Ainda na França…

Se Pushing Daisies tem um pé na França do estilo “menina de família”, não deixa também de ter seu lado cinqüentinha, com os chapéus, luvas e penteados elaborados. Se vestir assim dos pés à cabeça não dá certo mas garimpar uma ou outra peça de época de brechó sempre foi uma diversão fashion. Ainda mais agora, que é muito mais eco-correto reutilizar acessórios, roupas e sapatos do que sair por aí gastando um dinheiro que não tem. Fica mais autêntico, original e único, além de mais barato.

O difícil é fazer uma produção que dê certo. Para isso, é simples: costumo combinar uma peça de tecido tecnológico ou com um corte ousado à outra que tem uma cara mais retrô. Como um vestido sessentinha curto com uma ankle boot e luvas. Para isso, tem que ser alta e ter pernas relativamente finas.

Detesto aquele negócio de “para usar roupa assim, tem que ter corpo assim”. É verdade que algumas coisas não vestiriam bem certos corpos (calça legging com blusa justa por cima, por exemplo). Na verdade, costumo sempre achar que não é o que PODE, mas o que é APROPRIADO e valorize o que nosso corpo tem de melhor. Eu não me sinto mal quando vejo adolescentes de balonê curtinho desfilando as pernocas por aí. Tem idade e corpo para tudo. Tenho certeza que elas não segurariam um taileur como eu. A beleza está na valorização do corpo e não em queimar tendência e sair por aí usando o que ainda vai ser usado. Não há nenhuma originalidade nisso.

As francesas tem uma coisa muito delas: o lenço, o foulard, a echarpe. Tá pra fazer um dicionário só com os jeitos que elas amarram o pedacinho de pano no pescoço. Quem viu um filme de 2003 chamado À Francesa, com a maravilhosa Naomi Watts, deve ter se encantado com os figurinos. O filme mesmo é fraquinho, mas vale a pena só para ter idéias de figurino. Muitas, mas muitas listas, boinas e gorros, tricô com pontos grandes, cabelo escovado chanel e batom vermelho. Mas nada de “menina boazinha”: consumismo e grifes de alta-costura. Dá pra pegar o embalo da coisa e vasculhar o guarda-roupa em busca de novas combinações e idéias, sem precisar esvaziar os bolsos.

Enfim, como sempre, dá pra se inspirar e se divertir muito. 

Eu quero assim

Estou assistindo a nova série do Canal Warner Pushing Daisies e tem alguma coisa no ar. Claro que dá pra ver a fonte de onde eles beberam e todo mundo já falou isso: Amélie Poulan. Mas isso não tira o mérito de ninguém, afinal eles estão conseguindo fazer uma das coisas mais fofas da tv ultimamente (o casal protagonista é muuuuito fofo). Desde Amélie, ser fofo virou um estilo. Aliás, quem viu o primeiro episódio e já era fã da francesinha pôde reconhecer a música de fundo quando Ned e Emerson vão visitar as tias de Chuck. O fato de as Darling Mermaids Darling serem fanáticas e especialistas em queijos também deixa um pezinho na França.

Aliás, por falar em cenas, antológica a do segundo episódio, quando Vivian “dança” com o cachorro. O ângulo da câmera, as cores, tudo foi muito feliz.

Agora, vamos falar do que mais interessa: estilo. Eu me identifico com o estilo mas não quero sair na rua parecendo uma figura caricata. Então o que fazer?

Cores: muito vermelho com verde, pense em morango. Coisas doces, que derretem na boca (lembre-se: ele é o “pie maker”). Para não virar uma torta de morango com cobertura de escarola, coloque um vestidinho verde, um cintinho de verniz vermelho e vá de sapatilha e carteira prateadas. Fica lindo e original.