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Antes de Paris

Existem coisas boas, existem coisas muito boas e existem coisas especiais. A Antes de Paris é especial.

 

 

Eu sempre acompanho o blog da loja/atelier/espaço mágico e fui lá hoje conhecer o lugar, aproveitando o convite que as meninas fizeram para o lançamento da coleção inspirada nas divas do jazz, com show de jazz e tudo.

 

Show com Neusa Romano & Marcelo Jesuíno Quarteto

 

O que eu posso dizer? É tudo isso e mais um pouco. Uma moda pessoal, boêmia, sofisticada e muito, mas muito cheia de bossa, com estampas, franzidos, amarrações e laços. Sem medo de ousar e ser feliz, sem medo de mostrar quem é, por que a moda da Antes de Paris é pra quem não tem o menor receio de se assumir.

 

Menina Linda!
Menina Linda!

 

Elegante? Muito. Descolado? Demais. Dá pra ser os dois ao mesmo tempo? Claro que dá! Eu fiquei encantada com o espaço, com a energia, com aquela casa que parece contar mil histórias silenciosas, com aqueles tijolinhos e janelas. Espelhos que refletem os brilhos (sim, ninguém ali tem medo de brilho) e as luzes. Sapatos que já podem ter andado em outros mundos… Vestidos de damas nem tão antigas… Enfeites de cabeça que pedem um suspiro no ouvido…

 

 

Viajei! Mesmo! Alice no País das Maravilhas sem a loucura da Rainha, que é do mal, mas com um pouquinho da loucura do Chapeleiro Maluco, que é do bem! Isso pra mim é moda, é saber projetar sua identidade num pedaço de pano, é sair da mesmice de apenas copiar tendências e literalmente CRIAR. Um toque vintage na modelagem, um toque contemporâneo nos tecidos de extrema qualidade, um toque atemporal na harmonização de cores e estampas delicadas, florais e geométricos, listas e bolinhas.

Olha as cartas na parede... Lembra do exército de cartas da Rainha?
Olha as cartas na parede... Lembra do exército de cartas da Rainha?

 

Recomendadíssimo! Vai lá (pessoal e virtualmente):

Antes de Paris

Rua Aspicuelta, 194
Vila Madalena f: (11) 3819 6046

Mais uma dama antiga

 

 

 É fácil entender porque Maria Antonieta, de Sofia Coppola, foi execrado na França. Maria Antonieta é uma personagem histórica controversa. Acusada de dar as costas à miséria do povo francês, a ela é atribuida a célebre frase: “Se não tem pães, que comam brioches”. Na França, a figura da rainha não entrou para a história exatamente como uma pessoa simpática. A Maria Antonieta de Sofia Coppola é, portanto, bem diferente da que ficou imortalizada no imaginário francês.

No filme, a personagem é mostrada como uma adolescente fútil, meio desavisada, no entanto, extremamente adorável. Austríaca, ela é levada para a França, a fim de casar com o futuro Rei, Luís XVI. Com dificuldade para se adaptar à vida na corte francesa, Maria Antonieta encontra no consumismo desenfreado a saída para o tédio, no qual vive mergulhada.

O maior mérito de Sofia Coppola está no fato de ela ter conseguido transformar uma personagem histórica em uma figura extremamente contemporânea. Para isso, a diretora contou com dois trunfos importantes: a trilha sonora e, principalmente, o figurino.

Vencedora de Oscars pelos filmes Carruagens de Fogo e Barry Lydon, a figurinista Milena Canonero adicionou mais uma estatueta à sua coleção por este trabalho impecável. A personagem-título, interpretada por Kirsten Dunst, apesar de aparecer vestida em espartilhos apertadíssimos, saias volumosas e muitos babados, parece extremamente atual.

Canonero conseguiu a façanha de criar uma espécie de ícone fashion de época. Tanto que na ocasião do lançamento do filme nos Estados Unidos, a revista Vogue, a Bíblia da moda, trouxe Dunst estampada na capa, caracterizada como a Rainha da França. Sem dúvida, depois de O Diabo Veste Prada, Maria Antonieta foi o filme que mais mexeu com os fashionistas em 2006. Não que as mulheres fossem sair vestidas como se vivessem na Europa de 1780, mas conseguiriam pinçar referências do riquíssimo universo do filme, cuja direção de arte primorosa acabou servindo como fonte de inspiração para arquitetos e decoradores.

O figurino – que conta com peças de estilistas renomados, como Karl Lagerfeld e John Galliano – acabou caindo nas graças de criadores brasileiros. É o caso da coleção de inverno/2007 da estilista Gloria Coelho, que utilizou até a trilha sonora do filme no seu desfile. No repertório de roupas, muitas referências históricas. A silhueta é acinturada, em looks cheios de babados e transparências. O moderno shortinho ganha tempero com o caimento balonê, como uma calçola. Os tecidos são cotelê, chamois, cetim e muita seda.

Outra grife que também resolveu apostar na influência de época, foi a marca de jóias H. Stern, que se apropriou de referências estéticas do romântico e do barroco europeu para criar os looks que compõem as coleções Laços, Stars, Primavera, Heritage e Victorian, entre outras.

Adaptado de MARIANA FONTES – Folha de Pernambuco

 

Acrescento que, neste ano, o desfile de Samuel Cirnansck também me lembrou muito de Marie Antoniette, com suas princesas no meio das flores.

 

Dá uma olhada na galeria das fotos de Kirsten Dusnt como Maria Antonieta e as três últimas fotos são do desfile de Samuel Cirnansck:

 

 

 

Uma Dama Antiga… seus vestidos e suas agonias

 

Duquesa Georgiana de Devonshire
Duquesa Georgiana de Devonshire
 
 

Essa senhora de sorriso enigmático ganhou livro e filme. Parente distante da princesa Diana que viveu no século 18, a duquesa teve uma história quase tão triste quanto a Princesa de Gales. Mal-tratada pelo marido, William, o quinto Duke de Devonshire, era uma figura muito popular da alta sociedade. Todos os homens a amavam, menos seu marido.

Seu casamento era um contrato para que nascesse, dessa união, um filho e herdeiro. Georgiana ainda agüentava a crueldade sexual e emocional imposta pelo marido e conviver com a amante dele, Lady Elizabeth Foster, num dos triângulos amorosos mais famosos da história da Inglaterra.

Uma das cenas mais tocantes do filme é quando a mãe de Georgiana negocia com o Duque o casamento do nobre com a filha adolescente. Um momento depois, o duque aparece cortando, com tesoura, o vestido de seda e a lingerie que a própria Georgiana havia costurado para sua noite de núpcias.

— Não consigo entender porque as roupas das mulheres são tão complicadas — diz ele.

— É o jeito que encontramos para nos expressar — responde ela, imóvel, enquanto ele corta seu corpete.

— Vá logo para cama — ordena ele, acabando de cortar o último pedaço.

Cortar a roupa, a seda e ignorar o capricho de Georgiana é uma cena que denota como seu marido a encara: como um objeto a ser explorado e nada mais.

Keira Knightley foi muito elogiada em sua atuação como a duquesa. Embora o papel fosse difícil, a atriz comenta que o pior foi carregar todo aquele figurino, especialmente as perucas. A atriz comenta que as perucas quase afundavam sua cabeça e que os figurinos completos chegavam a pesar 70 quilos. Mesmo carregando todo esse peso, a atriz conseguiu transmitir o redemoinho de emoções que acontecia dentro de Georgiana. O figurino também foi pensado para expressar os sentimentos e momentos da personagem: quanto maiores os trajes, mais aflitiva a situação. Era como se Georgiana tentasse se esconder sob as roupas e penteados.

“As roupas, as perucas e os chapéus eram tão pesados que doía ficar de pé. Numa das cenas, tive que usar uma peruca de cerca de 80 centímetros, cujo peso afundava minha cabeça no meu pescoço”, revelou a atriz ao Daily Mail. “E isso é justamente o que acontecia naquela época. O resultado pode ser maravilhoso, mas não é fácil vestir-se assim”.

Em relação aos vestidos, explicou que “tinham que ser costurados todas as vezes que eram usados, e suavemente descosturados para poder ser tirados (sem estragar)”.

Isso tudo aconteceu há dois séculos mas algumas coisas não mudaram e muitas “Georgianas” ainda andam por aí…

 

 Keira Knightley como a Duquesa Georgiana de Devonshire

 

Ainda não há previsão de estréia no Brasil.

 

Moda Gótica

 

 

Quando era adolescente, gostava de heavy metal e roupas pretas. Usava coisas pavorosas, me achando a rebelde (totalmente sem causa, diga-se de passagem). Mas quem não fez sua loucura adolescente que atire a primeira pedra!

Até mais ou menos um mês atrás tinha um vestido preto de veludo até o pé, que era a própria Morticia Adams! Hoje eu vejo muita gente gótica mas extremamente fashion, cheia de estilo e até com uma pitada de cor aqui e ali – geralmente os meninos nos acessórios e as meninas nas unhas e na maquiagem.

Bem, o estilo gótico agora é arte. O FIT Museum em Nova York abriu uma exposição chamada “Gothic: Dark Glamour”. O mais legal é que, além de mostrar as roupas, o visitante experimenta uma sensação que é a inspiração de quem cria e veste essas roupas: a cenografia é composta de castelos abandonados, laboratórios à lá Frankestein e labirintos angustiantes. As peças de estilistas famosos contracenam com o ambiente e o espectador, criando uma atmosfera inesquecível.

Pena não poder estar lá pra ver! E pena nenhum museu ou galeria moderninha tomar uma iniciativa assim por aqui! Por enquanto, deleitemo-nos com as figurinhas interessantes que passeiam pelo centro da cidade ou pelo bairro da Liberdade aos domingos…

Como as pessoas se vestiam

Mary Cassatt - Lydia fazendo crochê
Mary Cassatt – Lydia fazendo crochê

Para quem estuda literatura ou mesmo para quem gosta de ler, é muito interessante prestar atenção à descrição dos detalhes e costumes do passado. Lendo os clássicos da literatura universal, podemos pescar algumas coisas que exemplificam esses hábitos, hoje desaparecidos, que antigamente até mesmo “classificavam” a classe e origem social da pessoa.

As mulheres deviam ser prendadas, saber costurar, bordar, consertar e isso nem faz tanto tempo assim. Fora a parte que denota uma certa imposição de fazer as mulheres ficarem dentro de casa, acho super útil que saibamos costurar, bordar e consertar. Para nós mesmas, para podermos ser auto-suficientes e não ficar dependendo de alguém para dar um simples pontinho ou pregar um botão. Claro que hoje não é mais exigência que uma boa moça de família borde todo o seu enxoval – incluindo lençóis e toalhas com monogramas – mas acho lindo quem tem disposição e arruma um pouco de tempo para bordar aos pouquinhos um detalhe aqui e outro ali da sua casa.

“Mas as mulheres trabalham, são sempre tão ocupadas, quem consegue bordar???”, perguntariam alguns. Eu respondo: nós arranjamos tempo para o que queremos, fazemos nossos planos e arranjos para contemplar nossos desejos. Quando uma pessoa diz que não teve tempo para fazer algo que ela deseja muito, é necessário se perguntar o que está faltando para o desejo se concretizar. Planos simples, como fazer ginástica ou começar um hobby, dependem da nossa força de vontade. Temos que mandar a preguiça ir passear e começar a nos organizar.

Organização, para algumas pessoas, acabou virando sinônimo de chatice. Eu acho que a organização, além de ser necessária inclusive para o nosso prazer, não deve ser encarada como uma vilã. É bom organizar, ter as coisas arrumadinhas, tempo para nós mesmos, disposição para experimentar coisas novas. Temos que assumir a responsabilidade por nossa própria organização de vida, e não deixar que outras pessoas assumam o ônus de cuidar da gente (isso serve para todos aqueles que já tenham condições e formação suficientes).

Por outro lado, ajuda, carinho e uma dose de interesse alheio não fazem mal nenhum. Mal é sentir-se confortável em depender do outro, não buscar seus próprios méritos e não retribuir com carinho o carinho do outro. Para alguns, carinho é dar um presente. Para outros, é dispender uma hora do dia para ouvir o problema de um amigo. Temos que saber entender o carinho do outro.

Puxa, isso foi longe. Comecei falando de como as pessoas se vestiam no passado e acabei falando de relacionamento. Engraçado é que, sempre que falo do passado, essas pequenas atenções me vêem à mente, sorrateiras. Será que tudo isso ficou no passado? Tenho certeza que não. Meus amigos (pouquíssimos, claro) me provam todos os dias que ainda dá pra amar sem grudar, ter carinho sem dar presentes milionários e ajudar um pouquinho, nem que seja emprestando o ombro e o ouvido.