Inspiração para parar e ler

 

“Os homens de hoje são forçados a pensar e a executar em um minuto o que seus avós pensavam e executavam em uma hora. A vida moderna é feita de relâmpagos no cérebro e de rufos* de febre no sangue. O livro está morrendo porque já pouca gente pode consagrar um dia todo, ou ainda uma hora toda, à leitura de 100 páginas sobre o mesmo assunto”.

 

Olavo Bilac, em 1904

 *rufus = ondas, no sentido metafórico.

 

Arte: John Frederick Peto (1854-1907), Take Your Choice, 1885, oil on canvas, John Wilmerding Collection

Ciclo Cinema, Corpo e Moda – A Duquesa

Segundo filme dos encontros promovidos pela PUC-SP.

 Pra saber um pouco do enredo, dá uma olhada aqui neste post que eu escrevi por ocasião do lançamento do filme na Inglaterra.

Impossível assistir esse filme sem pensar e considerar a parte histórica. E impossível não lembrar de Lady Diana Spencer, descendente da Duquesa do título e também vitimizada pelas circunstâncias e pelo peso da tradição da nobreza.

Mas vamos ao que interessa: figurino! Claro que o mais chama a atenção é o figurino da Duquesa. Rico, detalhado, inovador para a época, romântico e sedutor. A duquesa representa o poder do duque, o poder da posição dele na hierarquia real e na sociedade. A maioria das palestrantes chamou a atenção para esse fato: enquanto o duque se veste de maneira tão sóbria e tradicionalista, à duquesa cabe exercer a sedução. O poder dele vem do sangue e da posição; o dela, de quanto consegue seduzir.

arts_duchess_584

As roupas do duque são tradicionais, feitas de tecidos pesados e estruturados, como veludo e tafetá. Sua peruca não é tão empoada e seus movimentos, até por conta dos tecidos, são pequenos e discretos. Até sua voz é baixa. Sua movimentação também é pouca, oscilante, desconfortável. Tudo o que ele passa despercebido visualmente (e todas as habilidades sociais que ele não tem), ele se impõe no poder e na palavra. O que ele quer, acontece. Ele não precisa gritar, gesticular ou se expor. Sua “frieza” é tanta que na época comentava-se que todo o país era apaixonado pela sua esposa, menos ele.

A duquesa, sua esposa, uma mulher tão cheia de enfeites e adornos, apenas demonstra visualmente o poder dele próprio que é, na verdade, o “dono” dela. Sua única função é ser esposa e providenciar um herdeiro homem. Mesmo sendo constantemente referenciada como “Imperatriz da Moda” e lançadora de tendências, saindo caricaturada nos jornais da época e constantemente exposta publicamente, na prática não tinha nenhum poder de decisão sobre sua vida.

Agora, pensando bem: se naquela época a mulher mostrava-se mais enfeitada e sedutora, porque demonstrava, na verdade, o poder de seu “dono”, porque a moda hoje foca muito mais a mulher? Eu acredito que agora porque ela escolhe demonstrar seu próprio poder através da roupa e não tem apenas a roupa para se expressar. Se hoje a mulher não tem dono e ela escolhe o que fazer, vestir, usar, talvez hoje, mais do que nunca, a moda seja um acessório de poder para as mulheres.

 The_Duchess-2-Ralph_Fiennes 2008_the_duchess_006 large%20the%20duchess%20blu-ray12

Sua aparência e atitude contrastavam radicalmente com o homem que Georgiana amou, Charles Gray. Seus cabelos despenteados, sua roupa despojada, seus gestos grandes e sua energia em movimentar-se não apenas demonstram sua personalidade enérgica, mas seu desapego à tradição e sua vontade de mudança. Essa atitude também muda quando ele decide ajustar-se ao sistema, não brigar mais pelo seu amor e continuar jogando o jogo do poder, para chegar aonde quer: ser primeiro-ministro, o que ele acaba conseguindo.

 keira_knightley_the_duchess_movi-1_0_0_0x0_450x675 theduchess4

 Essa reflexão nos leva ao tema de discussão do encontro: o papel temático das pessoas no mundo. Todo sistema social é baseado em poderes e esse poder/posição social também pode ser demonstrado pela roupa hoje em dia, num movimento que começou após a revolução industrial da Inglaterra do séc. 19. A roupa definia, naquele momento, uma posição ou uma profissão e como o poder já era também determinado pelas posses, o que a pessoa podia comprar a definia. Nesse momento, também, as pessoas que tinham dinheiro começam  a usar tecidos e aviamentos mais caros, materiais que antes só a nobreza tinha acesso, não pelo preço, mas por que era essa a vestimenta que a definia. Dois séculos antes, por ser a sociedade tão estratificada e ligada à vínculos de sangue, a roupa era quase um uniforme: se era poderoso/nobre/religioso, tinha o direito de usar certas peças e tecidos. O valor de cada ser humano era definido pelo sangue. Dois séculos mais tarde, esse valor passou a ser definido pela riqueza.

A duquesa vive bem no período de transição (1757-1806) dessa fase, em plena Revolução Francesa, que mudará para sempre os valores em vários terrenos, inclusive no jeito de se vestir. A Inglaterra nesse período era vista como a terra da liberdade. Apropriadamente, uma das palestrantes chamou a atenção para a diferença dos jardins franceses – estruturados e organizadíssimos – para os ingleses – “acidentados”. Podemos tirar daí a metáfora de que nesses jardins “acidentados” coisas inesperadas podem acontecer, coisas que podem alterar a ‘normalidade’ das regras tradicionalmente estabelecidas e seguidas. Interessante notar também que as cenas em que Georgiana aparece livre, correndo, usando cores claras e roupas nem tão estruturadas, são justamente as cenas em que ela aparece no jardim. Assim como as crianças, símbolo do comportamento livre, sempre aparecem brincando ao ar livre.

keira-knightley-the-duchess-press-still_0_0_0x0_470x533the-duchess_l

the_duchess_14334ec4fe8aedef66_Duchess-Top

Essa cenografia e os quadros abertos representam a liberdade, a possibilidade dos ‘acidentes’, de descobrir os caminhos a medida em que se vai andando. Já as cenas internas tem quadros fechados, imagens quase em close, num clima sufocante que dá a impressão que a pessoa não tem espaço nem para abrir os braços. A luz abundante do exterior também faz um contraste com a penumbra do interior. Mesmo dentro de suas casas, estão sempre cercados de pessoas, sem privacidade, nem intimidade. A cenografia está focada em limites visuais. Esses limites visuais metaforizam o limite das emoções, do desejo, da felicidade e das escolhas.

60897_The_Duchess2_122_1062lo_0_0_0x0_420x281  The%20Duchess%20small keira-knightley-the-duchess-of-devonshirethe_duchess_main the-duchess THE DUCHESS feature_00350_the_eighteenth_century_look_from_the_duchess_1 article-0-0286D9DE00000578-480_468x475

A maioria das palestrantes abordou o contexto histórico, tanto das roupas quanto da arquitetura, do paisagismo e até do mobiliário, ressaltando as diferenças e semelhanças entre França e Inglaterra e suas grandes damas da moda: Maria Antonieta e Georgiana. Nesse sentido, o filme sobre Maria Antonieta quis focar muito mais esse aspecto visual e até conseguiu criar um estilo quase “usável” inspirado na nobre que morreu na guilhotina. Georgiana certamente estaria em todos os tabloides e revista de fofoca/moda se vivesse hoje. Sua descendente, Diana, esteve. A moda francesa desse período ainda é muito ligada à sedução, tanto para os homens quanto para as mulheres, que usam brocados, brilhos, volumes, maquiagem carregada (era moda colar “mosquinhas” no rosto para parecer pintas) e grandes perucas. Na Inglaterra, sendo a nobreza muito mais ligada ao campo e suas mansões do que à corte, a roupa tende a ser mais prática, menos brilhante, mas não menos elaborada. Apenas mais discreta se comparada à vestimenta dos que transitavam ao redor do Rei Sol e queriam ‘refletir o seu brilho’.

 Pra relembrar Maria Antonieta, dá uma olhada aqui. Pra ver a matéria da Harpers Bazaar UK sobre A Duquesa, clique aqui. Veja mais fotos do filme na galeria abaixo.

 Nota Importante: Esse artigo foi escrito baseado nas minhas anotações do encontro. São ideias coletadas por mim mas partilhadas por todos os que estiveram presentes. Para ver as palestrantes e seus currículos, clique aqui. As fotos deste artigo foram retiradas do Google Images e seus links permaneceram intactos. Portanto, querendo saber a fonte, passe o mouse sobre a imagem.

    a476becf121819160226175  duchess%205  SPX-015150 the_duchess3-708502 the-duchess_pair Screen-Style-The-Duchess_articleimage   the_duchess14          duchess8

Semana que vem, o último filme… Identidade de Nós Mesmos ou Anotações para Roupas e Cidades, de Wim Wenders.

wim wenders

Twitter e o Pôr do Sol

Sim, estou usando o Twitter. Escrevi algumas vezes. Agora escrevo só de vez em quando. Da vida dos outros, dos tais famosos, também me cansei. Quando a gente começa a ver que tem tanta gente fazendo coisas supostamente mais interessantes do que o que estamos fazendo, podemos achar que nossa vida é sem graça e que nossa meta deve ser essa ou aquela vida.

Aí que a gente erra. Primeiro por não darmos valor ao que temos e achar que a felicidade está sempre um passo adiante, uma compra adiante, um relacionamento adiante. Não está. O maior desafio é tentar enxergar a felicidade daquele momento, por mais simples que ela seja, por mais brega que possa parecer, por mais gosto de ‘bolo simples e sem cobertura’ que tenha.

Segundo, porque erramos em nos interessar mais pela vida dos outros do que pela nossa. A vida de todo mundo dá um livro, mais ou menos interessante, mais ou menos apoteótico, mas é uma narrativa de vida e ela não precisa “dar certo”, o que quer que isso signifique num contexto capitalista. Claro que temos que ter metas, temos que ser ambiciosos, mas egoísmo é um negócio horroroso e muitas pessoas acreditam que devem “chegar lá” a qualquer custo, mesmo que puxando tapetes alheios ou sendo desleal. Quando a gente coloca metas reais pra alcançar um sonho que parece irreal, damos o primeiro passo em direção à realização pessoal, que é apenas outro nome da felicidade. Conservar e cuidar dos amigos, respeitar nossos sentimentos e motivos, ser leal, honesto e sincero, encurta e facilita o caminho até a felicidade.

Por isso, eu não acho o twitter o máximo, não dou muita importância (embora isso tenha sido capa de revista um monte de vezes… assim como o orkut) e não quero saber o que estão fazendo ou onde estão alguns fulanos pouco ou muito famosos por aí. Quero saber de mim e de quem eu amo, dos meus amigos e amigas mais que queridas, das pessoas que tem algo a me dizer, e sobre esses, posso até recorrer ao twitter. E principalmente, não quero desperdiçar meu tempo, meus recursos e minha energia. A gente perde tanto tempo adquirindo informações que amanhã não servirão para nada! Já pensou nisso?

Na minha frente, entra pela janela uma luz dourada típica de um pôr do sol de inverno. Vai durar apenas alguns minutos e logo terá desaparecido na noite. “Nothing gold can stay” (“nada que é dourado pode durar), já dizia o poeta. Prefiro assistir ao pôr do sol a ficar correndo atrás de bits e bytes. No silêncio das máquinas desligadas e de mim mesma. “The grass below… Above, the vaulted sky” (“A grama embaixo… Acima, o céu arredondado”).

 

img_6926

O pôr do sol na janela… Não é lindo?

 

E pra quem tá em Sampa, neste final de semana acontece a Feira de Artesanato da Vila Madalena, na Rua Fradique Coutinho, dia 16, a partir das 8h. Vai passear! 😉 

Ciclo Cinema, Corpo e Moda – Desejo e Perigo

Primeiro dia do evento promovido pela PUC- SP, com a exibição do filme Desejo e Perigo (2007), de Ang Lee.

 

 

Primeiramente: assista o filme! Vale muito, é sensacional e, por favor, tire as crianças da sala, porque as cenas de sexo são fortes. Acho que é mais legal falar com quem já assistiu ao filme e quem não quiser spoilers, por favor, pare aqui. 🙂

 

O tema a ser observado era o figurino na construção e ambiguidade da personagem. Bem, trata-se de uma história de espionagem, que a protagonista tem que se passar por uma mulher sofisticada e rica, sendo ela mesma uma pobre estudante. Para formar essa personagem, ela se veste com os símbolos de poder e status: o cabelo liso e escorrido passa a ser encarolado, a boca limpa exibe um chamativo batom vermelho (extravagância nos tempos de  guerra onde falta tudo) e os tecidos de algodão são substituídos pelo brilho da seda.

 

lust caution 04 lust caution 05

lust caution 11 lust caution 08

 

As jóias são um capítulo à parte: são, para as mulheres, um símbolo do status do homem que está ao lado delas. Afinal, o espaço delas é o interno, é dentro de casa ou fazendo compras com o dinheiro deles, e as jóias brilham mais nas mãos limpas e de unhas brilhantes das senhoras que não fazem nada a não ser apostar nas mesas de majhong, como disse a palestrante convidada Dhora. São mulheres tão sem identidade que são conhecidas apenas pelos nomes de seus maridos. O ambiente é fotográfico, o cenário é construído detalhadamente, “parece uma fotografia antiga”, como disse a professora Ana. É tudo delicado e bem cuidado, constrastando com a violência das cenas de intimidade e da violência que podemos imaginar que faz parte do dia a dia do Sr. Yee, o amante seduzido por Wang e alvo do grupo de resistência.

 

lust caution 15

 

Outra coisa muita citada no debate foi que o figurino, além de ser formado pelas roupas, é também formado pela textura dos tecidos, pelo brilho das jóias, pelos fios de cabelo bem penteados. Fazem parte também os ângulos, os olhares, os gestos pequenos e calculados, o cigarro. Todos esses elementos visuais também contam uma narrativa de transformação. Os tecidos dos vestidos são geralmente rendados ou com uma leve transparência, o que sempre dá a impressão que a verdadeira intenção é revelar e não esconder o corpo.

 

lust caution 16 lust caution 03

lust caution 12 lust caution 13

 

Embora o estilo do figurino seja realista, pois retrata com fidelidade uma época, também é bastante representativo: as cores mais usadas são o azul e os toques de vermelho (presentes na bandeira nacionalista, como observou a Jô), o verde e o marrom. O uso das cores neutras pela ‘Sra. Mak’, a personagem que a estudante Wang assume, também representa o passar despercebida, poder se infiltrar sem chamar muito a atenção. Usando a mesma cor de suas “companheiras” poderosas, ela incorpora-se ao ambiente.

 

lust caution 14 lust caution 06

A bandeira nacionalista e as cores harmônicas e suaves (olhe as carteiras!!) das mulheres finas

 

Elementos da moda ocidental também estão presentes, inclusive de marcas reconhecidas como a mala Louis Vuitton e o anel Cartier, além dos casacos estilo New Look de Dior. O anel é carregado de simbolismo: ela ganha o anel do amante e, quando percebe que aquele anel significa que seu trabalho está completo e que ele será morto, arrepende-se do que fez e dá a ele a chance de escapar. O anel coroa a vitória do fingir sobre o ser e ela aparenta estar desiludida com aquele teatro tão triste e não quer contribuir para a execução violenta do ‘traidor’. Ela própria, então, assume a identidade dele e trai o seu grupo.

 

lust caution 07

 

E por falar em teatro, uma das cenas mais bonitas é a cena dentro da casa de chá japonesa. O encontro acontece numa sala vazia, apenas dois chineses entre os japoneses. Ele reclama que a música japonesa é triste como um choro e ela se propõe a cantar. Ela canta com muito sentimento uma música de amor tipicamente chinesa, acompanhada de todo o gestual tradicional. A música fala de um amor jovem, da natureza e resgata os sentimentos mais puros. Ele se emociona e, por um momento, são apenas um homem e uma mulher, apaixonados, isolados, vulneráveis.

 

 

A letra da música é essa:

Desde os confins da terra
Até o mar mais longínquo
Eu procuro e procuro por meu companheiro de coração
Uma jovem mulher canta
E é acompanhada por ele
Seu coração é o meu coração
Seu coração é o meu coração

Olhando para o norte do alto da montanha
Minhas lágrimas caem e molham minha roupa
Sinto a falta dele, não consigo dormir
Apenas o amor que sobrevive aos tempos difíceis é verdadeiro
Apenas o amor que sobrevive aos tempos difíceis é verdadeiro

Quem nessa vida valoriza a primavera da juventude?
Uma jovem e seu companheiro são como linha e agulha
Oh, meu lindo companheiro
Somos como linha e agulha, nunca podemos nos separar
Somos como linha e agulha, nunca podemos nos separar

 

 

A Jô observou que o desejo também veste os corpos nus tão frequentemente que a forma física pode até ser encarada como uma peça de figurino ou de cenário. Também o corpo tem uma forma adequada à roupa que o cobre. O Qi Pao, o vestido chinês com golinha alta e abotoamento lateral, aparece como uma reminiscência tradicionalista, não necessariamente positiva, mas necessária ao disfarce. Ele evidencia o corpo, que adquire sensualidade, mas também o aprisiona. No costureiro, quando Wang experimenta um novo vestido, diz que está tão apertado que mal consegue respirar. O que está apertado é o vestido ou a representação sufocante? O Sr. Yee, observando, pede que ela não o tire, mesmo sabendo de seu desconforto. Ele parece só se sentir atraído pela dor alheia.

 

Wang adora cinema e o diretor utiliza a metalinguagem na narrativa, conversando com outros filmes, ligados ao tema da espionagem, risco e suspense, ou simplesmente ao amor, e todos com Cary Grant (AMO!!). A fotografia noir dos filmes de Hitchcock aparece em dois momentos. Em Suspeita (1941), o jogo de luz e sombra reproduz visualmente a dúvida na mente da personagem de Joan Fontaine, que acredita estar sendo envenenada pelo marido, interpretado por Cary Grant. Isso pode ser percebido no jogo de cortinas e janelas do filme chinês e na sensação de “pisar em ovos” e calcular gestos.

lust-caution-movie-poster Suspicion_milk 2

O cartaz do filme e Cary Grant com o copo de leite supostamente envenenado: qualquer semelhança não é mera coincidência

 

Outro Hitchcock que aparece é Interlúdio (1946), onde Ingrid Bergman faz o papel de uma espiã que aceita se casar com um homem investigado pelo governo. Cary Grant faz o papel do contato, o agente que a recruta e passa instruções. A personagem de Ingrid é apaixonada por Cary (o que no filme chinês também acontece, já que a estudante Wang é apaixonada pelo jovem ator que a recrutou) mas tem que ser a esposa daquele homem para cumprir os planos do governo. Ela é descoberta mas só fica sabendo que está em perigo quando está prestes a morrer envenenada. É um filme cheio de claro/escuro, dúvidas, meias palavras, enfim, Hitchcock.

notoriuos

Ingrid e a xícara de café envenenado

 

notorious3 lust caution 01 

notorious1 lust caution 02

 notorious2 lust-caution-movie-poster 2

 

O terceiro filme é Penny Serenade (1941), um filme emocionante que nada tem a ver com espionagem. É a história de um jornalista, ingênuo e sonhador (Cary), que se casa e vai morar no Japão, investindo numa ideia que acaba dando errado. Pra ficar ainda pior, o casal passando por um terromoto e a esposa perde um bebê e fica impossibilitada de ter filhos. Voltando aos EUA, ele vai abrindo e fechando negócios, com a vitalidade e inexperiência de um menino, a maioria deles sem sua esposa saber. Sua esposa (Irene Dunne) não aguenta mais viver com alguém tão inconsequente. Eles se separam, conversam, choram. É uma vida simples, de amor e brigas, de paciência e convívio. Uma história de amor não tão certinha como se gostaria, mas, ainda sim, amor. Penny é a moeda de 1 centavo e representa a dificuldade financeira do casal. Serenade é serenata. Ou seja: dá pra fazer uma serenata com apenas 1 centavo e sobreviver, romanticamente, às dificuldades. Todos os momentos do casal tem uma música tema e eles tem uma música que representa o amor que sentem um pelo outro: “You were meant for me”, toca até hoje na voz de Bing Crosby. Lindo demais… Um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Esse filme e essa música conversam muito com a canção da casa de chá.

 

Penny_Serenade

 

penny serenade

Repare no figurino dela e nos ternos dele. O figurino da Sra Mak e do Sr Yee também foram influenciados pelos astros e divas de Hollywood  desse período.

 

 

 

Mais algumas imagens externas: repare nos casacos, nas carteiras e nos chapéus. As imagens do filme foram retiradas do site oficial e do IMDB. Poderia falar páginas e mais páginas sobre este filme! Aspectos culturais, de língua, de história, de música, de fotografia… Pra ver e rever sempre. Assista. De novo, se for possível. E pra quem quer ler teoria, procure o Simulacros e Simulação (1981), texto de Jean Baudrillard, sociólogo e filósofo francês. Baudrillard entende nossa condição como a de uma ordem social na qual os simulacros e os sinais estão, de forma crescente, constituindo o mundo contemporâneo, de tal forma que qualquer distinção entre “real” e “irreal” torna-se impossível. Apropriado, não? Mais sobre Baudrillard aqui e aqui.

 

   lust-caution-se-jie-0  lust caution 09  lust caution 10   

 

 Veja aqui o nome e o currículo de todos os participantes do debate.

 

UPDATE!!

Artigo da prof. Jô Souza

Fotos do evento

 

 

Semana quem vem, A Duquesa!

 

SaladaCultural_com_br-a-duquesa-cartaz

o crédito da imagem está sobre a figura

 

Inspiração para Pensar em Política

 crédito da foto

“Quando a virtude mora em lugar humilde, vê-se que ela, frequentemente, deixa o lugar enobrecido. Mas onde falta, mesmo que existam títulos da mais alta nobreza, a honra é vazia. Somente o bem é em si de alta valia. O mal é mal. As coisas valem pelo que são, independentemente dos títulos que tenham”.

.

William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo inglês, na peça Tudo Bem Quando Acaba Bem

Lenço charmoso na cabeça

Ideia que tá pegando: fazer uma laço com lenço na cabeça, como uma tiara. Dá pra usar de todo jeito: com cabelo preso, solto, grande, delicado, com ou sem franja no cabelo crespo, liso, curto ou comprido. Ou seja, todo mundo pode usar! Inspire-se nas fotos, aprenda com os vídeos e faça o seu:

Todas as fotos são Hoyfashion

 

E pra quem quer aprender:

Design a site like this with WordPress.com
Iniciar