existem palavras que já morreram (junto, talvez, com quem as falava) e palavras que estão nascendo (junto, talvez, com quem esteja começando a inventar a vida).

Assista essa beleza aí embaixo e me diga: qual é a sua palavra?

para avançar no projeto do vídeo acima, clique aqui

O dia que eu contei histórias cheias de cor e sorrisos

Já faz tempo… Mas hoje me lembrei do dia que contei histórias na biblioteca.

Foram dois dias, na verdade, dois encontros com crianças entre 7 e 10 anos que vieram descobrir a história da Érica, uma menina que conseguia entrar em quadros e falar com a Monalisa. Esta história se divide em três livros lidamente ilustrados por James Mayhew e que eu tive o privilégio de traduzir (os livros, que receberam o selo Altamente Recomendável, foram publicados pela Editora Moderna e podem ser encontrados nas maiores livrarias).

erica e os impressionistas

erica e os girassois

erica e a monalisa

A criançada ouviu a história da Érica com a Monalisa e da Érica com os girassóis e depois passamos um tempinho desenhando e pintando. Os trabalhos foram depois expostos na Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, em Jundiaí (SP).

Veja todas as fotos do primeiro encontro aqui e do segundo encontro aqui.

Que bom olhar pra trás e ver tanta alegria. :)

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