Todos os artigos de Renata Tufano

Tradutora, escritora, viajante, curiosa. Essa sou eu.

Tricotando pela WWW

Links que eu amo, de tricô, de paixão pelo tricô, de coisinhas bonitinhas demais para comprar! Vamos lá:

Comprar lã: em inglês, tem o fabuloso Elann. Nunca comprei, mas só ouvi coisas boas a respeito. No Berroco também tem uma variedade enorme, especialmente de fios naturais. Se não for comprar, vale a visita pela belezura das meadas… Em português, compro muito na Aslan, que só vende pacotes fechados a um ótimo preço. A Milady também vende lãs diferenciadas e acessórios, além de compartilhar receitas.

 

  • Receitas: em inglês, o mesmo Berroco acima disponibiliza receitas gratuitas e pagas. Dica: dá pra se divertir bastante sem pagar nada. Tire um tempinho pra olhar com calma. Em português, a Cisne e a Pingouin tem sites ótimos com receitas, explicações e tabelas de cores de seus fios e outros dicas práticas de lavagem e conservação. E por falar em receitas, já comprou a sua Edição de Luxo Outono/Inverno da Mon Tricot? O melhor é que tem um monte de peças facinhas, glossário de pontos e acabamentos e várias receitas com os fios clássicos da Pingouin, pra usar o que você tem guardado.

 

  • Blogs de apaixonadas pelo tricô: Coração de Tricô e o Mon Tricot, sempre uma inspiração. E aproveita as super aulas do básico do tricô que o Superziper tá dando… Outro lugar bem interessante é uma comunidade, em inglês, onde todos os apaixonados por tricô e crochê do mundo se encontram: entre no Ravelry.

 

  • Para comprar: a Koki faz acessórios fofíssimos e muito divertidos de tricô e crochê. Coisa mais linda… E a feiticeira das agulhas é na verdade uma encantadora dos fios. Verdadeiras obras de arte que ela faz e vende com carinho. Clica lá.

 

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Boas tricotadas!

P.S. Importante!! > Não me lembro de onde peguei as duas imagens que ilustram este post! Se alguém conhecer, por favor, me avise para eu dar os devidos créditos!

Tricô Surreal

 

 

Esse tem receita em inglês

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E ambos são surreais porque me lembraram de uma obra chamada Objeto que mora lá no Museu de Arte Moderna de NY – o MoMA.

Tirem suas próprias conclusões… Será que o café vai ficar quentinho?

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Claro que eu estou brincando… Esse objeto serve para discutir a representação das coisas: o que vemos representado é realmente o objeto que conhecemos? Vemos uma xícara e uma colher, mas a forma não condiz com o aspecto e muito menos com a utilidade que esses objetos teriam. Essa discussão começou lá atrás, com Magritte, quando ele pintou isto:

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Isto não é um cachimbo… Isto não é uma maçã. O que parece tão óbvio hoje, que o que vemos acima não é o objeto, mas uma representação do objeto, gerou bastante polêmica no começo do século 20. E, pra agitar ainda mais os ânimos, Magritte também se fotografou, escrevendo: “Este não é Magritte”:

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Mas o que tá lá em cima é tricô, sim, pode confiar…;) E aproveita pra comer uns bolinhos com o chazinho…

Estou devendo o crédito! Se alguém conhecer, me avise por favor!

 

 

Peças Rápidas e Fáceis de Tricotar – Pequenos Mimos

Gosto muito de tricotar peças que tem uma modelagem mais democrática e podem ser usadas de vários jeitos. Geralmente peças pequenas, o que as torna rápidas de tricotar. Usando as novas lãs bem trabalhadas, não precisa nem inventar muitos pontos. Mas, se quiser, as tranças estão super em alta. SALVO QUANDO EU MOSTRAR, ESSAS PEÇAS NÃO TÊM RECEITA. Eu explico como fiz cada uma porque também não tive receita para elaborá-las. São pequenas peças perfeitas pra meia-estação ou pro inverno dos que não tem inverno! 😉

CAPINHA

Essa capinha é o seguinte: dois retângulos do mesmo comprimento e de larguras diferentes. O mais largo é trabalhado com o ponto turco (1 tricô, 1 laçada, 2 pontos juntos em tricô), começando e terminando a carreira com 10 pontos tricô. O segundo retângulo tem o mesmo comprimento e metade da largura e é todo feito em cordões de tricô. No arremate, sobre a costura dos 2 retângulos (a costura tem 1 terço do comprimento, sobre o centro da peça), um babadinho feito assim: são 8 carreiras em tricô, mas você começa, por exemplo, com 10 pontos e, a cada carreira, dobra o número de pontos, fazendo 1 tricô, 1 aumento, até o final da carreira. Pra saber com quantos pontos você vai começar, faça uma amostra pra ver o tamanho que você quer. O fio é 100% vintage, original dos anos 70, que minha mãe comprou antes de eu nascer. Que delícia tricotar um fio carregado de tanta história e guardado com tanto carinho.

GOLINHA/PELERINE/PALA

Essa peça é uma graça e fica bem pra todo mundo: dá pra usar por cima de vestidos, golas, camisas e até camisetas. Esse fio também é original dos anos 70 mas ainda é vendido. Ele se chama Club e é da Pingouin. É um clássico que pode ser encontrado na maioria dos armarinhos. Essa pelerine/gola usa a famosa técnica das carreiras invertidas, que são muito divertidas de fazer! Pra facilitar a contagem e poder fazer tricô vendo TV sem errar a receita, use um daqueles aneis marcadores de carreira japoneses. O negócio funciona mesmo! Tem pra vender no site da Aslan. E essa peça TEM RECEITA AQUI.

XALE/CACHECOL/GOLA

 

Coisa mais fácil do mundo: faz de conta que você vai fazer um cachecol mas coloca uma quantidade de pontos um pouquinho maior na agulha, pra ficar mais larguinho. Quando acabar de tricotar a tira, costure as duas pontas e pronto! Dá pra usar dos dois jeitos, como dá pra ver. Usei um fio que também já saiu de linha (eu compro muuuito antes pra fazer muuuito depois!) que é parecido com o Passion da Cisne mas tem umas bolinhas coloridas dentro, muito lindo.

BOLERINHO/CACHECOL

  

É praticamente a minha receita fácil de bolerinho de tricô, só que de mangas curtas, como este aqui. Colocando uma manga dentro da outra, ele vira um cachecol/gola. Usei apenas um novelo da Passion e tricotei com agulhas n.7.

BOAS TRICOTADAS!

Dá trabalho… Mas vale tanto a pena!

Todo mundo gosta de ter alguém pra conversar, pra chorar no ombro, pra rir junto. Mas relacionar-se não é sempre fácil. Aliás, na maioria das vezes, dá um trabalho danado…

A gente sente saudades de quem a gente não vê sempre, todos os dias. Isso pode ser bom. Quando a gente encontrar aquela amiga/aquele amigo de novo, vai ser mais bonito, vai ter mais coisas pra falar, mais assuntos pra colocar em dia. Tenho amigos muito queridos que não vejo há tempos e outros que não vejo há semanas mas sinto saudades de ambos. O legal da saudade é que ela milagrosamente ‘apaga’ falhas, discussõezinhas e discordâncias…

Há pessoas fáceis e pessoas difíceis. Isso não é uma qualificação profissional nem analítica. É o que observo: há pessoas que se esforçam, são compreensivas, compassivas e sorriem mais. Outras são mais rígidas, querem as coisas à sua maneira e algumas, infelizmente, perdem o amigo mas não perdem a discussão. O que fazer? Será que seria legal dar um toque, dizer que algumas coisas não são tão importantes quanto o sentimento de quem vai ser atingido? Que dizer ou fazer alguma coisa diferente do que você diria ou faria não significa, necessariamente, que se deve começar uma discussão para ‘tirar as coisas a limpo’? Saber calar é uma arte a ser aprendida. Tem gente que simplesmente não sabe a hora de ficar quieto, ou melhor, de ‘deixar quieto’. Sabe aquela pessoa que discute com você porque você errou uma estatística? Que argumenta e verifica tim tim por tim tim tudo o que aconteceu, tudo o que você disse, pra tirar as coisas a limpo? Chatice… Essa pessoa nos afasta dela.

Eu tento ser flexível, tento encarar as coisas numa boa, tento ser compreensiva a maior parte do tempo porque é exatamente assim que eu queria que as pessoas me tratassem. Mas, mesmo depois de tanto tempo, ainda não aprendi que existem pessoas que não pensam assim. Às vezes, me machuco e me canso. Canso de engolir sapo, de ‘entender’, de justificar atitudes que poderiam ser mudadas, evitadas, apenas se aquela pessoa se importasse com meus sentimentos.

Todo mundo tem ‘seu jeito’ de agir, de falar, de fazer as coisas. Eu tenho o meu. Mas conviver significa também abrir mão de certas coisas, ceder, entender o jeito do outro, que não é necessariamente errado só por ser diferente. O difícil é perceber que nem todo mundo pensa como eu e, o que é pior, a maioria dessas pessoas acaba pisando em pessoas como eu, que cedem, que ficam quietas pra evitar briga e causar mal-estar.

Eu já briguei, já discuti, hoje eu simplesmente tento colocar um espelho na minha frente para que as pessoas vejam como elas ficam feias quando escolhem não se esforçar pra fazer outra pessoa feliz. Na maioria das vezes, essas pessoas não se dão ao trabalho de olhar e continuam a espalhar o mal do qual são fontes. Eu estou falando de pessoas que eu gosto, que gostaria de ter mais em comum, mas que simplesmente fecham a porta para um relacionamento de amizade por achar que não devem ceder nem um pouquinho. E, infelizmente, tem sempre alguém pra justificar suas atitudes.

Pra ser amigo é preciso tirar tempo, se interessar, perguntar, querer saber, envolver-se. Não dá pra ser amigo de vez em quando. Ou você é ou não é. E sabe o que é pior? Tem muita gente confundindo grude com amizade. Viver grudado não é necessariamente ser amigo.

Como eu disse no começo… Tenho amigos que não vejo, alguns há anos!, mas nem por isso deixei de guardá-los em meu coração. Ter amigos é uma delícia, dá trabalho, sim, mas o que é que vale a pena nessa vida que não dá trabalho? E desde quando trabalho é ruim? Se a gente não conservar, tudo se perde, inclusive os sentimentos. Não sei lidar muito bem com perdas, por isso me esforço em manter. São os amores que fazem a vida mais alegre. E cultivar amores é uma arte.

Inspiração para superar a ausência

 Para 

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

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Carlos Drummond de Andrade