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Inspiração para uma semana curta…

 

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Mário de Andrade escreveu, em Paulicéia Desvairada (1922):

 

Horríveis as cidades!
Vaidades e mais vaidades…
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!

 

E eu, muito petulante, vou discordar um pouco dele… Verdade que são horríveis e poluídas. Verdade que só há vaidade. Mas… A poesia pode estar em nossos olhos, a alegria em nosso coração e, além de Red Bull, um pouco de imaginação pode te dar asas!

 

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Bom feriado com muito chocolate! 😉

Bico Torto

Ao me mudar para Higienópolis, escolhi um novo endereço para cortar o cabelo. Um amigo me indicou o Mário, que trabalha em um shopping. Animado, o rapaz gosta de conversar o tempo todo. Entre uma tesourada e outra, me falou de sua paixão por pássaros.

— São pinturas vivas!

No início, não me interessei muito pelo assunto. Meu pai criava canários. Passei minha infância ajudando a distribuir alpiste e água pelas gaiolas. Embora o canto e o colorido dos canários fossem incríveis, eu me rebelava contra a obrigação.

— Hum, hum — fiz, educadamente, quando o cabeleireiro entrou no tema.

Animado, o rapaz contou:

— Criei uma arara vermelha no apartamento!

Assustei-me.

— Não é pássaro protegido pelo Ibama?

— Era nascida em cativeiro.

Explicou que a criação de animais em cativeiro ajuda a salvá-los da extinção.

— A arara se comportava como um bichinho de estimação!

Segundo o rapaz, ela pousava em seu braço, comia em sua mão. Reconhecia sua aproximação de longe. Tanta fidelidade provocou uma crise no prédio. Se o dono chegava de noite, a ave soltava gritos de alerta que acordavam a vizinhança. Quem já ouviu sabe bem como é. Houve uma revolta no condomínio. Mário e a mulher cobriram a gaiola, para ver se a arara dormia. Inútil. Mal ele se aproximava da porta, movida pelo sexto sentido comum aos animais, a ave gritava. Fosse de dia ou de noite. Pior, de madrugada. A arara tornou-se um constrangimento.

— Não é para ser criada em apartamento! — rugiu o síndico.

Na época, Mário montava uma pequena escola de primeiro grau em sociedade. Resolveu construir um viveiro de pássaros para os alunos. Só a barulhenta seria pouco. Saiu em busca de outras aves. Descobriu uma loja especializada em espécimes raros criados em cativeiro. O dono prontificou-se a arrumar tipos capazes de viver em harmonia. E propôs, como presente:

— Você não quer ficar com esta ararinha que nasceu com um problema?

O filhote tinha o bico torto, tanto que era incapaz de se alimentar. Só podia ser nutrido através de uma seringa. O oferecimento soou como uma coincidência:

— A proposta da minha escola é justamente a integração da criança deficiente. Tem tudo a ver! — agradeceu Mário.

Levou o filhote para seu apartamento. Passou um bom tempo alimentando-o com papinhas e, como sobremesa, grãos. Aos poucos diminuiu o pastoso e aumentou os sólidos. A ararinha aprendeu a se alimentar sozinha, apesar do bico torto. Só então a levou para o viveiro.

A quem diz que o pássaro estaria muito melhor solto na natureza, o rapaz responde com um argumento:

— Não a arara de bico torto. Quando algum filhote nasce com problema, os pais o atiram do ninho.

Os alunos elegeram a arara como mascote. Ficam felizes ao vê-la no viveiro, convivendo com os outros pássaros, soltando gritos de alerta, comendo com a cabeça curva. Adaptou-se tão bem que… surpresa! Acasalou-se com um macho da espécie e já teve filhotinhos. Enquanto eles piam no ninho, ela os alimenta delicadamente com o bico torto, que se tornou tão útil quanto qualquer outro.

Em uma cidade grande, violenta e cheia de problemas como São Paulo, há o risco de se ficar com o coração torto. E só olhar para o lado ruim de tudo. Sempre me surpreendo. Basta estar de ouvidos abertos para, seja em um corte de cabelo, seja no balcão da padaria, descobrir uma história emocionante. Como a da arara de bico torto que hoje encanta as crianças de uma escolinha da Zona Sul.

 

Linda e inspiradora crônica de Walcyr Carrasco, que saiu na Veja São Paulo de 22 de março de 2009.
e-mail: walcyr@abril.com.br

Para fazer no final de semana…

Gente, tem coisa mais gostosa que tirar um tempinho no final de semana pra se cuidar?

Por isso, separei um artigo super pertinente para esta época: como hidratar os cabelos queimados de sol! Quem escreveu foi Tiago Parente, que é cabeleireiro, membro da Haute Coiffure Française, Paris, e sócio do salão Fashion Clinic, em Ipanema, no Rio de Janeiro.  Vamos às dicas!!!

 

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crédito da foto

 

Uma das perguntas mais freqüentes no salão é: “como faço para manter meus fios hidratados em casa?”

Hoje em dia, você pode tirar partido dos tratamentos de hidratação que podem ser feitos em casa e, assim, resgatar a vitalidade dos fios. Os cabelos secos sofrem mais, mas todos os tipos de cabelo – normais, oleosos, mistos, ondulados ou lisos – estão sujeitos a perder o aspecto saudável devido ao excesso de sol, vento, cloro, água do mar, poluição, tinturas, escovas ou chapinhas.

Estes agentes externos abrem as escamas da cutícula capilar, permitindo a saída das moléculas de água que hidratam os fios. No final do verão, então, são visíveis os estragos causados pelos prazeres desfrutados na estação mais quente do ano. Eu costumo brincar que os cabelos ficam com sede! Como resultado dos danos à estrutura capilar, os fios tornam-se ressecados, opacos e quebradiços.

A hidratação faz com que as escamas arrepiadas se ajeitem, se encaixem, melhorando a textura. Além das técnicas feitas em salões de beleza, é possível declarar guerra à fragilidade e à falta de brilho no conforto do lar. Na sua casa. É que avanços tecnológicos felizmente aposentaram aqueles antigos coquetéis que empastavam os fios.

 

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Os cremes de tratamento intensivo são uma forma prática de devolver a vitalidade aos fios. Eu, particularmente, prefiro os que levam queratina, aminoácidos da seda ou silicone (este impermeabiliza o fio, fazendo com que ele retenha maior quantidade de água na superfície).

No mercado, existem várias formulações específicas para o tipo e o estado dos fios, como os indicados para cabelos fracos, quebradiços, longos, cacheados, com tratamentos químicos ou tinturas, que permitem acertar no alvo com mais facilidade. O grande segredo é realmente escolher o produto certo.

Na hora de aplicar, é preciso observar as recomendações de cada fabricante. O ideal é lavar o cabelo, passar o creme e fazer algo para aumentar a temperatura, como touca térmica ou uma toalha úmida quente, para que a cutícula do fio se abra e o produto penetre. É especialmente indicado que a aplicação seja feita em meio úmido, como vapor, para que o calor não faça com que o fio perca água para o meio externo, o que pode prejudicar o resultado.

 

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Há dois cuidados que devem ser seguidos à risca. O primeiro é jamais aplicar o creme nas raízes, sempre passando em direção às pontas (da orelha para baixo). A prevenção evita o excesso de oleosidade nas raízes, que pode até desencadear quadros de queda, seborreia ou caspa.

O segundo é realmente limitar-se ao tempo prescrito pelo fabricante. Como a hidratação é feita em casa, muitas pessoas acabam deixando mais tempo do que deveriam. A hidratação excessiva, em vez de embelezar as melenas, pode deixá-las oleosas, ensebadas ou meladas.

A frequência depende das condições de cada cabelo, variando de semanal (para os extremamente danificados) até mensal. Mas, em geral, o ideal é fazê-la quinzenalmente.

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 Entre os produtos que eu uso e recomendo estão a linha de máscaras capilares da Surya que, além de deixarem os cabelos lindos porque são feitos de ingredientes naturais, sem corantes ou parabenos, é totalmente vegan. Isso significa que o recolhimento dos ingredientes na natureza seguiu um calendário que não fosse predatório e nenhuma animal teve que passar por testes. Aliás, sempre fico atenta às empresas que têm essa prática: se usam animais em testes, eu não compro. E passo pra frente. Fiquei sabendo recentemente que a Dove faz testes em animais e fiquei triste. Afinal, com uma campanha tão bonita de valorizar a própria beleza, eu esperava mais. E tanta gente fala de sustentabilidade e ecologia só da boca pra fora, como num golpe de marketing. É preciso ficar atenta.

Aliás, as hennas da Surya, além de dar um tonzinho no cabelo, também são máscaras de hidratação. O cabelo fica com um brilho e uma maciez inacreditáveis! Experimenta que você vai gostar! (eu não estou ganhando nada pra falar isso… ehehe 😉

Então, vai cuidar do cabelão ou do cabelinho neste final de semana e comece a semana que vem toda linda!

 

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