A noite passada acordei com o teu beijo descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo vinhas numa barca que não vi passar corri pela margem até à beira do mar até que te vi num castelo de areia cantavas “sou gaivota e fui sereia” ri-me de ti “então porque não voas?” e então tu olhaste depois sorriste abriste a janela e voaste
A noite passada fui passear no mar a viola irmã cuidou de me arrastar chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo olhei para baixo dormias lá no fundo faltou-me o pé senti que me afundava por entre as algas teu cabelo boiava a lua cheia escureceu nas águas e então falámos e então dissemos aqui vivemos muitos anos
A noite passada um paredão ruiu pela fresta aberta o meu peito fugiu estavas do outro lado a tricotar janelas vias-me em segredo ao debruçar-te nelas cheguei-me a ti disse baixinho “olá”, toquei-te no ombro e a marca ficou lá o sol inteiro caiu entre os montes e então olhaste depois sorriste disseste “ainda bem que voltaste”
Nos dias 12 e 13 passados, fiz um curso de como fazer seu próprio adesivo na loja da Nike Pinheiros, na Praça dos Omaguás. O curso foi dado pelo coletivo SHN, referência na arte urbana brasileira, presente em várias ruas de São Paulo e de outros centros urbanos.
Eu fui mais como curiosa, para perceber um pouco daquela cultura e aprender um pouco da técnica de silk-screen. O trabalho é super artesanal, braçal e exige tempo e espaço.
Logo no começo, percebi que estava entre pessoas que sabiam o que estavam fazendo. Logo que o pessoal explicou como seria e pediu pra gente desenhar, vi que estava cercada de gente talentosa. Mais que isso, aquele pessoal fazia aquilo com uma leveza que parecia brincadeira. Do meu lado, o André desenhou um macaco com cara de mau em poucos segundos. Na minha frente, a Camila Minhau desenhava um de seus famosos gatos. Aliás, já falei da Minhau aqui e tive o prazer de conhecê-la pessoalmente. Uma linda! Talentosa de tudo! Estava acompanhada do marido, Chivitz, grafiteiro dos bons também. Depois, passem lá no Flickr dela pra conhecerem melhor seu trabalho e seus gatinhos. Teve também quem levou seus desenhos já prontos ou esboçados, como o Tiago, que estava no meu grupo e fez uma coroa.
Só sei que quando vi todo aquele povo desenhando muuuito e fazendo coisas lindas, me senti como uma criança no pré-primário. E minha única reação diante daquilo tudo resultou no meu adesivo:
Mesmo diante de tanta arte competente, não me senti um peixe fora d’água. A turma era bem legal, todo mundo se ajudava, espírito colaborativo total. Aprendi muito e, principalmente, conheci pessoas que estão tentando fazer a cidade ficar mais bonita. Como a Minhau disse “estamos lutando contra o cinza”. Às vezes, uma parede colorida faz toda a diferença numa comunidade carente. Saúde e educação, moradia decente e alimentação saudáveis são o básico para todos. Mas o ser humano não vive só do básico. Isso seria sobrevivência, não vivência. É necessário ter prazer, conseguir sorrir, olhar o mundo de uma forma contemplativa. E isso é impossível se seu estômago ronca e você não tem onde dormir. Mas talvez possa ser a inspiração para lutar por um mundo mais colorido, onde a beleza sirva de inspiração para se realizar como ser humano.
No final, todos trocaram adesivos e endereços eletrônicos e, tenho certeza, saíram enriquecidos com a experiência. O meu ficou assim:
Para saber mais sobre a programação cultural da Nike, clique aqui. Para mais fotos, vá pro Flickr.
Pra sair por aí, no verão, e aproveitar uma peça que com certeza você já tem: uma canga! Acompanhe o passo a passo e faça a sua!
Pegue uma canga que você já tenha. A parte mais estreita tem que ser larga o suficiente para dar a volta na sua cintura.
Passe por trás e dê um nó na frente.
Agora, pegue o tecido e passe pelo meio das pernas, amarrando na cintura e dando um nó atrás.
Dê uma arrumadinha no tecido, para não ficar muito largo. Enfie um pouquinho dentro do primeiro nozinho e faça franzidos.
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Pronto! Taí sua nova bermuda saruel! Fica linda também com um cinto de macramê ou trançado por cima e sandálias rasteiras.
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Se eu quiser ser bem chata, essa não é bem uma saruel, mas é chamada de calça envelope. É muito usada na Índia e no norte da África. A semelhança com a saruel é que ela também tem o característico cavalo baixo. Olha ela aí no desfile da Iódice no SPFW Primavera/Verão 2009:
Carmen Miranda faria 100 anos esta semana, precisamente no dia 9 de fevereiro.
Não vou ficar falando da história dela e de como ela foi importante para passar um pouco da cultura brasileira para o mundo. Isso qualquer um acha no Google. Vou falar de como eu gosto de Carmen Miranda.
Primeiro, acho que ela tem um carisma enorme, um sorriso maravilhoso e um olhar vivo e brilhante, que nem uma película de filme em preto e branco conseguiram esconder. Imagine na década de 40, uma mulher sai do Brasil para prosseguir a vida como artista nos Estados Unidos, pois já era uma intérprete de sucesso por aqui. Seu grande hit veio na década de 30, cantando “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymmi. Se é complicado agora, imagine só naquela época! Mas ela foi. E tornou-se a artista estrangeira mais bem paga do cinema.
Além disso, acho o máximo o que ela fez com o figurino. Ela sabia que o personagem não está completo sem o figurino adequado. Por isso, desenhava e costurava as próprias roupas, os adereços de cabelo e o monte de balangandãs (é assim que se escreve?). E para compensar a baixa altura, 1,53m, inventou as plataformas gigantescas. Figurinos riquíssimos, cheios de bordados e caprichos, que ela guardava com carinho e que hoje moram no Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro.
Sua irmã, Aurora, dizia que, se não tivesse sido cantora e artista, teria sido estilista. Ela adorava pesquisar tecidos, inventar modelagens, experimentar. Parecia ligada no 220V, gesticulava muito e falava alto. Seus olhos verdes pareciam duas esmeraldas e irridiavam um brilho difícil de imaginar apagado.
Mesmo assim, apagou-se. Cedo demais. No documentário produzido pela irmã, “Banana is my business”, podemos ver um pouco da tristeza dessa portuguesinha brasileira que ria tanto. Na biografia de Ruy Castro, “Carmen”, também.
Desde pequena, ouvia as músicas de Carmen Miranda, especialmente “Taí” e “Alô, Alô”, que sei de cor. Aquela vozinha aguda e simpática nunca mais me deixou. E acho que ela também não deixa mais o imaginário cultural brasileiro.
Em novembro do ano passado, a Revista Cláudia publicou um especial de roupas de festa por até R$380. E só deu Varal do Beco!
Confira as fotos:
Vendo essas fotos, podemos tirar algumas conclusões sobre roupa de brechó:
A não ser que você esteja indo para uma festa temática, não se vista inteiramente com peças de época. Misture elementos bem contemporâneos com as peças antigas. Reparou na primeira foto? A blusa de renda do brechó foi usada com uma calça saruel.
Cuide do cabelo e da maquiagem. Arrume-se, faça um penteado e uma maquiagem caprichada. Senão, vai ficar com uma cara triste e isso vai passar para a roupa, que como num passe de mágica (muito do mal) acaba parecendo “velha” em vez de “antiga” ou “de época”.
Não tenha medo. Mesmo peças bem datadas (como o vestido de seda anos 70 de mangas bufantes aí em cima) podem fazer milagres por você numa produção bem feitinha. Quando é o caso de uma peça inteira, como um vestido, capriche nos acessórios: sapatos e bolsas impecáveis.
Não se engane: fazer uma boa combinação com peças vintage exige tempo e paciência. Se você não está a fim, não force. É preciso gostar de garimpar para entrar nesse mundo maravilhoso dos brechós!
Nesse sábado, eu, Lily e Lou fizemos um passeio bem legal: fomos conhecer os brechós da Vila Madalena.
Quer dizer, a intenção era conhecer vários brechós mas acabamos ficando num único endereço: o Brechó Varal do Beco.
E não é pra menos. O brechó é enorme, tem milhares de peças, super organizado e limpo. Nossa impressão foi das melhores. Logo que entramos, já soubemos que seria uma boa garimpagem.
Mensagem no provador... Esse lugar é pra entrar e descobrir aos pouquinhos...
“Realmente é uma voltinha ao passado com muita surpresa e diversão,e acima de tudo memória e originalidade. Entre nossas araras você volta no tempo e automaticamente já entra no clima da sua festa de Época ao tocar em uma roupa antiga e perceber pela textura,estamparia e modelo que se trata de um tecido que deixou de ser fabricado; com modelos estruturados ,muitos dos quais de alfaiataria e de grifes passadas que já não mais existem (nutrisport, poolsport, daruma, sela, karibé, captólio, lumiéri e ustop e etc),com cores e estampas impactantes e surpreendentes”, diz o site do brechó, aliás, site super organizado que vale uma visita atenta.
E o site continua: “Um brechó com um apurado gosto vintage, onde o forte são as araras, com relíquias, que se renovam constantemente. Nosso vício é a necessidade e o prazer de garimpar peças raras diariamente. Sempre buscando novas fontes, não apenas em São Paulo, mas em todo o brasil e exterior. Com estes frequentes achados nosso acervo cresce dia após dia. E além de locarmos, também vendemos. E o preço é uma bagatelinha….. Um brechó de bom gosto; fácil para localizar as peças,todas organizadas por categoria e estilo, higienizadas, onde o cliente, se quiser, pode até sair vestido, pois a roupa estará sem defeito,limpa e liiiiiinda!!!!”.
É tudo verdade! O brechó Varal do Beco é especializado em peças dos anos 50, 60 e 70 e tem mais de 1000 peças em seu acervo. Veja o que separamos de mais bonito:
Renata veste:
Coletinho de renda e babados (duas tendências fortes!) – R$21
Batinha de veludo – R$38 (VENDIDA)
Vestido tubinho com estampa imitando tingimento – R$44 (VENDIDO)
Babados e Bolinhas – R$64 (somente para aluguel)
Lily veste:
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Vestido de chiffon – R$68 (VENDIDO)
Cinto – R$21
Bolsinha – R$68
Vestido tubinho – R$69 (VENDIDO)
No detalhe, bolsinha rígida, original dos anos 80 – R$32
Lou veste:
Faixa com rosas de tecido para a cintura – R$8 (somente aluguel)
Mistura de estampas!
Blusa de tricô – R$22
Saia de tafetá – R$36
Só posso dizer que, se brechó é bom, brechó com as amigas é melhor ainda! Fora todas essas roupas lindas, ainda contamos com a ajuda e a simpatia total da Sandra, que nos ajudou a escolher acessórios, deu palpites e sugestões muito bem vindas e aceitas e teve a maior paciência do mundo nas 3 horas que ficamos ali! Sandra, você é um amor!
Sandra, com seu jeitinho calmo e sorridente!
Outros achados surpreendentes:
Vestido de babados – R$68
Vestido tipo chemisier da Zara – R$68
Vestido de jersey, com busto forrado e detalhe de trancinhas – R$98
Vestido xadrez com babados no decote – R$44
Saia com estampa de lacinhos – R$38
Carteira de mão marrom – R$23
Carteira de mão vermelha – R$26
Carteira de mão preta – R$24
Carteira de mão azul-marinho – R$22
Apareçam por lá:
O Brechó Varal do Beco fica na rua Cardeal Arcoverde,1771.
Entre as ruas Mourato Coelho e Fradique Coutinho.
Com estacionamento conveniado na Rua Cardeal Arcoverde, 1745.
Qualquer dúvida: Tel: (11) 3032-5074 / 8294-6802
E olhem a Vitrine Virtual que eles também entregam na sua casa!
Para mais fotinhas e making of, dá uma olhada no Flickr.