Todos os artigos de Renata Tufano

Tradutora, escritora, viajante, curiosa. Essa sou eu.

Lançamento – Para Francisco

Não era só um lançamento de livro. Era um encontro. Pessoas foram até lá pra ver como é ser alguém que conseguiu superar a perda e a dor por meio da beleza. Porque o texto é lindo e a pessoa que o escreve também. O bate-papo começou descontraído, quase tímido. Poucas perguntas. O que perguntar pra alguém que já disse tudo? O que ainda pode se pedir para ver diante de alguém que nunca se esconde?

 

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Cristiana Guerra sorri pouco. Mas quando sorri, sorri com todos os dentes e toda a vontade. Sua economia de sorrisos não se reflete em suas palavras. Escreve muito, fala muito. O livro foi e é mesmo para Francisco, o filho que ela teve dois meses depois de virar viúva. “Ele vai gostar de ver o que escrevi quando crescer? Não sei”, diz ela, quando perguntada sobre sua exposição. Ela se expõe, ela se admite assim, aberta para a vida e para o mundo. Francisco não escolheu isso. Por isso, embora toda a razão de ser do livro e do blog seja ele, ela quer poupá-lo. Ele pode decidir o que quiser depois que aprender o que é estar nesse mundo.

Embora, como ela mesma diz, seja uma situação tão peculiar – uma mulher grávida que fica viúva – ela descobriu que muitas pessoas lêem o blog e se interessam pela sua trajetória porque, é claro, trata-se de uma história de amor. Um amor que nasce da superação da dor e da perda e da tentativa de lidar com um imprevisto cruel.

O mais incrível de toda essa história é que reuniu pessoas que nunca, provavelmente, se encontrariam. É isso, também, que tornou essa noite tão especial: as pessoas que estavam ali, emocionando-se com a história da Cris, também estavam encontrando novos amigos e começando uma nova história da afeto. Afeto e saber valorizar o que temos de mais importante: é assim que se aprende a viver.

Eu sempre penso nisso e, depois de ontem, vi que esse é um dos grandes segredos para se viver em paz, consigo mesmo e com os outros: saber ignorar o que parece ter importância, mas não tem, e valorizar o momento único e belo que jamais voltará. Lembro-me de uma frase do filme argentino O Filho da Noiva, que o personagem que perdeu a mulher e a filha pequena em um acidente diz para o amigo: “Quando você percebe que nunca irá te acontecer nada pior do que já te aconteceu, você adquire um certo poder”. Acho que a Cris tem esse poder.

Fiquei muito feliz de ter encontrado a Cris e, principalmente, de conhecer essas meninas lindas que começaram a fazer parte da minha vida nesta semana. Meninas de Sampa, vocês sabem onde eu estou. Ana, queria que o Rio fosse mais perto (uns 20 minutos, no máximo). Vamos ficar com as fotos, pra já ir matando as saudades.

 

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Cris Guerra e eu

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Dany, Lilian, Ana e eu com nossos livros autografados

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Ficamos até às 22h só pra bater essa foto

Encontro de Blogueiras

Hoje, aqui em São Paulo, vai ter o lançamento do livro Para Francisco, da Cris Guerra, que escreve o blog do mesmo nome. Aproveitamos para promover um encontro de meninas que só se conheciam pela blogsfera: LouLilian, Lily e a Ana do Hoje Vou Assim Off, que veio lá do Rio de Janeiro.

Sábado, a gente se encontrou, comeu pizza e deu muita risada.

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Na foto, eu, Lou, Ana, Lilian e Lily e os meninos acompanhantes.

 

Ontem, fui com a Ana passear pelas pontas de estoque da vida e para a 25 de março. Pegamos chuva, fomos abordadas por pessoas assustadoras e simpáticas e levamos bico de guarda-chuva na cabeça. O que seria dos passeios sem as surpresas? Pelo menos a gente riu muito!

No sábado, estávamos conversando na mesa sobre o que é escrever um blog e até que ponto podemos nos expor. Sim, concordo que o blog é uma exposição, que mostramos nossa cara, escrevemos nossas opiniões e ficamos à mercê do julgamento alheio. É um risco? Sim, claro, mas, no meu caso pelo menos, é um risco calculado. Sei quanto devo me expôr e até que ponto devo ir. Esta é minha casa on-line, mas só libero a sala de estar para as visitas. Falo e mostro o que quero.

Temos que tomar mesmo cuidado porque nunca se sabe o que se passa na cabeça das pessoas. Faço tudo na maior boa intenção e, como o encontro de sábado provou, ganhei amigas com isso. Um encontro que só foi possível graças à internet e aos blogs, à coragem de se expor (um pouco) e de querer compartilhar.

Para tudo na vida deve haver equilíbrio. Claro que o mundo virtual nunca substituirá o meu mundo real, onde as pessoas se encontram, se olham nos olhos e se abraçam. Mas o mundo virtual PODE proporcionar um encontro real, uma satisfação real, uma amizade real. Deve-se ter o bom senso de saber aproveitar o melhor dos dois mundos, sem que um substitua o outro. Blog e email, por enquanto, são suficientes para mim. Até tenho uma conta no Flickr mas ainda não usei. E tempo pra tudo isso, quem tem? Eu, ainda não. E nem sei se terei um dia. Se for pra passar 12 horas na frente do computador, é melhor pensar duas vezes. Quando vai dar tempo de sair, tomar um chá, bater um papo? Já escrevi sobre isso aqui e continuo tendo a mesma opinião.

Hoje, viva

 

“Tudo o que pertence ao passado é do âmbito da morte. Portanto, meu caro Lucílio, age como dizes na tua carta: sê o proprietário de todas as tuas horas. Serás menos escravo do amanhã se te tornares dono do presente. Enquanto a remetemos para mais tarde, a vida passa. Nada, Lucílio, nos pertence: só o tempo é nosso”.

Sêneca escrevendo a Lucílio. As cartas estão no livro As Relações Humanas, da Editora Landy.

O que eu estou ouvindo

Minha trilha sonora ultimamente tem misturado elementos diversos, todos inspiradores.

 

YAEL NAIM

Yael Naim é dona de uma voz suave que canta em inglês, francês e hebraico. Seus arranjos são meio folk, meio sexy e convidam a brincadeiras. Às vezes, tem um tom de melancolia que não chega a deprimir mas faz pensar. Além disso, a menina tem um estilo todo lindo, confortável, boêmio e despretensioso. Vale a pena! Ah, a moça também tem site.

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MADELEINE PEYROUX

Diva total, voz de Billie Holiday. Pra quem gosta de jazz (ou quer tentar), experimente. A música convida à dança e ao sorriso. Estou ouvindo Dreamland mas tem outros dois cds da cantora disponíveis para venda. Escolha o seu. Seu estilo é delicado, muita seda, cores suaves ou estampas marcantes, que parecem ter sido pintadas à mão.

 

 

AMY WINEHOUSE

Falem o que quiser do estilo suicida de vida, dos escândalos, das drogas, mas nunca esqueçam o principal: essa menina sabe cantar. Sua voz nem é tão de veludo mas sua interpretação é de rasgar o coração. Qualquer um dos cds de Amy vale a pena. No momento, estou ouvindo Back to Black, um cd de 50 minutos de música da melhor qualidade.

E não dá pra falar de Amy sem falar no seu corajoso estilo “sessentinha dos infernos”, com o mega hair e o delineador, suas duas marcas registradas. Pra se inspirar, não pra copiar!

 

Pra quem quiser tentar fazer o cabelão, esse cara ensina tudo: http://www.youtube.com/watch?v=mVoxsRmZrC8

 

 Se bem que, agora, ela está assim:

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Ui! Onde essa menina vai parar???

Impressões sobre a 5ª Semana de Moda e Cultura

As palestras da 5ª Semana de Moda e Cultura realizadas na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na semana passada foram dirigidas principalmente para profissionais e estudantes de moda, além de áreas afins, como jornalismo, arte, fotografia.

Os palestrantes eram todos destaques do cenário da moda brasileira atual, entre eles Paulo Borges, idealizador e realizador da São Paulo Fashion Week.

Quero destacar a palestra de Fábia Bercsek, que falou de criatividade e customização. O que ficou foi: moda é cada vez mais identidade e é preciso descobrir-se antes de descobrir sua moda. Quem é você? Do que você gosta? Que imagem você quer passar? Sem isso, fica impossível ter estilo. Estilo é, antes de tudo, quem você é e de que forma você escolheu mostrar-se para o mundo. Para isso, é preciso conhecer-se.

Parece fácil? Não é, porque requer um exercício de olhar para dentro antes de olhar para fora. É preciso, às vezes, coragem, para assumir escolhas e definir sua visão de mundo. Mas vale a pena pois é um exercício além de moda, além de roupa. É um exercício de sabedoria. Isso me lembra a entrevista que eu vi com o cineasta David Lynch que disse que a meditação, prática que o acompanha há mais de 20 anos, abriu sua mente para dentro e para fora e que, depois disso, ficou muito mais fácil saber o que ele queria em todos os sentidos: profissionalmente, pessoalmente, emocionalmente… Quase ninguém nos diz isso mas a maioria das neuras que temos e dos problemas que enfrentamos não existiriam se soubéssemos fazer escolhas apropriadas e tomar os rumos certos para nós mesmos.

 

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 Fábia Bercsek

 

Depois da palestra, fomos para a customização de camisetas, e nem preciso dizer que foi uma delícia. A minha ficou assim, depois que eu voltei pra casa e acrescentei algumas coisinhas do meu repertório:

 

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Outro destaque foi a palestra/bate-papo com o estilista André Lima, a jornalista e editora da l’Officiel Brasil Silvana Holzmeister e o fotógrafo Bob Wolfenson sobre Moda, Jornalismo e Fotografia. Uma hora de uma conversa inteligente, multidisciplinar (falou-se até das eleições americanas e do estilo de Michelle Obama) e inspiradora, daquelas que a gente sai com milhares de idéias na cabeça. Não consigo e nem tenho a pretensão de resumir tudo aqui mas acho que consigo expressar a idéia principal em apenas uma frase: moda é referência e não cópia. Claro que existe o fast fashion, aquela idéia das Lojas Marisa ou C&A, mas o legal é usar essas informações para ser criativo, usar suas próprias referências para construir uma imagem (de novo, descobrir-se) e, principalmente, ser curioso. Assista filmes (mesmo os que você acha “esquisitos”), ouça músicas novas, vá ao teatro, ao balé, enfim, faça coisas diferentes do que costuma fazer. Esse quebra-cabeças de informações, sua visão de mundo e suas experiências vão ajudar na criação de um estilo próprio e de um olho treinado para o que é bom. Olhe tudo: desde o mendigo na rua até as nuvens no céu. Tudo é inspiração. Lembro que uma vez o Alexandre Herchcovitch disse que “adorava a combinações de estampas das velhinhas que ele via na rua”. Ele até fez um desfile com essa inspiração. Ou seja, ABRA OS OLHOS!

 

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 André Lima, Silvana Holzmeister e Bob Wolfenson

 

Posso dizer que valeu muito a pena e que saí das palestras com a cabeça a mil, cheia de idéias. Além disso, foi tudo de graça! Precisamos de mais eventos assim, que não selecionam a partir da conta bancária, mas do interesse genuíno em participar e querer adquirir conhecimento.

Os alunos de moda da FMU, do Senac e da Belas Artes tiveram seus trabalhos de conclusão de curso expostos na livraria também. Olha que bonito…

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Inspiração

Andei dando uma olhada no site da Vogue e me deparei com várias idéias que a gente pode adaptar fácil com o que provavelmente já está no guarda-roupa. Olha só:

 

Mistura de Estampas

 

É claro que você já tem uma saia estampada, uma blusa estampada e um cardigan. A dica para a mistura ficar agradável ao olhar é escolher padronagens que tenham pelo menos uma cor em comum. A mistura acima é ousada e não agrada a todos mas eu acho bem interessante a brincadeira de misturar.

Caro X Barato

Misturar um vestido quase de festa, feito com tecidos nobres e com uma modelagem diferenciada, com outra peça mais com cara de dia a dia dá um efeito “tô nem aí” instanteneamente chique. Eu acho bem legal combinar peças que aparentemente pertencem a universos paralelos.

Mulherzinha

É lindo ficar arrumadinha com aquele tailleur que está há séculos no seu guarda-roupa (ou estava no guarda-roupa da mãe e já foi devidamente reformado). Incremente com colares grandes, broches e sapatos com detalhes no salto ou na fivela. Ah, essa também é sempre uma boa compra de brechó.

Estampas

Mais estampas que eu amo (olha como é fácil misturar listas e bolas) e detalhes de cor que fazem toda a diferença. Uma coisa que sempre gostei é misturar uma peça em preto e branco com uma outra colorida e vibrante (como a última foto). O efeito é sempre surpreendente. Além das estampas coloridas, de cores brilhantes, as estampas gráficas e com toque étnico também estão com tudo.

Delicadeza

Floral com fundo branco é lindo e delicado, coisa de princesa. Repare que a saia e o blazer tem estampas diferentes. Acho lindo também a mistura de estampado floral com fundo branco e renda. Pode ser um colete branco em cima de um vestidinho floral, que tal?

Bijuteria

Bijuterias grandes, marcantes, cheias de personalidade. Se jogue sem medo. Se não achar uma com a sua cara, faça um colar de fuxicos, junte umas flores de miçangas ou de crochê, enfim, enfeite-se! E capriche no óculos retrô!