Tricô!!

 

2nd Floor - Lucas Nascimento

Eu AMO tricô. Se o dia tivesse 50 horas, passaria pelo menos 30 delas sentada, tricotando. Numa semana dessas, passei tantos dias fazendo tricô que meus dedos ficaram doloridos e com calos. Fui obrigada a dar um tempo mas aquelas agulhas me chamavam insistentemente…

Tem um ponto bem grandão feito com uma agulha que mais parece um cabo de vassoura que é a cara nova da malha tricotada. É linda e, vantagem das vantagens, facílima de fazer. Iniciantes na arte, como eu, sempre procuram peças de grande impacto e pouca complicação, para não desanimar logo de cara.

Uma sugestão que funcionou muito comigo: pegue uma lã ou linha bem grossa, agulhas largas e trabalhe em cordões de tricô (se você já tem alguma noção sabe do que estou falando). Trabalhe peças retas, como cachecóis, estolas e ponchos, assim você não vai precisar quebrar a cabeça contando pontos e fazendo diminuições e aumentos. Eu sou uma negação para números e evito-os ao máximo.

Essas peças grandes, de pontos gigantescos, dão um efeito bárbaro em qualquer produção basiquinha: uma cacharel, uma calça justa, uma sapatilha e, elemento surpresa, uma estola de tricô feita por você! Ainda dá tempo de tricotar uma para o inverno deste ano…

Leia a matéria sobre o Lucas Nascimento, tricoteiro fashion, publicada na Folha de São Paulo no dia 8 de abril de 2008:

 

Um tricoteiro de mão cheia – Com suas maxilãs, Lucas Nascimento fascina os fashionistas brasileiros e estrangeiros

por Camila Yahn, em Londres

 

É normal que os profissionais da moda sejam reconhecidos por seu talento como estilistas, por sua beleza ou até mesmo por suas amizades com celebridades e pessoas influentes. No caso de Lucas Nascimento, o que o colocou no centro das atenções foram seus megatricôs e cachecóis vistos nos desfiles das grifes 2nd Floor e Amapô, na São Paulo Fashion Week, em janeiro. Isso mesmo. Lucas é tricoteiro. Aos 28 anos e radicado na Inglaterra, ele aposta alto na profissão, pouco reconhecida e muito menos badalada.

Em Londres, onde vive desde 2001, Lucas cursa o último período da faculdade Fashion Design for Knitwear (design em tricô), no London College of Fashion, uma das escolas de moda mais prestigiosas da Inglaterra. Quando terminar, ele planeja fazer o mestrado, a convite da diretora do colégio.

Paralelamente, ele é assistente do mestre do tricô Sid Bryan, que cria e produz peças para grifes como Alexander McQueen e Prada. Com Sid, Lucas participou da criação de roupas para Giles Deacon, Jonathan Saunders, Armand Basi e Jasper Conran, todos nomes quentes da moda britânica.

Na última edição da London Fashion Week Lucas assinou seus primeiros trabalhos solo. Fez os tricôs da marca Theatre de la Mode e a jaqueta de fitas de videocassete para o desfile da dupla Basso & Brooke. A jaqueta demorou uma semana para ficar pronta. “E isso porque trabalhei 14 horas por dia”, ele conta, em seu estúdio no descolado bairro de Shoreditch.

Para fazer os megatricôs grossos vistos nos desfiles da 2nd Floor e da Amapô, Lucas usa agulhas gigantes de até 25 mm de diâmetro. A lã muito grossa, como a usada para a Ellus, chama-se Merino Wool e pode custar até R$ 500 o rolo. Portanto, suas peças são sempre muito caras. “No verão é mais fácil de vender, pois uso materiais mais leves, e as peças levam menos tecido, o que diminui o custo”, diz.

O gosto de Lucas pelo tricô é quase hereditário. Desde criança, quando ainda morava em Bonito (MS), ele observava sua mãe “tricotar sem parar”. Aos 11 anos, já era um minitricoteiro.

Adolescente, sabia muito bem o que queria fazer da vida e, aos 20 anos, mudou-se para Londres, a fim de aperfeiçoar seu trabalho. Passou os três primeiros anos como assistente do designer Ziad Ghanem e, de lá, foi trabalhar em um dos brechós mais disputados da cidade, o Beyond Retro.

Nessa época começou a estudar e largou o emprego. Durante o dia frequentava o colégio e, à noite, trabalhava atrás do balcão do George & Dragon, um pub pequenino e original, frequentado por stylists, artistas, modelos e estilistas famosos. Esse contato com tanta gente interessante, e a sua cabeleira negra, colocou Lucas no mapa fashion da cidade. Ele já foi um dos escolhidos para participar de um editorial da revista “Pop” que apontava as personalidades mais bacanas da moda. Apareceu na revista ao lado de Kate Moss e Raquel Zimmermann.

Aos poucos, começou a conquistar seus próprios clientes. “Estou numa posição privilegiada, em que posso desenvolver vários projetos para marcas diferentes. É fascinante como cada designer tem um processo criativo diferente do outro. Estou aprendendo muito.”

Voltar a morar no Brasil, por enquanto, não faz parte de seus planos. “Estou completamente adaptado em Londres e muito feliz por poder trabalhar para marcas brasileiras mesmo vivendo fora do país”, afirma.

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Moda de Rua – Grafite… As gringas também sabem

Passeando pela Vogue Espanha (não sei porquê, mas a Vogue Espanha é a que eu mais gosto) encontrei uma matéria sobre moda de rua e grafite. Como a foto da Tatiana Guid lá embaixo mostra, dá pra misturar o estilo, as cores e acessórios e criar uma moda com o jeito rápido e colorido dos grafites. Despojada e confortável, para poder se sujar de tinta e subir escadas para alcançar lá em cima, charmosa e feminina, com estilo próprio (assim como os traços também relevelam sua personalidade).

Pense em conforto e ar livre, muita cor e, sempre, uma pitada de originalidade (indispensável) e dá pra se inspirar. Grafite é uma maneira de mostrar que a cidade também é sua.

Veja as meninas de Madri:

http://www.vogue.es/index.php/mod.desfiles/mem.detalle/iddesfile.67629/relcategoria.2051/sec.Moda%20en%20la%20calle/regini.0/chk.1c2cd13eee03aed35a69feae863a0f40.html#

 

Moda de Rua – Grafite

Tatiana Guid - Grafiteira

Saiu ontem no Suplemento Feminino do Jornal Estado de São Paulo uma matéria sobre garotas que fazem grafite. O título, “Artistas a céu aberto”, tem tudo a ver com o que eu penso sobre essa manifestação de arte. É lindo, é contemporâneo e deve ser encarado como um privilégio ter um desses num muro perto de casa. Quando as cores vão desbotando, as marcas do tempo se fixando, não há problema em raspar a parede e começar tudo de novo, com inspirações renovadas.

E por falar em estilo fofo, já vi uns grafites de gato da Minhau e são imperdíveis… Quem sabe um dia não tenho um na parede da minha casa…

Leia a matéria: 

Artistas a céu aberto

Apesar de serem minoria, algumas mulheres estão revelando um estilo próprio e começam a se destacar no grafite

Fabiana Caso, de O Estado de S.Paulo

Marcos Mendes/AE

‘Quero passar alegria, colocar as pessoas para cima’, diz a grafiteira Tatiana Guid (na foto acima)

 

SÃO PAULO – Formas de gato, coração, boneca e muito colorido. Mas tudo estilizado na linguagem da arte de rua. Comece a reparar nos grafites de São Paulo que você vai reconhecer traços femininos emoldurando o cenário urbano. Entre as autoras, adolescentes que estão descobrindo essa forma de arte – que ainda significa contravenção – e também mulheres maduras, cujo talento é reconhecido além das fronteiras das ruas.

Tudo começou na pré-história. Desde sempre, o homem pintava as paredes, expressando os seus símbolos. Os italianos, em especial, gostavam de redigir protestos com carvão, os quais ainda podem ser vistos nos sítios arqueológicos do País. É justamente da língua italiana que vem a palavra grafite: escrita em carvão. Mas o desenvolvimento dos desenhos com spray se deu em Nova York, na década de 60, quando jovens começaram a pintar paredes e trens da metrópole. Essa expressão de arte desenvolveu-se paralelamente ao hip hop – cultura dos guetos dos Estados Unidos, que reúne também rap e dança break.

No Brasil, o grafite se desenvolveu de forma diferente, não tão atrelado ao hip hop. Em São Paulo, os pioneiros foram Otávio e Gustavo Pandolfo, conhecidos como “Os Gêmeos”. Os irmãos, que hoje já têm mais de 30 anos, fizeram o colegial técnico na escola Carlos de Campos. Já grafitavam nessa época da adolescência e começaram a incentivar os jovens colegas a fazer o mesmo. Foi assim que a namorada de Otávio, Carina Arsenio (a Nina), começou. Hoje, os dois são casados e continuam criando grafites juntos.

Mundialmente conhecidos, uma das últimas empreitadas dos três – Os Gêmeos e Nina – foi grafitar, no ano passado, o castelo de Kelburn, do século 13, na Escócia. Este foi um dos trabalhos preferidos de Nina, que vive às voltas com viagens internacionais. Hoje, aos 31 anos, ela está desfrutando do reconhecimento ao seu trabalho.

“Quando comecei a me interessar pelo grafite, já pintava, mas em suportes tradicionais como tela. Também fazia teatro de rua e percebi que poderia pintar em muros, na rua, para todos. Grafite, para mim, é levar a arte a lugares onde normalmente não há arte nenhuma, nenhum valor”, resume ela, diretamente de Paris, onde estava com Os Gêmeos, pintando. “O número de meninas que fazem grafite tem aumentado cada vez mais, no exterior isso já é normal. No Brasil, elas estão procurando seu próprio estilo, superando barreiras, pois uma garota pintando na rua é algo bem diferente.”

Nina participou da 9ª Bienal de Havana e de vários projetos na Europa. Agora, prepara uma exposição solo, que deverá ser realizada em julho, na Galeria Leme, em São Paulo. Mesmo com tanta ocupação, continua grafitando nas ruas paulistanas, pelo menos um final de semana por mês. “É uma maneira de expressão, como qualquer outra arte de rua.”

Galeria

Junto com seu marido Jey, a grafiteira Tatiana Guid fundou, em 2005, a Grafiteria, única galeria especializada em arte de rua. Todo final de semana, vão juntos pintar os muros da cidade: as ovelhinhas e monstrinhos simpáticos dela, às vezes, completam o traçado diferente do marido, e vice-versa. Outra característica do desenho de Tatiana são as espirais: tudo muito colorido. “Evito a cor preta. Quero passar alegria, colocar as pessoas para cima”, comenta.

Paulistana, de 29 anos, e mãe de Olívia, de 8, Tatiana gostava de desenhar desde a infância. Adorava quadrinhos de super-heróis, como o Homem Aranha, e “viajava” no desenho de personagens como Calvin. Também estudou no colégio Carlos de Campos e foi lá que começou a trocar idéias com Os Gêmeos, fazendo as primeiras experiências com spray. “O trabalho delicado da Nina já era uma referência entre as meninas”, lembra.

Nessa época, Tatiana adorava andar de skate e ouvir bandas de rock como Pixies, Sonic Youth e a pioneira Stooges de Iggy Pop. O grafite foi somado à música e ao esporte, que já faziam parte de sua vida. “Os desenhos dos skates e das marcas de roupa de skate tinha a ver com a linguagem.” Mas, depois que sua filha nasceu, parou de andar de skate e teve de interromper o grafite também.

Voltou a pintar aos 23 anos e, de lá para cá, só está obtendo maior reconhecimento. Participa de muitos eventos, pinta cenários e já fez grafites nas paredes de cerca de seis residências. O principal trabalho fora das ruas foi a criação, em parceria com a grafiteira Miss, do grafite que deu origem às ilustrações usadas na linha feminina Carpe Diem, de O Boticário. As duas pintaram uma parede, que foi fotografada e usada nas embalagens dos produtos. “Até 2004, nosso trabalho era super marginalizado. Hoje, existe mais consciência de que é uma forma de arte.”

Além de grafitar, pinta telas e cria estampas para roupas e acessórios da marca de skate Stand Up. Mas é à primeira atividade que se dedica todos os fins de semana. “Grafite é uma forma de protesto e de apropriação da cidade. É uma arte disponível para todos.”

Gatos

A grafiteira Minhau é autora dos felinos que aparecem em paredes, como a da Praça Roosevelt, no centro da cidade. Camila Pavanelli, de 30 anos, sempre foi apaixonada por gatos. Tem até um, peludo e rajado, que se chama Rajão. Natural de Piracicaba, também é casada com um grafiteiro veterano, Chivitz. Foi junto com ele que pintou seu primeiro muro. E segue aprendendo. “Estou evoluindo a cada dia, gosto de trabalhar com todas as cores possíveis, usando traços soltos.”

Sempre pintou cerâmica e materiais menos usuais, como sucata. Também curtia colar “lambes” – aqueles papéis impressos – nas paredes das ruas. Mas com o grafite é diferente. “Sempre fico muito ansiosa antes de desenhar, dá até gastrite”, conta ela, que grafita todo final de semana com o marido e amigos. “Mas é legal, estamos levando arte para a rua. Muita gente elogia enquanto estamos trabalhando. A satisfação é muito grande.”

Agulhas

É impossível para mim falar de estilo próprio sem falar de customização. Qualquer moça prendada pode e deve se interessar por costura e artesanato, especialmente aqueles que tem a ver com agulhas: tricô e crochê.

Dentre todas as vertentes da idéia de fazer maravilhas com fios (tricô, crochê, crochê tunisiano, crochê de pino, tear etc…) , posso dizer que sou iniciante no tricô e começando a dar os primeiros passos no crochê. É simplesmente delicioso.

Tem um blog que eu gosto muito e recomendo a todos os que se interessam por agulhas: http://feitoamao.typepad.com/montricot/. Sempre passo lá pois as coisas são inecreditavelmente lindas (e difíceis!! mas ainda sou uma aprendiz).

Dá uma olhada, você não vai se decepcionar!

Saindo à francesa

A famosa bolsa Kelly, de Hermés. 

 

Blusinha preta básica, bracelete punk, unhas e boca vermelha.

 

As francesas e suas echarpes… também invente um jeito de arrumar a sua.

 

 Boina de tricô + jaqueta jeans justinha + saia camponesa = menina bonita

 

Clássico para todo mundo: trench coat bege + camisa branca + bolsa de tecido com cara de brechó

 

 

Cara de boneca: cabelo chanel escovado (e não chapinhado!) + batom vermelho

 

Dá pra usar babado sem ficar com cara de quermesse: use com uma peça sequinha em baixo (calça skinny, reta ou corsário), prenda os cabelos e coloque brincos geométricos não muito grandes… fica lindo!

 

Repare nos botões forrados do casaco (ótima idéia para customizar) e na boina folgadinha de lã

 

 Fotos do fime À Francesa, comentado no post anterior

 

Ainda na França…

Se Pushing Daisies tem um pé na França do estilo “menina de família”, não deixa também de ter seu lado cinqüentinha, com os chapéus, luvas e penteados elaborados. Se vestir assim dos pés à cabeça não dá certo mas garimpar uma ou outra peça de época de brechó sempre foi uma diversão fashion. Ainda mais agora, que é muito mais eco-correto reutilizar acessórios, roupas e sapatos do que sair por aí gastando um dinheiro que não tem. Fica mais autêntico, original e único, além de mais barato.

O difícil é fazer uma produção que dê certo. Para isso, é simples: costumo combinar uma peça de tecido tecnológico ou com um corte ousado à outra que tem uma cara mais retrô. Como um vestido sessentinha curto com uma ankle boot e luvas. Para isso, tem que ser alta e ter pernas relativamente finas.

Detesto aquele negócio de “para usar roupa assim, tem que ter corpo assim”. É verdade que algumas coisas não vestiriam bem certos corpos (calça legging com blusa justa por cima, por exemplo). Na verdade, costumo sempre achar que não é o que PODE, mas o que é APROPRIADO e valorize o que nosso corpo tem de melhor. Eu não me sinto mal quando vejo adolescentes de balonê curtinho desfilando as pernocas por aí. Tem idade e corpo para tudo. Tenho certeza que elas não segurariam um taileur como eu. A beleza está na valorização do corpo e não em queimar tendência e sair por aí usando o que ainda vai ser usado. Não há nenhuma originalidade nisso.

As francesas tem uma coisa muito delas: o lenço, o foulard, a echarpe. Tá pra fazer um dicionário só com os jeitos que elas amarram o pedacinho de pano no pescoço. Quem viu um filme de 2003 chamado À Francesa, com a maravilhosa Naomi Watts, deve ter se encantado com os figurinos. O filme mesmo é fraquinho, mas vale a pena só para ter idéias de figurino. Muitas, mas muitas listas, boinas e gorros, tricô com pontos grandes, cabelo escovado chanel e batom vermelho. Mas nada de “menina boazinha”: consumismo e grifes de alta-costura. Dá pra pegar o embalo da coisa e vasculhar o guarda-roupa em busca de novas combinações e idéias, sem precisar esvaziar os bolsos.

Enfim, como sempre, dá pra se inspirar e se divertir muito. 

Eu quero assim

Estou assistindo a nova série do Canal Warner Pushing Daisies e tem alguma coisa no ar. Claro que dá pra ver a fonte de onde eles beberam e todo mundo já falou isso: Amélie Poulan. Mas isso não tira o mérito de ninguém, afinal eles estão conseguindo fazer uma das coisas mais fofas da tv ultimamente (o casal protagonista é muuuuito fofo). Desde Amélie, ser fofo virou um estilo. Aliás, quem viu o primeiro episódio e já era fã da francesinha pôde reconhecer a música de fundo quando Ned e Emerson vão visitar as tias de Chuck. O fato de as Darling Mermaids Darling serem fanáticas e especialistas em queijos também deixa um pezinho na França.

Aliás, por falar em cenas, antológica a do segundo episódio, quando Vivian “dança” com o cachorro. O ângulo da câmera, as cores, tudo foi muito feliz.

Agora, vamos falar do que mais interessa: estilo. Eu me identifico com o estilo mas não quero sair na rua parecendo uma figura caricata. Então o que fazer?

Cores: muito vermelho com verde, pense em morango. Coisas doces, que derretem na boca (lembre-se: ele é o “pie maker”). Para não virar uma torta de morango com cobertura de escarola, coloque um vestidinho verde, um cintinho de verniz vermelho e vá de sapatilha e carteira prateadas. Fica lindo e original.