Todos os artigos de Renata Tufano

Tradutora, escritora, viajante, curiosa. Essa sou eu.

Tricomania

Encontrei um site A-LU-CI-NAN-TE com receitas e idéias de tricô e crochê maravilhosas! Embora seja todo em inglês, mesmo para quem não conhece o idioma mas já tem uma certa intimidade com linhas e agulhas, pode arriscar sem medo! Receitas explicadinhas, muita criatividade e até algumas lãs e receitas à venda, pra quem não se contentar com pouco.

Dá uma olhada nessas bolsinhas e veja se não são apaixonantes:

 

CORRE LÁ!

Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa: tem que saber

 

Todo mundo quer escrever e falar bem. Eu, pelo menos, gosto de escrever tudo certinho, sem aquelas abreviações que as pessoas costumam usar quando escrevem em blogs ou em conversas instantâneas. Leva mais tempo e prova que temos cuidado com nossos leitores e prezamos a compreensão textual. Esse papo de professora (o que posso fazer? É a minha vocação…) surgiu porque a língua portuguesa vai passar por uma reforma ortográfica, que vai mexer em algumas coisinhas chatas que nunca incomodaram ninguém e nos privar da companhia de um grande amigo: o trema. Sim, esse sinalzinho (¨) que tanto incomoda quem está começando a escrever (não sei bem o porquê de tanto incômodo) era o que nos ajudava a pronunciar as palavras de forma correta. Com o trema, o u é pronunciado, sem o trema, não. Será que, com o tempo, as pessoas vão esquecer de como se pronuncia sagüi? Ou ficarão em dúvida quanto à pronúncia de adquirir? Afinal, ficou tudo igual. Em alguns dicionários, o trema continua no verbete para explicar aos leitores a pronúncia da palavra. Em outros, o sinalzinho é substituído por uma frase inteira: “o u é pronunciado”.

A maioria dos especialistas diz que essa reforma só veio para complicar. Imagine quantos livros precisarão ser revisados, quantas apostilas refeitas, quantos profissionais envolvidos nesse processo?

Qualquer que seja sua opinião, uma coisa é certa: temos que saber o que vai mudar. O autor do Michaelis Português Fácil, da Melhoramentos, e de mais de 30 livros didáticos, Douglas Tufano, explica tudo: www.douglastufano.multiply.com

Como as pessoas se vestiam

Mary Cassatt - Lydia fazendo crochê
Mary Cassatt – Lydia fazendo crochê

Para quem estuda literatura ou mesmo para quem gosta de ler, é muito interessante prestar atenção à descrição dos detalhes e costumes do passado. Lendo os clássicos da literatura universal, podemos pescar algumas coisas que exemplificam esses hábitos, hoje desaparecidos, que antigamente até mesmo “classificavam” a classe e origem social da pessoa.

As mulheres deviam ser prendadas, saber costurar, bordar, consertar e isso nem faz tanto tempo assim. Fora a parte que denota uma certa imposição de fazer as mulheres ficarem dentro de casa, acho super útil que saibamos costurar, bordar e consertar. Para nós mesmas, para podermos ser auto-suficientes e não ficar dependendo de alguém para dar um simples pontinho ou pregar um botão. Claro que hoje não é mais exigência que uma boa moça de família borde todo o seu enxoval – incluindo lençóis e toalhas com monogramas – mas acho lindo quem tem disposição e arruma um pouco de tempo para bordar aos pouquinhos um detalhe aqui e outro ali da sua casa.

“Mas as mulheres trabalham, são sempre tão ocupadas, quem consegue bordar???”, perguntariam alguns. Eu respondo: nós arranjamos tempo para o que queremos, fazemos nossos planos e arranjos para contemplar nossos desejos. Quando uma pessoa diz que não teve tempo para fazer algo que ela deseja muito, é necessário se perguntar o que está faltando para o desejo se concretizar. Planos simples, como fazer ginástica ou começar um hobby, dependem da nossa força de vontade. Temos que mandar a preguiça ir passear e começar a nos organizar.

Organização, para algumas pessoas, acabou virando sinônimo de chatice. Eu acho que a organização, além de ser necessária inclusive para o nosso prazer, não deve ser encarada como uma vilã. É bom organizar, ter as coisas arrumadinhas, tempo para nós mesmos, disposição para experimentar coisas novas. Temos que assumir a responsabilidade por nossa própria organização de vida, e não deixar que outras pessoas assumam o ônus de cuidar da gente (isso serve para todos aqueles que já tenham condições e formação suficientes).

Por outro lado, ajuda, carinho e uma dose de interesse alheio não fazem mal nenhum. Mal é sentir-se confortável em depender do outro, não buscar seus próprios méritos e não retribuir com carinho o carinho do outro. Para alguns, carinho é dar um presente. Para outros, é dispender uma hora do dia para ouvir o problema de um amigo. Temos que saber entender o carinho do outro.

Puxa, isso foi longe. Comecei falando de como as pessoas se vestiam no passado e acabei falando de relacionamento. Engraçado é que, sempre que falo do passado, essas pequenas atenções me vêem à mente, sorrateiras. Será que tudo isso ficou no passado? Tenho certeza que não. Meus amigos (pouquíssimos, claro) me provam todos os dias que ainda dá pra amar sem grudar, ter carinho sem dar presentes milionários e ajudar um pouquinho, nem que seja emprestando o ombro e o ouvido.

Bolsinhas tricotadas

Dentre os meus projetos de tricô, recentemente incluí algumas bolsinhas. Achei muito legal porque dá pra tricotar rápido e da cor exata que a gente quer pra combinar com aquela roupa! Olha só:

 

Bolsinha vinho de linha

 

Para esta bolsinha, usei a Pingouin Bella. Muito fácil: cordões de tricô e uma trança no meio. As alças eu comprei prontas. Minha mãe me ajudou a colocar um forro e fechou a bolsa com uma carreira de pontos baixos de cada lado.

 

 

Carteira de fio de malha

 

Essa carteira de mão foi tricotada com fio de malha, aqueles usados para tricotar tapetes. Os pontos usados foram: cordão de tricô, arroz e barra 2/2. Porque foi feita com agulhas n.4 e o ponto bem apertado, o trabalho ficou firme e não precisou de forro. O toque especial ficou por conta do botão gigante.

 

 

Bolsa de lã verde

 

 

Achava que ia ficar estranho uma bolsa de lã, mas não é que ficou legal? A combinação de pontos eu fui inventando na hora e pegando algumas idéias de um livro de pontos japonês. Ficou leve e macia. O forro de chitão estampado com fundo verde e a alça transparente deixaram a bolsa brejeira e arrumadinha!

A Beleza e o Poder do Ordinário

Todos os dias nos levantamos, cumprimos nossas rotinas matutinas, trabalhamos, comemos, trabalhamos, jantamos, dormimos… Enfim, todos os dias temos uma rotina a cumprir. A maioria de nós acha que, pelo menos de vez em quando, tem que sair da rotina e fazer coisas diferentes para não pirar. Vi ontem que pelo menos um grupo de pessoas não pensa assim.

Existe uma filosofia zen budista japonesa que cultua a natureza e sua “execução”. Explico: a natureza repete seus ciclos dia após dia, ano após ano, indefinidamente, haja o que houver. Silenciosamente, as flores desabrocham e caem, os animais se reproduzem, a chuva cai, vem o frio e o calor. Observando a natureza, percebemos que raramente as coisas mudam, os comportamentos são previsíveis. Isso acontece porque a natureza é perfeita.

Não é uma questão de repetir uma seqüência infinita e maçante. É a execução de um propósito de vida, feito com perseverança e pontualidade, independentemente se há alguém olhando ou elogiando. A vida é o que importa, a vida de quem faz. Se é o pássaro fazendo o seu ninho, se é o urso que se prepara para hibernar, cada um, cuidando da própria vida, cuida também da harmonia do todo.

Um monge de 104 anos, que hoje comanda o mosteiro que prega essa filosofia, disse: “se quisermos fazer algo, temos que colocar nossa vida em jogo. Só conseguimos atingir uma meta se a nossa vida depende daquilo”. Ao pensarmos assim, não teremos preguiça nem nos perdoaremos por não nos esforçarmos para atingir um objetivo que sabemos possível, porém difícil. Se pensarmos na frase do monge, concluiremos que a nossa vida sempre está em jogo, seja literalmente ou a longo prazo. Ao escolher ficar com alguém, não é a nossa vida? Ao escolhermos um novo emprego, não é o nosso futuro? Vida não é simplesmente o ato de existir, mas o “executar”.

Todos os dias, mesmo aqui em São Paulo, no meio dos prédios e da fumaça da poluição, observo um bando de maritacas que voa sempre no mesmo horário, às 17h30, de uma árvore para outra. Passam gritando, brincando, param nos parapeitos das varandas e conversam. Todos os dias. No inverno, quando chove e a poluição não está tão severa, o sol se põe dando um show todos os dias. Mesmo com tantos obstáculos, a natureza segue cumprindo suas “tarefas”, silenciosamente.

Em nós, a nossa vida é sempre mais importante do que a do outro. Não entendam isso como egoísmo ou “primeiro eu”. Simplesmente, nossa vida tem que ser preservada se quisermos contribuir para um equilíbrio maior e até mesmo ajudar outras pessoas. Quem pode doar? Quem tem. Quem ajuda o que está fraco? Quem está mais forte. Ao zelarmos por nossa saúde física, mental e emocional, contribuímos para a saúde emocional daqueles que amamos, incentivando-os e estendendo a mão, quando for necessário. Aceitar esse ciclo – num dia estamos fortes, noutro estamos fracos – nos faz ter a certeza de, como disse Shakespeare: “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”.

Saúde emocional nos ajuda a superar tropeços, nos faz rir daquilo que podia nos derrubar, nos faz ver beleza no ordinário. O filme A Dama na Água, do diretor indiano M. Night Shyamalan, fala dessa questão de poder acreditar e ver que, mesmo dentro da piscina no quintal da sua casa, pode morar uma ninfa. Esse filme foi muito criticado mas tem sua beleza, especialmente por tentar nos fazer acreditar que a magia não mora nos livros do Harry Potter mas no nosso cotidiano. Magia pode ser fazer uma declaração de amor, poder rir de novo, andar de novo, ver de novo, descobrir que ainda dá tempo. Se olharmos com atenção, todos nós podemos encontrar uma ninfa no quintal, na cozinha, no quarto… Não é acreditar, é fazer, realizar, construir a beleza de todos os dias.