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Inspiração

Andei dando uma olhada no site da Vogue e me deparei com várias idéias que a gente pode adaptar fácil com o que provavelmente já está no guarda-roupa. Olha só:

 

Mistura de Estampas

 

É claro que você já tem uma saia estampada, uma blusa estampada e um cardigan. A dica para a mistura ficar agradável ao olhar é escolher padronagens que tenham pelo menos uma cor em comum. A mistura acima é ousada e não agrada a todos mas eu acho bem interessante a brincadeira de misturar.

Caro X Barato

Misturar um vestido quase de festa, feito com tecidos nobres e com uma modelagem diferenciada, com outra peça mais com cara de dia a dia dá um efeito “tô nem aí” instanteneamente chique. Eu acho bem legal combinar peças que aparentemente pertencem a universos paralelos.

Mulherzinha

É lindo ficar arrumadinha com aquele tailleur que está há séculos no seu guarda-roupa (ou estava no guarda-roupa da mãe e já foi devidamente reformado). Incremente com colares grandes, broches e sapatos com detalhes no salto ou na fivela. Ah, essa também é sempre uma boa compra de brechó.

Estampas

Mais estampas que eu amo (olha como é fácil misturar listas e bolas) e detalhes de cor que fazem toda a diferença. Uma coisa que sempre gostei é misturar uma peça em preto e branco com uma outra colorida e vibrante (como a última foto). O efeito é sempre surpreendente. Além das estampas coloridas, de cores brilhantes, as estampas gráficas e com toque étnico também estão com tudo.

Delicadeza

Floral com fundo branco é lindo e delicado, coisa de princesa. Repare que a saia e o blazer tem estampas diferentes. Acho lindo também a mistura de estampado floral com fundo branco e renda. Pode ser um colete branco em cima de um vestidinho floral, que tal?

Bijuteria

Bijuterias grandes, marcantes, cheias de personalidade. Se jogue sem medo. Se não achar uma com a sua cara, faça um colar de fuxicos, junte umas flores de miçangas ou de crochê, enfim, enfeite-se! E capriche no óculos retrô!

Moda Gótica

 

 

Quando era adolescente, gostava de heavy metal e roupas pretas. Usava coisas pavorosas, me achando a rebelde (totalmente sem causa, diga-se de passagem). Mas quem não fez sua loucura adolescente que atire a primeira pedra!

Até mais ou menos um mês atrás tinha um vestido preto de veludo até o pé, que era a própria Morticia Adams! Hoje eu vejo muita gente gótica mas extremamente fashion, cheia de estilo e até com uma pitada de cor aqui e ali – geralmente os meninos nos acessórios e as meninas nas unhas e na maquiagem.

Bem, o estilo gótico agora é arte. O FIT Museum em Nova York abriu uma exposição chamada “Gothic: Dark Glamour”. O mais legal é que, além de mostrar as roupas, o visitante experimenta uma sensação que é a inspiração de quem cria e veste essas roupas: a cenografia é composta de castelos abandonados, laboratórios à lá Frankestein e labirintos angustiantes. As peças de estilistas famosos contracenam com o ambiente e o espectador, criando uma atmosfera inesquecível.

Pena não poder estar lá pra ver! E pena nenhum museu ou galeria moderninha tomar uma iniciativa assim por aqui! Por enquanto, deleitemo-nos com as figurinhas interessantes que passeiam pelo centro da cidade ou pelo bairro da Liberdade aos domingos…

E por falar em China…

 

Quem nunca teve uma blusinha chinesa? Ou um colar com pingente de dragão? Ou a perigosa e irresistível culinária? Hum…

Mesmo magoada com alguns fatos, não nego o quanto a China e seu povo podem produzir coisas lindas. Por um momento, um momento apenas, esqueço que aqueles jardins foram feitos só para demonstrar poder, que as decorações eram símbolos de opressão e que quanta coisa morreu para aquilo estar daquele jeito, ali.

Nesse momento em que me deixo seduzir pela beleza, penso que dá, sim, para viver num mundo belo e macio, sem precisar ferir ninguém. Mas sempre me volta o pensamento que roubando a seda do bichinho, dá pra fabricar verdadeiras carícias, tecidos tão finos e delicados que parecem não existir. Roubando algumas gemas da terra, pingentes, colares, pulseiras e brincos enfeitam o corpo com seu toque gelado. Sim, estamos roubando… Ou será que a Terra está nos presenteando?

Considero alguns objetos produzidos pelas mãos habilidosas de artesãos a partir de suas belezas naturais como um presente que o planeta me deu. Uso-os com carinho, quase como uma homenagem. Meu presente é não desperdiçar recursos e matar o mínimo possível. Mas ainda estou devendo.

Sa Dingding

 

Essa menina linda aí em cima é uma chinesa de 25 anos que é a mais nova sensação do pop asiático. A música me agrada bastante, uma espécie de “Enya confucionista” como os críticos a estão chamando.

Mas o que eu mais gostei até agora é sua personalidade no palco. Uma coisa assim, meio Björk, com trajes de princesa asiática que ela mesma desenha. Ela mistura muitas referências, inclusive biográficas, em suas roupas e em sua música.

“Meu pai é Han (etnia majoritária na China) e minha mãe é mongol. Canto em mandarim, tibetano, sânscrito e lugu lugu, e ainda me sinto completamente chinesa”. Ela esteve quatro vezes no TIbet, onde gravou um videoclipe para seu disco, de uma canção tibetana. “Tenho vários amigos tibetanos, eles nunca demonstraram nenhuma raiva contra os chineses”, diz ela.

Além de ter vivido na China e como nômade na Mongólia Interior, Sa ainda viveu na Europa. Imagine como tudo isso se mistura na música e no visual: o resultado é encantador.

Isso me deu uma idéia boa: porque não substituir os botões daquela camisa branca por alamares de tecido? Arrematar um corte de musseline com um galão bordado e criar um lindo lenço? Prender o cabelo com palitinhos? Inspiração chinesa… Divirta-se!

Aliás, se você quiser ouvir a música hipnótica de Sa Dingding, visite o myspace da moça.

 

Kaffiyeh

Menino usando o Kaffiyeh
Menino usando o Kaffiyeh

Saiu na Veja São Paulo deste final de semana: os paulistanos estão adotando o kaffiyeh, o tal lenço palestino que o Balenciaga lançou no desfile de inverno há quase um ano.

A maioria das pessoas, senão todas as que estão usando, não sabem de onde vem nem seu significado. Usado pelos homens, representa a união das famílias contra a opressão do colonizador. No começo do século 20, os britânicos ocuparam muitos territórios no Oriente Médio, inclusive a Palestina. Os palestinos, então, lutaram contra a ocupação, usando todas as formas de resistência. Quando os britânicos se deram conta de que não seria uma tarefa fácil enfrentar os líderes da resistência, começaram a tomar as terras e os recursos dos locais.

Nos anos 30, o kaffiyeh tornou-se um símbolo da resistência da organização armada contra o roubo das terras. A maioria dos “soldados” eram camponeses que já usavam lenços e viviam nas montanhas ou em vilarejos, em contraste com os homens da cidade, que usavam o Fez.

O Fez turco
O Fez turco

 

Para escapar dos perseguidores, os membros da resistência escondiam-se em cidades e vilas maiores. Mas, usando o kaffiyeh, era fácil identificá-los. O exército britânico prendia qualquer camponês que estivesse usando o lenço para minar as forças da resistência.

Para evitar que isso acontecesse, todos os homens palestinos, fossem eles da cidade, dos vilarejos ou das montanhas, começaram a usar o kaffiyeh. Também não andavam mais com seus documentos de identificação. Essa ação de toda a sociedade palestina foi um grito de apoio à resistência.

Yasser Arafat, que usava o lenço enrolado na cabeça durante seu tempo na resistência e depois como presidente da Autoridade Nacional Palestina, também ajudou na divulgação do kaffiyeh. Mulheres e homens, jovens ou idosos, usam o kaffiyeh como símbolo da resistência e solidariedade com a luta do povo palestino.

Vejo com reservas essa popularização do símbolo, tão forte entre as pessoas que conhecem essa história. Será que podemos considerar seu uso indiscriminado um desrespeito à origem do objeto? Será que mudar sua cor para roxo, rosa ou amarelo causaria constrangimentos e ofensas? O kaffiyeh pode ser preto e branco ou branco e vermelho.

Não sei como essa história vai acabar… Mais um modismo que veio e que irá embora, mais uma forma de deixar todas as pessoas com caras parecidas, roupas parecidas… Não faz meu gênero. Fico com a opinião de Rita Wainer, estilista da 2nd Floor: “Em vez de usar um símbolo sem conhecê-lo direito, seria melhor optar por um lenço com estampa de florzinhas”. Ou de sapatinhos, pra não ofender ninguém…

Echarpe de Seda com sapatinhos à venda no met.org
Echarpe de Seda com sapatinhos à venda no Metropolitan Museum NY – http://www.met.org

 

PS. Falando em mundo árabe, tenho uma coisinha bem interessante pra vender… olha lá no QUER COMPRAR?

Acho que dá…

Modelo da Burda Moden - 1956

Enquanto se leva mais tempo e, às vezes, se gasta mais, para encontrar algo que não incomode suas posturas éticas, está muito em voga a moda vintage. Acho isso ótimo, como já comentei neste blog, porque é uma atitude anticonsumista e extremamente inteligente. Não precisa ter marca famosa, mas pode ter uma ligação afetiva, o que é muito mais relevante.

Se você usa o vestido da sua avó, reformado ou não, esse vestido tem uma história que você está ajudando a contar. Não é sair por aí caçando num brechó de marca um vestido que não tem nada a ver com sua história de vida e seu gosto, e ainda por cima é meio caro. Essa busca é boa quando é feita dentro de casa, sozinha ou com amigas (mãe, pai, irmãos e irmãs também podem ser amigos). Redescobrir a história daquela peça, daquele anel, reencontrar uma foto de alguém usando aquele vestido (“quando e para quem foi essa festa?”) é muito mais do que simplesmente se vestir bem. É viver bem.

Aliás, amei a sapatilha aí de cima e o tom do verde é fantástico… É só tirar o tutu!