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Viajar pra dentro da gente

 A gente viaja pra conhecer lugares novos, comer comidas novas e, se der sorte, até conhecer pessoas novas. A gente vai com a certeza que encontraremos um monte de coisas diferentes e que vamos trazer lembranças e várias histórias pra contar. Mas o que eu vejo, na maioria das vezes, é que uma viagem, dessas de verdade, que tiram a gente da zona de conforto e nos colocam em situações que às vezes nem gostaríamos muito, muda mesmo o lugar de onde a gente saiu. Quando voltamos, o apartamento não é mais o mesmo, nossas roupas encontraram outro significado, até o gosto da mesma comida de sempre é diferente. Viajar muda o mundo dentro da gente. E é por isso que faz tão bem: a gente traz com a gente outros mundos pra morar embaixo do mesmo teto, pessoas, gostos, paisagens, que nunca mais sairão de dentro de nós. Quando a gente começa a viajar, a gente não para mais. E isso não significa ir para a Europa todo ano ou até pro interior, ou pra praia, ou até mesmo sair do lugar. Com tantos lugares dentro da gente, conseguimos projetar na nossa vida uma mudança diária, um maravilhamento, uma sensação que as coisas estão, sim, diferentes. Muitas vezes pra melhor. E se a gente parou pra fotografar o por do sol em Santorini, porque não parar para observar o por do sol que se desenrola todos os dias bem diante da nossa janela?

Sobre o Vazio

A Espera – Cícero Dias – 1932 – Acervo do Itaú Cultural

 Às vezes, existe um vazio dentro da gente. Ele pode ser grande, enorme ou apenas um pequeno incômodo. Geralmente, todos nós queremos preencher esse vazio.

Muitos preenchem com roupas, acessórios e coisas que a gente pode colocar sobre o corpo. Essa é uma forma perigosa de preencher o que falta, porque quanto mais você se enche de coisas, mais vazio vai ficar o seu bolso. E o que é pior: vai sempre faltar algo.

Outra forma é tentar saber tudo, ler tudo, assimilar tudo. Ver todos os filmes, ler todos os livros, conhecer todas as pessoas ‘relevantes’. Também é uma busca sem fim. Sempre vai haver algum assunto no qual vamos ser ignorantes ou algum autor de quem nunca ouvimos falar. Entendam bem, não sou contra o conhecimento. Sou contra o esnobismo intelectual que exclui pessoas e faz com que esqueçamos de nós mesmos. Pensar demais pode ser um problema…

Mas, na maioria das vezes, esse vazio que todo mundo tenta preencher loucamente precisa existir. É parte do equilíbrio. Aceitar esse vazio é aceitar a dualidade de todas as coisas; é aceitar o silêncio de não dizer nada; é aceitar a perda quando não se ganha; é aceitar o fim que não queremos.

Aceitar o vazio também é aceitar uma parte de nós que precisa ser e ficar leve, talvez à espera, quando chegar alguma coisa realmente importante. Deixe um espaço vazio na estante, na parede, não ocupe uma cadeira. Faça um exercício de espera, de assentamento, de contemplação.

O vazio pode ocupar um espaço importante na sua vida. E isso não é triste: é deixar aberta uma porta para uma oportunidade que ainda não recebemos.

Inspiração para aceitar o “acaso”

 

“Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.

Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, mas não vai sozinha e nem nos deixará só, porque leva um pouco de nós e deixa um pouco de si.

Há os que levam muito e deixam pouco, há os que levam pouco e deixam muito.

Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que não nos encontramos por acaso.”

CHARLES CHAPLIN

 

😉

 

“A moda não perde seus direitos”

“Paradoxalmente, na Grã-Bretanha e na França, a guerra não fez desaparecer a moda, pelo contrário, estimulou novas expressões. Paris, especialmente, a despeito da Ocupação, pôde permanecer na vanguarda da moda, a da alta-costura, mas também daquele de um cotidiano a inventar com o que se tinha à mão. Houve uma moda bicicleta e mesmo uma moda bicicleta-táxi, como houve uma moda para entrar na fila (moda de verão e moda de inverno, certamente). Houve uma moda “zazu”: “As mulheres escondem sob pelos de animais uma blusa de gola redonda e uma saia plissada muito curta; seus ombros exageradamente carregados constrastam com os dos homens que os usam pendentes; longos cabelos descem em volutas em seu pescoço; suas meias são rajadas, seus calçados são baixos e pesados, elas carregam um grande guarda-chuva que, faça o tempo que fizer, permanece obstinadamente fechado” (L’Illustration de 23 de março de 1943).

Logo, toda mulher é convidada a criar seu próprio modelo de roupa ou capa, pronta para retalhar velhos trajes de homem, afirmando assim sua originalidade e sua capacidade de invenção. Mas Le Figaro aconselha sabiamente suas leitoras: com a condição “de não ser demasiado marcadas pela moda do momento, de maneira a poder sobreviver a ele”.

Maio de 1940, em Londres. Falsas meias pintadas e falsas costuras desenhadas pelas elegantes que não podiam sair com as pernas desnudas.

Moda de 1939: máscara de gás e ampla capa do costureiro Robert Piguet

O quase desaparecimento do couro está na base dos calçados de sola de madeira, que logo se tornam verdadeira moda, com modelos cada vez mais audaciosos.

Texto e fotos retirados do livro “As Mulheres na Guerra – 1939-1945, de Claude Quétel, Editora Larousse.

Inspiração para ‘vestir a memória de momentos mágicos’

 

“As roupas são composições que protegem e agasalham o corpo, mas que também podem (e devem) vestir a nossa memória de momentos mágicos. A roupa não é silenciosa. Ela dialoga. Mas apenas com quem entende sua linguagem. A roupa é como a música, o perfume ou uma obra de arte: imediatamente nos traz uma lembrança, uma sensação, uma emoção…”

Paula Acioli

no livro A menina que conversava com as roupas – Editora Memória Visual