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O Mundo das Rendas

 

Os delicados fios trançados são valorizados pela moda romântica, artesanal e vintage. Conheça um pouco da história desse nobre tecido

 

Renda Filé (leia-se filê)

Renda Filé

crédito da foto

 

Este tipo de renda é como se fosse uma versão feminina das redes de pesca feitas pelos homens e muito usada em saídas de praia, xales e lenços. Sobre uma rede feita à mão, o artesão preenche os espaços vazados. As feitas com fibras naturais, como seda, linho e fios de algodão, são as mais valiosas.

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Renda Guipure

renda guipure

crédito da foto

 

De origem francesa, é formada por arabescos em ponto túnel, unidos por finas correntes de fios, com o fundo vazado. Pode ser artesanal ou industrial e, em geral, é feita de linho, algodão ou qualquer outro fio bem fino. É muito usada em vestidos de noiva e roupas de festa.

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Renda Renascença

renda renascença

crédito da foto

 

Muito trabalhosa, feita à mão com agulha de costura, é uma das rendas mais valiosas. Comum em Recife, a Renascença está ainda mais apreciada hoje por causa da moda artesanal e é exportada para muitos países, incluindo Europa, Emirados Árabes, Estados Unidos e Japão.

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Renda Richelieu

renda richelieu

crédito da foto

 

Usada em saídas de praia e mantas, ela lembra um crochê bem fino. É formada em tela, com formas arredondadas e desenhos delicados, como um bico. O ponto é feito enrolando a linha na agulha, com um fio passando por dentro e formando cordões em diferentes volumes.

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Renda de Bilro

renda de bilro 

crédito da foto

 

Originária da Itália, esta renda é muito popular no Nordeste brasileiro. Totalmente artesanal, é feita com o uso de uma almofada onde as agulhas são fixadas para guiar a trama, elaborada pelos movimentos dos bilros (pecinhas de madeira presas aos fios), orientadas pela posição das agulhas. Presença forte na moda e na exportação.

 

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Vestido com renda de bilro, criação de Walter Rodrigues, 2001. Aplicações de renda de bilro produzidas pelas rendeiras da Associação das Rendeiras de Morros da Mariana, Piauí, no projeto Moda e Artesanato. Crédito da foto.

 

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As mãos da artesã tecendo a renda. Crédito da foto.

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Renda Soutache

renda soutache

crédito da foto

 

Feita de materiais sintéticos, é uma renda rebordada com o fio soutache, um fio chato e fino, evidenciando os contornos da renda de baixo. É uma renda em alto-relevo e, embora cubra apenas pedaços do tecido, tem um caimento pesado. Fica ótima em detalhes, como golas e punhos.

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Renda Chantilly

renda chantilly

crédito da foto

 

Uma das mais nobres e conhecidas, a renda chantilly é um misto de viscose e poliamida, o que a deixa com um caimento incrível e um toque aveludado. É um bordado em cima de um tule bem fininho e geralmente tem um pouco de elasticidade. Pode chegar a valores astronômicos: a da foto acima custa módicos R$670 o metro (!).

 

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Olha ela aí, no desfile do Samuel Cirnansck, no SPFW 2008.

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Rendas Sintéticas

renda poliamida

crédito da foto

 

Mais baratas e fáceis de encontrar em diversos desenhos e cores. As de poliéster são bem populares mas não tem elasticidade e são ásperas. Boas para usar em detalhes em cima da roupa, sem contato com a pele. As rendas feitas com poliamida, como a da foto acima, são mais texturizadas e macias.

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E você, gosta de renda e looks com renda? Qual é a sua preferida? 😀

 

Algumas das informações acima foram retiradas de uma revista Manequim de 2006.

Inspiração cinematográfica

Já que quarta-feira é o momento inspiração e eu só estou pensando na relação moda/cinema esta semana, inspiração de looks cinematográficos que todo mundo já copiou ou quis ter na vida, desejos em suas épocas ou até hoje… Deleitem-se!

 

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Kate Winslet e o luxo de Titanic, 2001.

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Os cabelos lisos e repartidos no meio, a cintura alta e os bordados da Julieta de Franco Zefirelli, 1968.

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Marylin e seu vestido voador em O Pecado Mora ao Lado, 1955.

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O cabelo joãozinho e os vestidos delicados de Mia Farrow em O Bebê de Rosemary, 1964.

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O pretinho de Givenchy em Audrey – Bonequinha de Luxo, 1961.

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Rita Hayworth e o strip-tease mais memorável do cinema – Gilda, 1946.

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O figurino futurista de Blow Up – Depois daquele beijo, 1966.

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Anita e seu decote coração na Fontana di Trevi – La Dolce Vita, 1960.

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Olhando pra essa cara de brava, você pode não acreditar. Mas Theda Bara, com sua Cleópatra (1917), foi uma das primeiras divas a lançar moda: o cabelinho chanel negro com franja e os vestidos franzidos. Até Elizabeth Taylor, quase 50 anos depois, se inspirou nela para fazer a rainha do Egito.

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As pin-ups safadinhas e os bad boys de Grease (1978). Gente, olha a wet legging aí!!!

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O filme francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de 2001, não só influenciou a moda, como também a decoração, a música e a fotografia.

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E você? Lembra de mais algum?

 

 

Moda e Cinema – Repercussões

Ainda repercutindo na minha cabeça as palavras de Marie Rucki, sobre a relação entre moda e cinema.

A gente fala muito em moda, muito em cinema e muito nas duas coisas juntas, como se o cinema fosse apenas inspiração para o vestir. Copiar o look das atrizes, dentro e fora dos palcos e telas, parece uma obsessão das revistas de moda, especialmente aquelas que oferecem moldes e analisam looks, como a Manequim, que eu amo, e que a cada edição do Oscar traz os principais vestidos, com moldes pras formandas e debutantes de plantão copiarem.

Engraçado que isso ocorre desde que o cinema surgiu: as divas e seus vestidos. A maioria dos estilistas pegou um avião rumo a Hollywood, com a ambição de criar para aquelas mulheres, que encantavam milhares de pessoas ao redor do mundo. Quem não se lembra de Marlene Dietrich vestida de homem, com seu smoking? Ou Jean Harlow, que fez todo mundo descolorir o cabelo e inspirou Marilyn Monroe? As ondas da mexicana Rita Hayworth que fizeram todo mundo enrolar o cabelo?

 

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Marlene e sua fantasia masculina

 

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Olha a pose, olha a luz, olha o rosto e o cabelo… À esq. Jean Harlow, à dir. Marilyn Monroe.

 

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As ondas, os vestidos pretos e as luvas de Gilda, ops, Rita Hayworth

 

Podia ficar aqui citando nomes e mais nomes. Desde sempre, o cinema inspirou a moda, as mulheres e colocou muito dinheiro no bolso das grandes maisons. Longe de ser uma coisa ruim, é legal a gente ver o que as pessoas “mais influentes” do mundo da cultura estão usando. Mas o cinema, e suas atrizes, não servem só pra isso.

Mais do que simplesmente um look, ou uma peça que a gente pode copiar, o cinema pode nos inspirar a pensar. E quando a gente pensa, a gente cria, e não copia. Sai da esfera do que a gente simplesmente vê e começa a enxergar um pouco além do óbvio.

Além do óbvio é ver como a roupa representa algo oculto, na personagem e na vida, que tem que aparecer de outro jeito. Esse espírito “barroco” de tirar as coisas do lugar, de vestir de homem quem é mulher, de colocar atitudes femininas nos homens, é uma coisa que acontece muito, de um jeito mais ou menos sutil, mais ou menos explícito.

Uma das cenas que ilustra isso de forma bem clara vem do filme Vênus Loira (Blonde Venus), de 1932. É uma mulher que deve se vestir de alguma coisa, se quiser se liberar. O contraste entre a fantasia e a mulher que ali habita é gigantesca, grotesca e chega a ser repugnante para alguns expectadores (repare nas pessoas). A música também fala de libertação dos sentidos, de se deixar levar pela paixão e pelo calor, pelo vodu, pelo exótico, coisas que uma mulher estava praticamente proibida de fazer, a não ser que já tivesse tido a experiência libertadora das melindrosas de Berlim da década de 20. Mas isso já é conversa pra outra hora… Curtam a cena surpreendente, reparem nas frases da música “I wanna be dancing just wearing a smile” (essa mulher quer se libertar!!) e “Burn my clothes!” (a roupa também pode ser uma prisão socialmente definida). Depois eu volto com mais…

 

 

Desligue o PC e Vá Ler um Livro!

Sugestões de clássicos fáceis de achar e baratinhos…

Pra gelar a espinha…

poe

CONTOS DE TERROR, DE MISTÉRIO E DE MORTE
de Edgar Allan Poe

Pra mudar a sua vida…

guimaraes

GRANDE SERTAO – VEREDAS
de Guimarães Rosa

Pra ver poesia todos os dias, com olhos de criança…

cecilia

OU ISTO OU AQUILO
de Cecília Meirelles

Pra se apaixonar por literatura…

victor_hugo

O CORCUNDA DE NOTRE DAME
de Victor Hugo

Pra rir e se emocionar…

calvin-e-haroldo

QUALQUER LIVRO/TIRA DO CALVIN E DO HAROLDO

Pra se divertir e aprender…

stevenson

A ILHA DO TESOURO
de Robert Louis Stevenson

Recomendo a edição da editora Melhoramentos, que tem um monte de notas e ilustrações sobre o mundo dos piratas. É bem melhor que Piratas do Caribe…

Pra ter sonhos bons…

vinicius

CANCIONEIRO
de Vinicius de Moraes

Boa leitura!  😉

MODA, CINEMA E ARTE: Palestra com MARIE RUCKI e FABRICE PAINEAU

O site Chique fez um concurso de micro contos, cujo prêmio era um convite para assistir uma palestra do ciclo Moda, Cinema e Arte, com Marie Rucki e Fabrice Paineau. Eu mandei e… ganhei! A ideia do conto era juntar um estilista, um artista contemporâneo e um filme em até 80 palavras. O meu ficou assim:

 Dior não via uma mulher como uma mulher, mas como uma forma geométrica. Por isso, conseguiu reduzir a cintura e fazer uma saia abajur encaixarem-se naquela forma, que era um corpo de mulher. Círculos, maiores e menores, alargamentos. Botero também não enxerga corpos como corpos, mas como formas. Redondas, circulares, sem ângulos agudos. A dramaticidade de Dior e seu new-look e a comicidade de Botero e sua beleza invertida. “Apertadas” de Dior e “gordinhas” de Botero… “Mulheres à beira de um ataque de nervos”!

 

Ganhei convite pra palestra de ontem, 15 de abril, que falava de “Fontes de pesquisa: inspiração, influências e consequências”. Tive muita sorte porque se tivesse que escolher uma, seria essa! O evento antecipa as comemorações do Ano da França no Brasil (que também será tema da SPFW).

 

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O convite e a cartinha

Mas vamos ao que interessa: A palestra foi SENSACIONAL.  Foi uma conversa entre os dois, um monte de imagens inspiradoras, referências mil. Anotei mais de seis páginas e vou levar um tempo pra processar todas as informações. O que quero escrever foi algo que ficou marcado: a moda como um exercício barroco, o travestimento como um excesso que nos permite passar para outro mundo, um mundo de sonho e prazer. Considerando que a moda é uma miragem e que tudo é irreal, que tal brincar com nossa suposta realidade? Fazer da vida uma festa? Assumir um personagem para desvendar outras realidades, buscar imagens que modifiquem o cotidiano, “disfarçar-se”.

Outra coisa que marcou foi que a maioria das pessoas acredita que a internet é o fim do problema da pesquisa e da coleta de imagens e acaba achando que só ficar na frente do computador basta. Não basta. A experiência real é muito mais impactante e provoca reações mais dramáticas, na roupa, na cabeça e nas ideias. Por isso, Marie fez um apelo para que saiamos da frente do computador, para que a gente vá atrás de filmes, eventos, pessoas que possam nos inspirar. Olhos atentos (mas não estressados) para o que está acontecendo. Ela disse: “todo mundo olha o que está acontecendo mas só o estilista/artista VÊ”.

Você é o filtro e sua experiência de vida se enriquece pelo que você filtra. A moda dá ao nosso olhar outra dimensão, poetiza o corpo, mostra, dissimula, esconde, intervém e transforma nossa própria natureza, como se um corpo precissase de roupa para “existir”, pelo menos socialmente.

Tem muito, mas muito mais, mas vou escrevendo aos pouquinhos. Só tenho que agradecer o CHIC por esse presente maravilhoso, que ainda não acabei de receber, porque ainda vou pensar muito sobre o que vi e ouvi. Tem fotinhos no FLICKR.

No site da Lilian Pace têm outra matéria bem legal sobre a palestra de terça, que falava do cinema como parte integrante do sistema da moda. Vai lá: http://www.lilianpacce.com.br/home/2-filmes-com-marie-rucki/. Lilian também comentou duas frases durante a primeira palestra de Marie Rucki e Fabrice Paineau que aconteceu na segunda: “A originalidade é um falso valor” e “A indústria da internet reduz o valor do desejo de moda“. Você concorda?

 

QUEM É QUEM

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Marie Rucki

Marie Rucki

Diretora de uma das mais renomadas escolas de moda do mundo desde os anos 70 – o Studio Berçot – em Paris, por onde  já passaram nomes como Martine Sitbon e Azzedine Alaia.  Aqui no Brasil, contribuiu com a formação de diversos estilistas como Gloria Coelho, Lorenzo Merlino, Reinaldo Lourenço, André Lima e  Natalie Klein. Durante todos esses anos influenciou e acompanhou as principais mudancas na dinâmica e nos mercados da moda. O Studio Bercot é considerada a mais conceituada escola de criação de moda do planeta, sendo  referência mundial para quem quer entender e aprender o que é a criação de moda e seus desdobramentos. Visite: http://www.studio-bercot.com

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Fabrice Paineau
Fabrice Paineau

Entrou na moda por acaso, após ter feito uma tese sobre arqueologia contemporânea. Depois de uma passagem pelo Museu da Moda ( Louvre ) e estudos no Instituto Francês da moda, trabalhou alguns anos na maison Martine Sitbon, como assistente de direção de imagem da marca. Realizou entrevistas e matérias para as revistas L´Uomo Vogue, Rebel, A Magazine, Liberation e Menstyle.fr. É professor do Studio Berçot.