Inspiração para ver as cores

 

 

Depois de muita água, carros arrastados, trânsito caótico e quase 100 pessoas mortas, a chuva parou de castigar São Paulo.

E da janela, a promessa c0lorida de calor (muito calor) e tempo seco.

Além, claro, das obras de benfeitoria dos órgãos responsáveis, é dever nosso não jogar lixo na rua, economizar água (sim, a água que vem do céu não é a mesma que sai da sua torneira; por isso, antes de varrer a calçada com a mangueira e tomar banho de 1 hora, seja consciente!) e usar sacola de tecido no supermercado, entre outras coisas.

O verão vem aí… e vem forte!

 

Inspiração para a Paz

 

“E terão de forjar de suas espadas relhas de arado e, de suas lanças, podadeiras.

Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.”

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Todos os livros sagrados são lindos. A Bíblia (de onde foi tirada a citação acima), os livros sagrados do hinduísmo (Vedas), o Tao Te Ching (Taoísmo) e o Alcorão são pura poesia. Pra ler e reler, sempre.

Você é o que você veste

 

 

A menina linda aí em cima é a Karla. Ela adora vintage, como se pode ver, e tem muito talento pra misturar peças novas e clássicas. Sempre visito o blog dela. O motivo dessa foto estar aí é, obviamente, o casaco de pele.

Embora seja vintage e tenha sido adquirido num brechó, usar um casaco de pele é afirmar que, novo ou velho, você acha que é bonito. Muita gente adora casaco de pele e justifica a beleza de uma peça vintage dizendo que vale satisfazer um gosto com uma peça antiga e que nenhum animal foi morto por aquilo recentemente. Eu também achava que devíamos honrar o boizinho que morreu pra virar aquela bolsa linda que tá lá no brechó e que eu me sentia justificada em comprar.

Tá, é verdade que a morte não aconteceu ontem. Mas usar um casaco de pele, independentemente de quando esse animal foi morto, é aceitar que animais podem morrer pelo seu “direito” à beleza. E se o casaco foi usado 10, 100 ou mil vezes, ou tem 20, 30 ou 50 anos, pergunto:  isso faz alguma diferença em considerar a brutalidade da cena?

Então, se você acha chique usar um animal morto sobre o corpo, ótimo! Vá lá e compre seu casaco vintage. Mas se você odeia a ideia que um animal foi caçado ou criado para ser assassinado e ter sua pele removida, tanto faz se foi há 100 anos ou 1 mês, não use. Isso é declarar uma posição, é assumir o controle sobre suas decisões e saber usar a cabeça ao invés de simplesmente achar bonito e chique só porque tem um monte de editores de moda dizendo que é bonito e sempre será.

Karla, desculpe-me, mas não concordo com isso. Continuo achando que você é linda e se veste maravilhosamente bem e que podia ter ficado sem esse casaco. Exatamente o caso da foto abaixo, do Sartorialist. Dos quase 200 comentários, apenas alguns poucos se manifestaram contra a pele e foram tachados de exagerados, eco-chatos, eco-terroristas, imbecis ou simplesmente cafonas. Todo o resto elogiou dizendo como é lindo, como é chique, pode porque é vintage ou pode porque é bonito mesmo e dane-se!

 

 

Você está de que lado?

 

Você é o que você compra

 

 

Dia desses vi um documentário que me fez pensar bastante. Chama-se Procura-se e fala do comércio e das confecções do bairro do Bom Retiro, em São Paulo.

Primeira coisa que me chamou a atenção foi a pergunta que fizeram e que ficou no ar para ser respondida durante o filme: por que a roupa é mais barata? Se você respondeu que porque é atacado ou porque há incentivos, está só meio certo. A verdade é que muitas peças são feitas por pessoas em péssimas condições de trabalho, que aceitam receber qualquer coisa pelo que fazem, e por uma cadeia de eventos criminosa. Isso inclui imigrantes bolivianos que costuram uma calça por 75 centavos, contrabando de mercadoria vinda da China e até mortes pelo caminho.

No ano de 2008, a China declarou que exportou 12 mil toneladas de produtos para o Brasil. Mas sabe quantas entraram legalmente? Apenas 3 mil. O resto entrou sem pagar imposto, sem gerar empregos, às custas da saúde ou da vida de alguém. É verdade que até podemos apontar o dedo e dizer que o governo rouba e quem sonega impostos está certo. Mas isso seria apenas justificar um erro pelo outro.

Não é assim que tem que ser. Quando você se deparar com um produto falsificado, barato demais, vendido em circunstâncias suspeitas, pare pra pensar. Comprar esse produto alimenta uma rede de pessoas criminosas e endossa seu apoio à elas. Você pode se perguntar: “mas se só eu parar de comprar, que diferença vai fazer?”. Em termos imediatos e absolutos, nenhuma. Mas se cada pessoa pensasse assim na hora de justificar um roubo, um assassinato, uma única injustiça, poderíamos perder as esperanças de vez, não é?

Então, não se trata de mudar o sistema, o que requer políticas de incentivo às empresas e apoio aos trabalhadores, mas de não apoiá-lo. Se você vê a mesma jaqueta, que naquela loja custa R$120, por R$30 em outra, acredite, não é milagre. Não pense “é o meu bolso, sou eu quem vai sair ganhando, então dane-se! Vou pagar menos!”. Pare, pense e, às vezes, não compre. Provavelmente, você não precisa mesmo daquela peça.

E com certeza você terá mais tempo que se interessar pelo comércio justo, que gera empregos e renda, incentivos, consumo consciente e, no fim das contas, um país melhor. Parece pouco, quase nada, uma atitude simples de não comprar contrabando ou uma calça/blusa/qualquer coisa que tenha sido costurada por um boliviano faminto, num quarto escuro e inadequado para trabalhar. Mas vai fazer diferença pra você e pro futuro.

 

Digno de nota: a C&A e a Renner têm um programa de incentivo à cooperativas e pequenas empresas prestadoras de serviço. Isso inclui contratar apenas empresas que pagam os direitos de seus funcionários e os mantém em condições ideais de trabalho. Não é um exemplo a ser seguido?

 

Hoje

Ouvi uma história bem bonita sobre os porcos-espinho. Não sei se há verdade “biológica” mas é uma boa metáfora. No começo da Era Glacial, os animais começaram a dormir e andar em bandos para se aquecer. Os porcos-espinho também fizeram a mesma coisa mas enfrentaram um problema que os outros animais não tinham: ao se tocarem, também se feriam. Isso os afastou por um tempo. Logo, muitos deles começaram a morrer de frio. Os que sobreviveram tiveram a ideia de se juntarem novamente para se aquecer. Sim, eles continuavam se espetando mas aquilo era insignificante diante do bem-estar e do calor que vinham do fato de estarem juntos.

 

Pensando em nós, humanos, é mais ou menos a mesma coisa. Às vezes, estar junto pode machucar. Mas quem consegue viver sozinho? Solidão pode matar… E não estou falando apenas de laços afetivos amorosos, com quem a gente escolhe para compartilhar a vida. Mas de família, de amigos, de todo mundo que está perto e um dia pode ferir. Quando isso acontecer, lembre-se do calor, do aconchego, da vida. Não é que isso torna as coisas “fáceis de aguentar”. É muito melhor que isso: é assim que a gente aprende a viver.

Hoje é dia de trabalho, correria e cansaço. Mas também é dia de viver, de sorrir e de abraçar. Não se esqueça disso!

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