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Inspiração para voltar

A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas “sou gaivota e fui sereia”
ri-me de ti “então porque não voas?”
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho “olá”,
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste “ainda bem que voltaste”

A Noite Passada – Sérgio Godinho

O que eu estou ouvindo

Minha trilha sonora ultimamente tem misturado elementos diversos, todos inspiradores.

 

YAEL NAIM

Yael Naim é dona de uma voz suave que canta em inglês, francês e hebraico. Seus arranjos são meio folk, meio sexy e convidam a brincadeiras. Às vezes, tem um tom de melancolia que não chega a deprimir mas faz pensar. Além disso, a menina tem um estilo todo lindo, confortável, boêmio e despretensioso. Vale a pena! Ah, a moça também tem site.

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MADELEINE PEYROUX

Diva total, voz de Billie Holiday. Pra quem gosta de jazz (ou quer tentar), experimente. A música convida à dança e ao sorriso. Estou ouvindo Dreamland mas tem outros dois cds da cantora disponíveis para venda. Escolha o seu. Seu estilo é delicado, muita seda, cores suaves ou estampas marcantes, que parecem ter sido pintadas à mão.

 

 

AMY WINEHOUSE

Falem o que quiser do estilo suicida de vida, dos escândalos, das drogas, mas nunca esqueçam o principal: essa menina sabe cantar. Sua voz nem é tão de veludo mas sua interpretação é de rasgar o coração. Qualquer um dos cds de Amy vale a pena. No momento, estou ouvindo Back to Black, um cd de 50 minutos de música da melhor qualidade.

E não dá pra falar de Amy sem falar no seu corajoso estilo “sessentinha dos infernos”, com o mega hair e o delineador, suas duas marcas registradas. Pra se inspirar, não pra copiar!

 

Pra quem quiser tentar fazer o cabelão, esse cara ensina tudo: http://www.youtube.com/watch?v=mVoxsRmZrC8

 

 Se bem que, agora, ela está assim:

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Ui! Onde essa menina vai parar???

Não é mera coincidência

 

Marilyn Monroe Hot Pink - Andy Warhol, 1967
Marilyn Monroe Hot Pink – Andy Warhol, 1967

 

Que a música, a imagem da música, quero dizer, bebe em fontes variadas, isso ninguém discute. Cada vez mais os videoclipes foram ficando sofisticados, tornando-se produções caras e tão bem elaboradas quanto qualquer longa por aí, especialmente os americanos. Gosto se discute, mas todo mundo tem que dar o braço a torcer pela Madonna.

Talvez seja bom gosto, talvez seja se cercar das pessoas certas, mas o certo é que ela escolhe o que tem de melhor por aí, em termos de direção, parceiros e produtores. Quem se interessa por arte, especialmete arte moderna, teve ter tido um gostinho de dejá vu quando assistiu a um dos últimos clipes da cantora. A música não faz o meu gosto mas o visual… Tá na cara que alguém estudou muito, olhou muito e gostou muito de Andy Warhol.

Andy foi um artista contestador da geração de americanos dos anos 1960, que fazia umas coisas loucas e geniais. Conviveu com todo mundo que era relevante no mundo das artes e da música daquela época (entenda-se Beatles, Rolling Stones etc etc) e ele mesmo era uma sensação. Ele é mais lembrado por suas telas enormes, com o rosto dos grandes ícones pop de todos os tempos, como a Marilyn aí em cima.

Mas qualquer semelhança não é mera coincidência. As imagens do novo clipe da Madonna e a obra de Andy Warhol conversam harmoniosamente, como provam as imagens abaixo:

Triple Elvis - Andy Warhol
Triple Elvis – Andy Warhol

 

Madonna - Give It 2 Me
Madonna - Give It 2 Me

 

Repare que a cantora até colocou um figurino meio cowboy, como o do Elvis. O clipe também divide a tela, como Warhol fazia em suas telonas.

 

Fica uma lição para todos: o que é bom, sempre vale a pena. Porque não olhar exposições de arte por aí, se inspirar com as cores e formas, voltar para casa e montar um “look inspiração”? Tanta coisa bonita por aí…

Pushing Daisies – Inspiração

Pushing Daisies

No episódio da semana passada, mais uma referência sutil a Amélie Poulan: na tv, passava o Tour de France, a mais famosa corrida de bibicletas da França, talvez do mundo. Só quero ver que pista vão esconder hoje. Aliás, lindo o cabelo preso de um lado só. Fica charmoso, romântico e moderno. Chega de ficar todo mundo com a mesma cara!

O visual da série está cada vez melhor e com referências mais complexas. Dá para assistir só para pescar as dicas que os produtores vão deixando, como um quebra-cabeças. Inspiração é o que não falta.

A última que eu descobri foi a de Magritte, pintor surrealista francês belga que tinha como marca registrada as nuvens fofas no céu azul e os chapéus redondos de abas curtas. Na pintura dele, nem sempre as nuvens eram expressão de pureza ou calmaria. Pelo contrário, muitas vezes invocavam perturbações de espírito. Mas a expressão de Magritte por vezes beira o cômico e singelo, sempre com muita inteligência. É um pintor que vale a pena dar uma olhada. Aliás, o fato de Magritte ser um pintor surrealista tem tudo a ver com a série: afinal, uma pessoa que tem o poder de reviver os mortos por 60 segundos, ressuscitando uma pessoa  que por ele se apaixona e é correspondida, tem um cachorro que é um zumbi e pode até tornar os morangos frescos novamente para colocá-los dentro de uma torta, só pode ser meio surrealista, no sentido mais genérico do termo.

 

Inspiração…

 

Magritte - Mundo AzulPushing Daisies